O chefe da Casa Real portuguesa, Duarte Pio, defendeu hoje no Porto que se "Portugal tivesse um rei como Chefe de Estado" não estaria na atual situação de "descalabro" e "mais facilmente poderia sair dela".
"Portugal, se tivesse como Chefe de Estado um rei, não estaria na situação como está hoje e poderia sair mais facilmente dela", afirmou à margem do XVII Congresso da Causa Real, que se encontra a decorrer no Porto.
Para o duque de Bragança, "um rei podia ter alertado com mais impacto os políticos para os problemas que estavam a criar", lembrando que "esta situação de descalabro não é de agora".
"Já começou há muitos anos atrás quando se começaram a entusiasmar com o dinheiro da Europa e a gastar em obras de grande impacto visual e a aumentar o enorme número pessoas a viver à custa do Estado", disse.
Em defesa da monarquia, salientou que um rei "é independente", equiparando-o a "um árbitro num jogo de futebol que não pode pertencer a uma das equipas em jogo".
"Um rei, como é independente e não precisa dos votos, pode alertar os políticos e ajudá-los a perceber a situação e a corrigir os erros", sustentou.
Acrescentou que, e comparando com outras monarquias contemporâneas da Europa, "quando numa monarquia atual um rei fala, o que é raro, as pessoas prestam atenção e acreditam no que ele diz".
O congresso assistiu ainda à substituição de Paulo Teixeira Pinto na presidência do movimento da Causa Real, sucedendo-lhe Luís Lavradio.
O novo dirigente nacional afirmou que "a monarquia em si não é uma panaceia para todos os males de Portugal", tendo porém a "certeza que seria uma grande ajuda".
"Hoje em dia é claro que vivemos uma situação em que temos um modelo económico que não funciona, temos uma crise política clara e um regime que começa a ser cada vez mais questionado", destacou.
Sendo o objetivo da Causa Real a disseminação do ideal monárquico, e em última instância a sua restauração em Portugal, Luís Lavradio considera que "a única maneira de haver uma restauração monárquica em Portugal é desmistificando o que foi feito ao longo dos últimos 100 anos e passar a mensagem do que seria uma monarquia do século XXI".
"A grande diferença entre uma monarquia e uma república no século XXI é só a chefia de Estado. Seria essencialmente uma substituição do Chefe de Estado por alguém que não só agrega toda a bagagem cultural do país mas também faz uma ligação importante entre o passado do país, o presente e o futuro e ainda traz uma estabilidade política indesmentível e uma isenção total em termos políticos", frisou.
terça-feira, 17 de maio de 2011
VIAGENS HISTÓRICAS DA RAINHA DA INGLATERRA
Nesta terça-feira, a rainha Elizabeth II vai fazer uma viagem histórica à Irlanda: a convite da presidente irlandesa, Mary McAleese, ela será a primeira monarca britânica desde 1921, quando a Irlanda conquistou sua independência, a visitar o país. Conheça outras visitas importantes da rainha britânica.
Austrália e Nova Zelândia
Elizabeth II foi coroada rainha em 1953 e poucos tempo depois, perto da virada do ano de 1954, partiu em uma viagem de seis meses pelos países da Commonwealth (organização composta por 55 países com laços históricos com o Reino Unido) com seu marido, o príncipe Philip. Nessa série de visitas, a rainha se tornou a primeira monarca britânica a visitar as ex-colônias Austrália e a Nova Zelândia. Estima-se que três quartos da população australiana tenha acompanhado a rainha no país.
Mudança de planos
De todas as viagens oficiais que a rainha fez, apenas uma teve que ser interrompida repentinamente. Em 1974, enquanto viajava com o príncipe Philip pela Austrália e pela Indonésia, Elizabeth II teve que retornar para Londres depois que eleições gerais foram convocadas sem aviso no país. O marido de Elizabeth, também conhecido como duque de Edimburgo, continuou a viagem e a rainha reencontrou a comitiva real na Indonésia.
A mais viajada dos monarcas britânicos
Desde que se tornou a soberana da Coroa britânica, em 1952, a rainha Elizabeth II virou a monarca que mais viajou oficialmente em toda a História da realeza. Foram mais de 325 visitas oficiais fora do Reino Unido em seus 63 anos de reinado, o segundo maior da monarquia nacional.
Viagens inéditas
Como a rainha britânica que mais viajou da História, Elizabeth II também foi a primeira monarca do Reino Unido a visitar muitos países. Em 1986, ela foi a primeira soberana da Coroa britânica a pisar em solo chinês. O mesmo aconteceu na Rússia, um antigo inimigo inglês, em 1994, poucos anos depois do fim da União Soviética. Entre 1998 e 1999, outros três países tiveram a honra de ser visitados pela Sua Alteza pela primeira vez: Brunei, Malásia e Coreia do Sul.
Brasil
Em novembro de 1968, a rainha Elizabeth II veio ao Brasil pela primeira vez, a monarca foi a primeira também a visitar a América do Sul. Em solo tupiniquim por 12 dias, Elizabeth II participou da inauguração da nova sede do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e foi ao Maracanã, no Rio, para ver o Pelé jogar. A rainha ainda visitou Recife. A viagem foi parte do programa inglês de integração econômica com países latino-americanos.
África do Sul, pós-Apartheid
Foi à África do Sul a primeira viagem oficial de Elizabeth II em 1947, quando ainda era princesa. A visita, no entanto, não se repetiu por anos. A rainha era uma das críticas do regime do apartheid e chegou a declarar, na década de 1980, sua preocupação com o fato de a então primeira-ministra britânica Margareth Thatcher hesitar em aplicar sanções ao país, que na época vivia sob um regime segregador. Só em 1995, com o fim do apartheid, a rainha Elizabeth retornou à Africa do Sul em uma visita de Estado de seis dias.
Canadá
Em abril de 1982, a rainha fez uma nova visita importante, dessa vez ao Canadá. Em Ottawa, a monarca proclamou a Nova Constituição Canadense, que rompeu com os últimos vínculos legais entre Canadá e Reino Unido
Austrália e Nova Zelândia
Elizabeth II foi coroada rainha em 1953 e poucos tempo depois, perto da virada do ano de 1954, partiu em uma viagem de seis meses pelos países da Commonwealth (organização composta por 55 países com laços históricos com o Reino Unido) com seu marido, o príncipe Philip. Nessa série de visitas, a rainha se tornou a primeira monarca britânica a visitar as ex-colônias Austrália e a Nova Zelândia. Estima-se que três quartos da população australiana tenha acompanhado a rainha no país.
Mudança de planos
De todas as viagens oficiais que a rainha fez, apenas uma teve que ser interrompida repentinamente. Em 1974, enquanto viajava com o príncipe Philip pela Austrália e pela Indonésia, Elizabeth II teve que retornar para Londres depois que eleições gerais foram convocadas sem aviso no país. O marido de Elizabeth, também conhecido como duque de Edimburgo, continuou a viagem e a rainha reencontrou a comitiva real na Indonésia.
A mais viajada dos monarcas britânicos
Desde que se tornou a soberana da Coroa britânica, em 1952, a rainha Elizabeth II virou a monarca que mais viajou oficialmente em toda a História da realeza. Foram mais de 325 visitas oficiais fora do Reino Unido em seus 63 anos de reinado, o segundo maior da monarquia nacional.
Viagens inéditas
Como a rainha britânica que mais viajou da História, Elizabeth II também foi a primeira monarca do Reino Unido a visitar muitos países. Em 1986, ela foi a primeira soberana da Coroa britânica a pisar em solo chinês. O mesmo aconteceu na Rússia, um antigo inimigo inglês, em 1994, poucos anos depois do fim da União Soviética. Entre 1998 e 1999, outros três países tiveram a honra de ser visitados pela Sua Alteza pela primeira vez: Brunei, Malásia e Coreia do Sul.
Brasil
Em novembro de 1968, a rainha Elizabeth II veio ao Brasil pela primeira vez, a monarca foi a primeira também a visitar a América do Sul. Em solo tupiniquim por 12 dias, Elizabeth II participou da inauguração da nova sede do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e foi ao Maracanã, no Rio, para ver o Pelé jogar. A rainha ainda visitou Recife. A viagem foi parte do programa inglês de integração econômica com países latino-americanos.
África do Sul, pós-Apartheid
Foi à África do Sul a primeira viagem oficial de Elizabeth II em 1947, quando ainda era princesa. A visita, no entanto, não se repetiu por anos. A rainha era uma das críticas do regime do apartheid e chegou a declarar, na década de 1980, sua preocupação com o fato de a então primeira-ministra britânica Margareth Thatcher hesitar em aplicar sanções ao país, que na época vivia sob um regime segregador. Só em 1995, com o fim do apartheid, a rainha Elizabeth retornou à Africa do Sul em uma visita de Estado de seis dias.
Canadá
Em abril de 1982, a rainha fez uma nova visita importante, dessa vez ao Canadá. Em Ottawa, a monarca proclamou a Nova Constituição Canadense, que rompeu com os últimos vínculos legais entre Canadá e Reino Unido
MONARQUIA DÁ SEMPRE SINAL DE CONTINUIDADE E ESTABILIDADE
A monarquia – constitucional, evidentemente, e não despótica – tem ainda qualidades redentoras? Os argumentos contra a manutenção de reis e rainhas são essencialmente racionais. Não é razoável, nestes tempos democráticos, atribuir uma atenção especial a certas pessoas exclusivamente na base da sua família de nascimento. Devemos realmente admirar e amar as monarquias modernas, como a Casa britânica de Windsor, e mais agora, simplesmente porque uma nova princesa foi extraída da classe média?
A monarquia tem um efeito infantilizador. Basta observar como adultos geralmente razoáveis são reduzidos a bajulações impressionantes quando lhes é concedido o privilégio de tocar uma mão real que se lhes estende. Nas grandes manifestações monárquicas, como o casamento real de Londres, milhões de pessoas tecem sonhos infantis de casamentos de “contos de fadas". O mistério envolvendo uma imensa riqueza, nascimento nobre e grande exclusividade é enormemente apoiado pelos meios de comunicação globais, que fazem a promoção desses rituais.
Pode-se sempre argumentar que a digna pompa da Rainha Isabel II é preferível à grandiloquência sórdida de um Silvio Berlusconi, de uma Madonna ou de um Cristiano Ronaldo. De facto, a monarquia – a britânica, em particular – vai-se reinventando através da adoção de algumas das características mais comuns da celebridade moderna, dos mundos do espetáculo e do desporto. E os mundos da realeza e das glórias populares sobrepõem-se muitas vezes.
Monarcas dão ao povo noção de continuidade
Da mesma forma, as estrelas de cinema são frequentemente vítimas de alcoolismo, drogas e depressão; mas pelo menos essas escolheram a vida que levam. O que não é o caso dos reis e rainhas. O príncipe Carlos de Inglaterra podia ter sido muito mais feliz como jardineiro, mas nunca teve sequer opção.
Um elemento a favor dos monarcas é que dão ao seu povo uma noção de continuidade, o que pode ser útil em tempos de crise ou de mudanças radicais. Graças ao Rei de Espanha, o pós-franquismo foi feito com estabilidade e sem ruturas bruscas. Durante a Segunda Guerra Mundial, os monarcas europeus mantiveram vivas as noções de esperança e de unidade dos seus súbditos sujeitos à ocupação nazi.
Mas há ainda outro aspeto. As monarquias são frequentemente populares junto das minorias. Os judeus contaram-se entre os súbditos mais leais ao Imperador Austro-Húngaro. Francisco José I defendeu-os, quando os alemães antissemitas os ameaçaram. Segundo ele, judeus, alemães, checos e húngaros eram todos seus súbditos, onde quer que vivessem, do modesto “shtetl” de província às grandes capitais, como Budapeste ou Viena. Isso ajudou a proporcionar alguma proteção às minorias, numa época em que o nacionalismo étnico estava a crescer.
Nesse sentido, a monarquia é um pouco como o Islão ou a Igreja Católica: todos os crentes são supostamente iguais perante Deus, o Papa ou o Imperador – daí a atração que exercem sobre os pobres e os marginalizados.
A monarquia tem um efeito infantilizador. Basta observar como adultos geralmente razoáveis são reduzidos a bajulações impressionantes quando lhes é concedido o privilégio de tocar uma mão real que se lhes estende. Nas grandes manifestações monárquicas, como o casamento real de Londres, milhões de pessoas tecem sonhos infantis de casamentos de “contos de fadas". O mistério envolvendo uma imensa riqueza, nascimento nobre e grande exclusividade é enormemente apoiado pelos meios de comunicação globais, que fazem a promoção desses rituais.
Pode-se sempre argumentar que a digna pompa da Rainha Isabel II é preferível à grandiloquência sórdida de um Silvio Berlusconi, de uma Madonna ou de um Cristiano Ronaldo. De facto, a monarquia – a britânica, em particular – vai-se reinventando através da adoção de algumas das características mais comuns da celebridade moderna, dos mundos do espetáculo e do desporto. E os mundos da realeza e das glórias populares sobrepõem-se muitas vezes.
Monarcas dão ao povo noção de continuidade
Da mesma forma, as estrelas de cinema são frequentemente vítimas de alcoolismo, drogas e depressão; mas pelo menos essas escolheram a vida que levam. O que não é o caso dos reis e rainhas. O príncipe Carlos de Inglaterra podia ter sido muito mais feliz como jardineiro, mas nunca teve sequer opção.
Um elemento a favor dos monarcas é que dão ao seu povo uma noção de continuidade, o que pode ser útil em tempos de crise ou de mudanças radicais. Graças ao Rei de Espanha, o pós-franquismo foi feito com estabilidade e sem ruturas bruscas. Durante a Segunda Guerra Mundial, os monarcas europeus mantiveram vivas as noções de esperança e de unidade dos seus súbditos sujeitos à ocupação nazi.
Mas há ainda outro aspeto. As monarquias são frequentemente populares junto das minorias. Os judeus contaram-se entre os súbditos mais leais ao Imperador Austro-Húngaro. Francisco José I defendeu-os, quando os alemães antissemitas os ameaçaram. Segundo ele, judeus, alemães, checos e húngaros eram todos seus súbditos, onde quer que vivessem, do modesto “shtetl” de província às grandes capitais, como Budapeste ou Viena. Isso ajudou a proporcionar alguma proteção às minorias, numa época em que o nacionalismo étnico estava a crescer.
Nesse sentido, a monarquia é um pouco como o Islão ou a Igreja Católica: todos os crentes são supostamente iguais perante Deus, o Papa ou o Imperador – daí a atração que exercem sobre os pobres e os marginalizados.
RAINHA BEATRIZ SOFRE ACUSAÇÃO DE SER ANTI HOLANDESA
E é também isso que permite explicar uma certa animosidade contra a monarquia por parte de alguns populistas de extrema-direita. O dirigente dos populistas holandeses, Geert Wilders, por exemplo, denunciou a Rainha Beatriz, em várias ocasiões, pelo seu “esquerdismo”, o seu elitismo e o seu multiculturalismo. À semelhança da nova onda de populistas por todo o mundo, Wilders promete entregar o país aos seus seguidores, acabar com a imigração (especialmente de muçulmanos) e devolver à Holanda o seu caráter puramente holandês, seja qual for o significado que isso tenha. Beatriz, como Francisco José, recusa-se a fazer uma distinção étnica e religiosa dos seus súbditos. É isso que pretende transmitir quando prega a tolerância e a compreensão mútua. Para Wilders e os seus apoiantes é um sinal de que ela protege os estrangeiros, que apoia os muçulmanos. Para eles, a Rainha é praticamente uma anti-holandesa.
Obviamente, como em todas as famílias reais europeias, as origens da família real holandesa são muito misturadas. O surgimento de reis e rainhas como figuras especificamente nacionais é um desenvolvimento histórico relativamente recente. Os impérios eram constituídos por muitas nações. A Rainha Victoria, essencialmente de sangue germânico, não se considerava apenas a Rainha dos Britânicos, mas também de malaios e de muitos outros povos.
Esta tradição democrática para se manter acima das tensões redutoras de um nacionalismo étnico podem ser o melhor argumento para manter os regimes monárquicos por mais algum tempo. Agora que muitos países europeus estão cada vez mais misturados em termos étnicos e culturais, resta aprender a viver em conjunto. Se os monarcas podem ensinar isso aos súbditos, só temos de agradecer aos reis e rainhas que subsistem
Obviamente, como em todas as famílias reais europeias, as origens da família real holandesa são muito misturadas. O surgimento de reis e rainhas como figuras especificamente nacionais é um desenvolvimento histórico relativamente recente. Os impérios eram constituídos por muitas nações. A Rainha Victoria, essencialmente de sangue germânico, não se considerava apenas a Rainha dos Britânicos, mas também de malaios e de muitos outros povos.
Esta tradição democrática para se manter acima das tensões redutoras de um nacionalismo étnico podem ser o melhor argumento para manter os regimes monárquicos por mais algum tempo. Agora que muitos países europeus estão cada vez mais misturados em termos étnicos e culturais, resta aprender a viver em conjunto. Se os monarcas podem ensinar isso aos súbditos, só temos de agradecer aos reis e rainhas que subsistem
domingo, 8 de maio de 2011
BEATIFICAÇÃO DE KAROL WOTILA
Centenas de pessoas continuaram a entrar esta noite e ao longo de toda a manhã na basílica de São Pedro, após várias horas de espera, para visitar a urna de João Paulo II, colocada diante do altar principal do edifício.
As autoridades italianas falam em cerca de um milhão de fiéis.
Depois da celebração da beatificação do Papa polaco, muitos dos peregrinos – as autoridades italianas falam em cerca de um milhão de fiéis – regressaram aos seus locais de origem, mas outros permaneceram ou rumaram ao Vaticano, depois de se terem visto impedidos de o fazer durante a manhã.
A urna do novo beato acabou por ser o centro das atenções nas últimas 12 horas, levando até à Basílica de São Pedro dezenas de milhares de pessoas, que aproveitam para tirar fotos e prestar brevemente a sua homenagem a João Paulo II, sempre em movimento – não é permitido parar em frente ao local.
Entretanto, nas ruas de Roma começa a limpar-se o lixo e a circulação está a ser reposta, após a partida da maioria dos participantes nas cerimónias de beatificação de hoje, presididas pelo papa Bento XVI. Apenas os espaços junto à Praça de São Pedro e a alguns ecrãs gigantes, que vão projectando cenas da vida de Karol Wojtyla, concentram os peregrinos que ainda se encontram na capital italiana.
A sepultura dos restos mortais de João Paulo II no andar principal da basílica vai ser feita de forma privada, no final da tarde de segunda-feira, na capela de São Sebastião, localizada na nave da basílica do Vaticano, junto da famosa Pietà de Miguel Ângelo.
Karol Wojtyla (1920-2005) foi beatificado pelo seu sucessor, um facto inédito na história da Igreja que respondeu a inúmeros gestos de “veneração por ele [João Paulo II]”, segundo o actual Papa.
As autoridades italianas falam em cerca de um milhão de fiéis.
Depois da celebração da beatificação do Papa polaco, muitos dos peregrinos – as autoridades italianas falam em cerca de um milhão de fiéis – regressaram aos seus locais de origem, mas outros permaneceram ou rumaram ao Vaticano, depois de se terem visto impedidos de o fazer durante a manhã.
A urna do novo beato acabou por ser o centro das atenções nas últimas 12 horas, levando até à Basílica de São Pedro dezenas de milhares de pessoas, que aproveitam para tirar fotos e prestar brevemente a sua homenagem a João Paulo II, sempre em movimento – não é permitido parar em frente ao local.
Entretanto, nas ruas de Roma começa a limpar-se o lixo e a circulação está a ser reposta, após a partida da maioria dos participantes nas cerimónias de beatificação de hoje, presididas pelo papa Bento XVI. Apenas os espaços junto à Praça de São Pedro e a alguns ecrãs gigantes, que vão projectando cenas da vida de Karol Wojtyla, concentram os peregrinos que ainda se encontram na capital italiana.
A sepultura dos restos mortais de João Paulo II no andar principal da basílica vai ser feita de forma privada, no final da tarde de segunda-feira, na capela de São Sebastião, localizada na nave da basílica do Vaticano, junto da famosa Pietà de Miguel Ângelo.
Karol Wojtyla (1920-2005) foi beatificado pelo seu sucessor, um facto inédito na história da Igreja que respondeu a inúmeros gestos de “veneração por ele [João Paulo II]”, segundo o actual Papa.
DALAI LAMA RECEBE PRÊMIO DA ANISTIA INTERNACIONAL
A Amnistia Internacional (AI) atribuiu hoje ao Dalai Lama o prémio "Shine a Light on Human Rights", no momento em que a organização de defesa dos direitos humanos comemora 50 anos.
Justificando a entrega do galardão, na sua primeira edição, o diretor-executivo da AI, Larry Cox, apresentou o líder espiritual do Tibete como "a quinta essência da personificação dos direitos humanos".
Segundo a agência Efe, Tenzin Gyatso, décima quarta reencarnação do dalai lama, recebeu o prémio das mãos de Larry Cox e de três ativistas da Amnistia antes de responder a várias perguntas do público que assistiu à cerimónia.
O líder espiritual tibetano, que tem sido um acérrimo crítico da falta de direitos humanos na China e no Tibete, foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz, em 1989, e com a Medalha de Ouro do Congresso dos Estados Unidos, em 2007.
A Amnistia Internacional, que investiga e denuncia abusos sobre direitos humanos, tem mais de três milhões de ativistas e voluntários em mais de 150 países.
Justificando a entrega do galardão, na sua primeira edição, o diretor-executivo da AI, Larry Cox, apresentou o líder espiritual do Tibete como "a quinta essência da personificação dos direitos humanos".
Segundo a agência Efe, Tenzin Gyatso, décima quarta reencarnação do dalai lama, recebeu o prémio das mãos de Larry Cox e de três ativistas da Amnistia antes de responder a várias perguntas do público que assistiu à cerimónia.
O líder espiritual tibetano, que tem sido um acérrimo crítico da falta de direitos humanos na China e no Tibete, foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz, em 1989, e com a Medalha de Ouro do Congresso dos Estados Unidos, em 2007.
A Amnistia Internacional, que investiga e denuncia abusos sobre direitos humanos, tem mais de três milhões de ativistas e voluntários em mais de 150 países.
NOVO PRIMEIRO MINISTRO DO TIBETE
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"A Comissão declara Lobsang Sangay como terceiro 'kalon tripa' [primeiro-ministro]", anunciou o chefe da comissão eleitoral, Jampal Chosang. O novo primeiro-ministro substituirá Samdhong Rinpoche, cujo mandato termina em Agosto.
A diáspora tibetana elegeu Sangay com 55 por cento dos votos – 27051 tibetanos em todo o mundo votaram neste candidato – numa afluência às urnas já elogiada pelo seu líder espiritual. “O Dalai Lama ficou muito feliz porque as pessoas tiveram um papel activo no processo eleitoral”, disse um responsável da administração central tibetana à Reuters.
Para trás ficaram Tenzing Namgyal, especialista em estudos tibetanos da Universidade de Stanford, com 37.4 por cento dos votos; e Tashi Wangdi, com um cargo no anterior Governo, com apenas 6.4 por cento.
Em Março, Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, de 76 anos, anunciou formalmente o seu desejo de se afastar da vida política – mantendo o cargo de líder espiritual - entendendo ter chegado a hora de delegar a sua “autoridade formal num líder eleito”. A maioria do Parlamento tibetano contestou a decisão na altura, mas acabou por se conformar com a vontade do chefe religioso que assegurou que iria continuar a lutar pelos direitos do povo tibetano.
De acordo com vários analistas, o objectivo de Tenzin Gyatso seria garantir que, mesmo que o Governo de Pequim tentasse escolher o próximo Dalai Lama, os tibetanos teriam um líder eleito fora do controlo do Partido Comunista chinês.
As autoridades chinesas entendem que o Dalai Lama (que acusam de envolvimento em actividades separatistas) se devia manter afastado da política, e já indicaram que pretendem controlar a escolha do próximo Dalai Lama.
Um cargo difícil
Lobsay Sangay era o mais jovem dos três candidatos ao cargo e o esperado vencedor. Nascido na Índia em 1968, estudou na Universidade de Harvard onde se especializou em Direito Internacional e onde é professor. Em jovem foi líder do Congresso da Juventude Tibetana, a organização não-governamental que exige a total independência do Tibete, apesar de nunca lá ter vivido já que o seu pai abandonou o país em 1959, no mesmo ano em que Dalai Lama se viu obrigado a fazê-lo.
O novo primeiro-ministro, que se encontrava nos EUA quando foi anunciado o resultado das eleições, deverá mudar-se para Dharamsala, a cidade no Norte da Índia onde está sediado o Governo tibetano no exílio.
O seu papel não será fácil. A Lobsay Sangay caberá a complicada tarefa de manter viva a questão tibetana na agenda internacional, numa altura em que a figura emblemática da luta pelos direitos tibetanos se afasta da ribalta.
Sangay foi eleito chefe de um Governo que não é reconhecido por nenhum país e enfrentará um opositor na China que não mostra quaisquer sinais de compromisso, lembra Mark Dummet, correspondente da BBC em Nova Deli.
Ainda assim, Sangay já fez saber que será capaz de ir além da política da “via do meio” defendida por Dalai Lama, que não exige a independência total mas apela a uma maior autonomia.
Pequim controla o Tibete desde a ocupação da região por forças comunistas, na década de 1950.
"A Comissão declara Lobsang Sangay como terceiro 'kalon tripa' [primeiro-ministro]", anunciou o chefe da comissão eleitoral, Jampal Chosang. O novo primeiro-ministro substituirá Samdhong Rinpoche, cujo mandato termina em Agosto.
A diáspora tibetana elegeu Sangay com 55 por cento dos votos – 27051 tibetanos em todo o mundo votaram neste candidato – numa afluência às urnas já elogiada pelo seu líder espiritual. “O Dalai Lama ficou muito feliz porque as pessoas tiveram um papel activo no processo eleitoral”, disse um responsável da administração central tibetana à Reuters.
Para trás ficaram Tenzing Namgyal, especialista em estudos tibetanos da Universidade de Stanford, com 37.4 por cento dos votos; e Tashi Wangdi, com um cargo no anterior Governo, com apenas 6.4 por cento.
Em Março, Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, de 76 anos, anunciou formalmente o seu desejo de se afastar da vida política – mantendo o cargo de líder espiritual - entendendo ter chegado a hora de delegar a sua “autoridade formal num líder eleito”. A maioria do Parlamento tibetano contestou a decisão na altura, mas acabou por se conformar com a vontade do chefe religioso que assegurou que iria continuar a lutar pelos direitos do povo tibetano.
De acordo com vários analistas, o objectivo de Tenzin Gyatso seria garantir que, mesmo que o Governo de Pequim tentasse escolher o próximo Dalai Lama, os tibetanos teriam um líder eleito fora do controlo do Partido Comunista chinês.
As autoridades chinesas entendem que o Dalai Lama (que acusam de envolvimento em actividades separatistas) se devia manter afastado da política, e já indicaram que pretendem controlar a escolha do próximo Dalai Lama.
Um cargo difícil
Lobsay Sangay era o mais jovem dos três candidatos ao cargo e o esperado vencedor. Nascido na Índia em 1968, estudou na Universidade de Harvard onde se especializou em Direito Internacional e onde é professor. Em jovem foi líder do Congresso da Juventude Tibetana, a organização não-governamental que exige a total independência do Tibete, apesar de nunca lá ter vivido já que o seu pai abandonou o país em 1959, no mesmo ano em que Dalai Lama se viu obrigado a fazê-lo.
O novo primeiro-ministro, que se encontrava nos EUA quando foi anunciado o resultado das eleições, deverá mudar-se para Dharamsala, a cidade no Norte da Índia onde está sediado o Governo tibetano no exílio.
O seu papel não será fácil. A Lobsay Sangay caberá a complicada tarefa de manter viva a questão tibetana na agenda internacional, numa altura em que a figura emblemática da luta pelos direitos tibetanos se afasta da ribalta.
Sangay foi eleito chefe de um Governo que não é reconhecido por nenhum país e enfrentará um opositor na China que não mostra quaisquer sinais de compromisso, lembra Mark Dummet, correspondente da BBC em Nova Deli.
Ainda assim, Sangay já fez saber que será capaz de ir além da política da “via do meio” defendida por Dalai Lama, que não exige a independência total mas apela a uma maior autonomia.
Pequim controla o Tibete desde a ocupação da região por forças comunistas, na década de 1950.
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