domingo, 8 de janeiro de 2012

A BELEZA DOS POEMAS WAKA SOBRE O TSUNAMI

Ao ver as imagens do tsunami do Grande Terremoto no Japão Leste
Inchaço e se espalhando
Corpo de água enegrecida
Com o coração pesado
Eu vê-lo fazendo o seu caminho
Do outro lado da planície Sendai.

Ao visitar as vítimas do terremoto no Japão Grande Oriente
Suportar a dor
Deste, seu grande infortúnio
Sobreviventes vivem em
Tocado e profundamente comovido sou eu
Pelas palavras das pessoas.

Ao visitar a cidade de Soma após o Grande Terremoto no Japão Leste
Como o tsunami jorrou em
Fora os barcos navegavam para o mar bravo
Tão feliz sou eu
Para vê-los amarrados aos seus posts
Os barcos que retornavam do mar.

Ao celebrar kiju, o aniversário de 77, juntamente
Mais de 50 anos
De pé por mim em apoio
Meu amado, também,
Chegou a 77,
A idade de comemoração.

Pensamento das pessoas em abrigos temporários
'Tis frio mais uma vez
Nas regiões atingidas
Meu coração vai para
A pessoas que enfrentam o inverno
Em alojamento temporário.

PORTUGUAL VAI TER UM CONSUL HONORÁRIO EM ANDORRA

O Governo vai criar, «a muito curto prazo», um consulado honorário em Andorra, para substituir a actual embaixada e consulado, que entretanto serão encerrados no âmbito da reestruturação diplomática, adiantou à Lusa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

«A ideia é criar um consulado honorário, que substituirá a actual estrutura em Andorra por um cônsul honorário e uma equipa de funcionários, também do Ministério dos Negócios Estrangeiros [MNE]», confirmou à Lusa Miguel Guedes, comentando uma notícia da RDP Internacional, citando o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, já reproduzida pela agência de notícias de Andorra.

O porta-voz do MNE destacou que a nova representação de Portugal em Andorra terá um «custo muitíssimo mais reduzido», que poderá «rondar um décimo» do actual ¿ número que coincide com o avançado por José Cesário nas declarações à RDP Internacional ¿, gerando «uma poupança enorme de encargos».

O novo consulado ¿ que entrará em funcionamento «a muito curto prazo» ¿ vai «fazer praticamente todo o tipo de assistência consular», precisou, sem adiantar pormenores sobre o número concreto de funcionários.

Esta foi ¿ salientou o porta-voz do MNE ¿ «a solução para, não abdicando totalmente do apoio que era necessário prestar àquela população, fazê-lo com um custo muito menor».

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, anunciou a 16 de Novembro o encerramento de sete embaixadas, entre as quais a de Andorra, e cinco postos consulares em França (Nantes, Clermont-Ferrand, Lille) e na Alemanha (Frankfurt e Osnabrück).

Inicialmente previa-se que os 13 mil portugueses residentes em Andorra passassem a receber assistência do consulado de Portugal em Barcelona (Espanha).

Esta possibilidade gerou protestos em Andorra. A 19 de Novembro, cerca de 600 portugueses e lusodescendentes manifestaram-se contra o encerramento da embaixada de Portugal no principado e foi até criada uma Plataforma contra o Encerramento da Embaixada.

Na altura, o protesto contou com a solidariedade de todos os candidatos às eleições locais em Andorra. Aliás, as mais altas figuras do principado fizeram eco das preocupações da comunidade portuguesa.

O ministro dos Negócios Estrangeiros andorrano, Gilbert Saboya, lamentou a decisão do Governo português de fechar a representação diplomática em Andorra, esperando que, pelo menos, fosse mantida uma «estrutura mínima consular». E o co-príncipe de Andorra e arcebispo de Urgel, Joan-Enric Vives, chegou a dizer que esperava que o Governo português soubesse «defender, proteger e representar» os compatriotas que vivem e trabalham no principado.

Segundo o MNE, a reforma consular vai permitir poupar 12 milhões de euros em 2012.

JAMAICA QUER SER UMA REPÚBLICA

A Jamaica lembra em agosto de 2012 o cinquentenário de sua independência do Reino Unido, e a primeira-ministra Portia Simpson Miller, empossada há apenas dois dias, quer comemorar de forma controversa: tirando a rainha Elizabeth II do posto de chefe de Estado da ilha caribenha.

- Eu amo a rainha, é uma linda senhora, mas acho que já é tempo - disse a primeira-ministra a 10 mil convidados na casa do governador-geral Patrick Allen, que representa Elizabeth II na Jamaica.

A iniciativa reflete um movimento republicano entre os países caribenhos da Commonwealth - Guiana e Trinidad e Tobago também optaram por 'destronar' a rainha -, mas conta com pouco apoio na Jamaica.

Os jamaicanos admitem que a rainha não é uma questão que chega a lhes tirar o sono e muitos sequer sabem que ela é de fato a chefe de Estado do país. Porém, a ideia de tirá-la do poder é apoiada por apenas 35%, segundo uma pesquisa feita em 2011 pelo jornal "Jamaica Gleaner", o principal da ilha.

Curiosamente, uma pesquisa de agosto passado do mesmo "Jamaica Gleaner" mostrou que, para 60% dos jamaicanos, o país estaria melhor se ainda fosse uma colônia britânica. Dos entrevistados, apenas 17% disseram que estariam pior sob domínio do Reino Unido.

Por trás da inicativa da premier, aparentemente simbólica, está uma questão mais complicada. A Jamaica tem um dos índices de assassinato mais altos do mundo, e as tentativas de implementar a pena de morte esbarram com frequência num comitê baseado em Londres que atua como a máxima corte do país. Simpson Miller quer, mais do que remover a rainha, retirar da Constituição essa peculiaridade judicial.

Na eleição de dezembro, o partido de Simpson Miller ganhou dois terços das cadeiras no Parlamento. Isso garante à premier apoio suficiente para levar adiante reformas constitucionais, mas ela depois terá que submetê-las a referendo popular.

Após saber da intenção da premier sobre a rainha, o Palácio de Buckingham disse que a questão concerne apenas ao povo e ao governo jamaicanos e preferiu não se posicionar. É esperada para 2012 uma visita à Jamaica do príncipe Harry, neto da rainha.

Portia Simpson Miller não é a primeira chefe de governo jamaicana a tentar tornar o país uma república. Seu antecessor, Orette Bruce Golding, e PJ Patterson, premier no início dos anos 1990, já haviam tornado público a ideia, mas não chegaram a tomar medidas concretas para colocá-la em prática.

ATIVISTA ACUSAM A COCACOLA DE DAR SUPORTE AO REI MSWATI III

Ativistas a favor da democracia na Suazilândia, governada com mão de ferro pelo Rei Mswati III desde 1986, defendem que os negócios da Coca-Cola no país poderão estar a sustentar o monarca.

A Coca-Cola está presente desde 1987 na Suazilândia, atualmente o país africano onde os negócios da companhia de refrigerantes atingem maior dimensão, nomeadamente através das produções da Conco (Coca-Cola Swaziland).

Segundo relatórios especializados referidos pelos media internacionais, a atividade da Coca-Cola na Suazilândia poderá representar cerca de 40% do PIB do país, onde uma grande maioria da população vive em condições de pobreza extrema.
Mswati III visita sede da Coca-Cola nos EUA

A visita do monarca Mswati III à sede da Coca-Cola em Atlanta, nos EUA, terá desencadeado as criticas dos ativistas na Suazilândia, que acusam a companhia de estar a apoiar o ditador através deste tipo de ações.

Mary Pais Da Silva, coordenadora da Swaziland Democracy Campaingn , refere que os lucros da Coca-Cola no país não ajudam os suazilandeses, contribuindo apenas para aumentar a riqueza do Rei.

"A Coca-Cola deve encontrar uma forma de dirigir os seus ganhos para o povo da Suazilândia. Deviam suportar os movimentos pró-democráticos", defende, por seu turno, Lucky Lukehele, porta-voz da Swaziland Solidarity Network .
Monarca absoluto

Segundo o jornal "The Guardian", a Coca-Cola afirma que, ao pagar impostos, não pode determinar de que forma este dinheiro será usado pelos Governos dos países onde faz negócios.

"O Rei Mswati III não recebe lucros nem dividendos da Conco" refere Sherree Shereni, da Fundação Coca-Cola África, acrescentando: "A população da Suazilândia beneficiou da presença da Coca-Cola no país através das suas contribuições na saúde, gestão da água, educação e empreendedorismo".

A Suazilândia é a última monarquia absoluta do continente africano. Mswati III não permite a participação política dos partidos e é acusado de usar métodos repressivos contra os seus opositores a favor da democracia.

BARENITAS LIGADOS A0S DIREITOS HUMANOS PEDE PARA FORMULA UM BOICOTAR O GRANDE PRÊMIO DO BAHREIN

Associações ligadas aos direitos humanos iniciaram uma campanha para que os pilotos e equipes da F1 boicotem o GP do Bahrein, marcado para o dia 22 de abril no circuito de Sakhir. O país vive uma crise política, deflagrada em meados de fevereiro do ano passado.

Os barenitas protestam contra a monarquia sunita, que governa o país há mais de 200 anos. Os ativistas pedem maior participação dos xiitas – que são maioria no Bahrein – no governo, além de mais empregos, moradia e a libertação de presos políticos.

O governo, no entanto, apoiado por soldados da Arábia Saudita, tem reprimido os protestos de forma violenta e é constantemente acusado de desrespeitar os direitos humanos.


Prova no Bahrein foi confirmada no calendário de 2012 da F1 no dia 22 de abril


A prova em Sakhir abriria a temporada do ano passado da F1, mas foi adiada para outubro e posteriormente cancelada por conta dos violentos protestos que atingiram a região.

No início de dezembro último, o Conselho Mundial da FIA se reuniu em Nova Délhi, na Índia, e decidiu manter a etapa barenita no calendário deste ano. Mas ativistas dos direitos humanos afirmam que o governo quer usar a F1 para dizer ao mundo que está tudo bem.

“Vamos fazer uma campanha para que os pilotos e times boicotem. O governo quer que a F1 diga ao mundo que tudo voltou ao normal”, afirmou Nabeel Rajab, vice-presidente da ‘Bahrain Center Human Rights’. “Se eles vierem, vão ajudar o governo a dizer isso. Nós gostaríamos que eles não se envolvessem. Tenho certeza que os pilotos e times respeitam os direitos humanos”, opinou.

Mariwan Hama-Saeed, do grupo nova-iorquino ‘Human Rights Watch’, disse à revista ‘Arabian Business’ que a FIA “deveria considerar o sério abuso dos direitos humanos no Bahrein e o fato de que até hoje as autoridades continuam a suprimir protestos pró-democracia.”

“Duvido que a F1 possa ser um sucesso em um país onde foram cometidos sérios abusos aos direitos humanos. A situação política do Bahrein é instável e polarizada. Estamos muito preocupados com o comprometimento do governo em implantar uma reforma significativa”, destacou Hama-Saeed.

AP
Manifestantes querem maior participação dos xiitas no governo, além de emprego e moradia


Em novembro, Bernie Ecclestone, o chefe da F1, afirmou que seguiria em frente com o plano de retornar ao país e descartou que o GP se tornasse o foco dos protestos na região.

“Está no calendário. Estaremos lá, a menos que algo terrível nos impeça”, disse o dirigente.

No ano passado, foi criada uma petição na internet direcionada a Red Bull para que a equipe boicotasse o GP. Além disso, Mark Webber foi o único a se manifestar publicamente contra a realização da prova. Na ocasião, o australiano disse: “[O cancelamento] mandaria uma mensagem muito clara em relação à posição da F1 sobre algo tão fundamental quanto os direitos humanos e como lidar com questões morais”, analisou.

“Querendo ou não, a F1 e os esportes em geral não estão acima da responsabilidade social e da consciência”, defendeu. “Como um competidor, não me sinto confortável para competir em um evento que, apesar das garantias do contrário, inevitavelmente vai causar mais tensão para as pessoas do país. Não entendo por que o meu esporte quer ser o catalisador disso.”

ANO DIFICIL PARA O MONARCA ESPANHOL

Os problemas começaram logo no início do ano, com duas faltas de respeito da Imprensa: primeiro foi a revista Jueves que publicou uma caricatura do monarca despido, depois uma rádio da Catalunha que meteu o rei a ridículo num programa de apanhados, pondo-o a conversar com um imitador, convencido de que estava a falar com o presidente da Generalitat, Artur Mas.

Seguiram-se os problemas de saúde. Juan Carlos foi operado a um joelho em Março, devido a fortes dores nas articulações, tendo sido depois obrigado a um longo período de recuperação que o impediu de estar presente no casamento do príncipe William de Inglaterra e na abertura do ano judicial espanhol – a primeira vez que esteve ausente em 28 anos.

Pouco depois da operação, o Palácio Real confirmou que o rei usava aparelhos auditivos em ambos os ouvidos “há algum tempo” devido a problemas de surdez. Mais tarde, em Setembro, voltou a ser operado, desta vez ao tendão de aquiles e, em Novembro, apareceu em público com um olho negro, devido a um acidente doméstico (chocou com uma porta).

Mas o golpe mais duro, que afectou bastante a imagem e o prestígio da Casa Real, foi a implicação do genro, Iñaki Urdangarin, no ‘caso Nóos’, em que é acusado de desviar milhões de euros de um instituto sem fins lucrativos a que presidiu em 2005 e 2006. O escândalo levou o monarca a afastar o genro de todos os actos oficiais e a divulgar publicamente, pela primeira vez, as contas da Família Real. Um desejo de transparência reiterado na sua mensagem de Natal, quando deixou claro que “todos são iguais perante a Lei”, o que lhe valeu aplausos de todos os sectores da sociedade.

BIBLIOGRAFIA FEITA POR JORNALISTA A RESPEITO DA VIDA DE JUAN CARLOS

De "jovem superficial, incapaz de ler um livro", Juan Carlos I de Bourbon chegou ao trono em 1975 e transformou-se no rei que conquistou prestígio internacional e devolveu a democracia à Espanha. Sua trajetória tem momentos dramáticos - como o vivido aos 18 anos, quando matou acidentalmente seu irmão caçula, Alfonso, com um tiro na testa. O menino era o filho predileto de D. Juan (o então rei exilado da Espanha), que ficou destroçado pela perda. Essa e outras histórias estão em mil páginas compiladas após uma investigação minuciosa, feita por dez anos, pela veterana jornalista Pilar Urbano. E a biografia "O preço do trono", que acaba de ser lançada na Espanha, apesar de tratar da vida de Juan Carlos somente até 1975, chega num momento turbulento para a família real: no auge de um escândalo de corrupção envolvendo o genro do monarca.

- Como Juan Carlos matou involuntariamente o irmão, isso virou uma espécie de dívida para com o pai. Tirou-lhe o trono e o filho favorito. É um drama que ele carrega. Sua mãe, dona Maria, caiu doente de depressão, e Juan Carlos transformou-se num navegante solitário - conta Pilar Urbano ao GLOBO. - A morte de Alfonsito foi um episódio negro.

Foi em Portugal, onde o rei Juan de Bourbon vivia exilado. O príncipe Juan Carlos - que vivia na Espanha desde os 10 anos - visitava a família nas férias e estava em seu quarto enquanto Alfonso, de 15 anos, entrava e saía simulando portar uma metralhadora. Aluno de uma academia militar, Juan Carlos mantinha seu revólver guardado na cabeceira. A brincadeira de mocinho e bandido interrompia os estudos dele. Alfonso provocara: "Você deve se render. É um homem morto." A resposta de Juan Carlos veio acompanhada da tragédia: "Você, sim, é um homem morto." E seguiu-se o disparo da arma, que o dono tirou da gaveta, pensando estar descarregada.

O ditador Francisco Franco se encarregou de enterrar o assunto. Sequer houve autópsia. O general também exigiu que o embaixador espanhol em Portugal emitisse um comunicado falso, alegando que Alfonsito morrera enquanto limpava uma arma. Um disparo acidental.

- Foi um homicídio involuntário, mas mesmo assim deram uma versão oficial falsa para não afetar o currículo de Juan Carlos - explica Pilar.

O jovem Juan Carlos teve de conviver não só com a morte do irmão - mas com a dúvida do pai sobre sua versão do crime. No velório, o rei, arrasado, ainda insistiu: "Jura que você não o matou de propósito?". Foi apenas uma das duras frases proferidas pelo pai que, anos mais tarde, fez questão de dizer a Juan Carlos: "Eu te enviei para você me representar e não para me desbancar." Para Juan Carlos, o pai (que renunciou ao trono em favor do filho e morreu em 1993) era "seu mais nobre e leal adversário".

Quem apostava todas as fichas em Juan Carlos era Franco. Sem sucessor, o ditador espanhol não queria ver um reinado de Juan de Bourbon - certo de que ele instauraria um regime democrático. A falta de proximidade e afeto entre pai e filho tornou-se atrativa para o general. Em 1969, Franco decidiu que o jovem Juan Carlos seria seu sucessor.

- Era como seu padrinho - diz Pilar. - Juan Carlos estava sendo formado como um estagiário de Franco, seu pupilo. Era mantido pelo franquismo com todos os gastos pagos.

Contato com os EUA via professor de caratê

O garoto era "imprudente, superficial, teimoso, incapaz de ser minimamente amável, interessado exclusivamente em divertir-se, incapaz de ler sequer os jornais" - na descrição nada elogiosa feita pelo conde de Fontanar numa carta a Juan de Bourbon após receber Juan Carlos em sua casa, em 1953. Mas um amigo português, citado na biografia, conta que o menino "sem conversa, sem conteúdo e que ria de tudo" estava mudando.

- Há um momento em que Juan diz a Franco, nascido na Galícia: "Meu general, do senhor aprendi seu galeguismo: escutar, olhar e calar" - revela a escritora. - Era uma relação de respeito, agradecimento, obediência militar e afeto. Juan Carlos não permitia que ninguém falasse mal de Franco.

Pilar observa que durante 27 anos Juan Carlos se submeteu ao franquismo mesmo sem ser partidário da ideia de um único partido fascista:

- Ele amadureceu entre inimigos. Dizia: "Tenho crocodilos prontos para pular na minha jugular." Aprendeu a não dizer aos franquistas o que faria. Era espiado e vigiado mas, encontrava-se clandestinamente com democratas, social-democratas, democratas-cristãos, bascos e catalães. Enviava mensagens a comunistas e socialistas de que reinaria na democracia.

Em outro grande drible de Juan Carlos, o príncipe conseguiu manter contatos com a Casa Branca - sua grande patrocinadora, segundo Pilar. Ele pediu que os Estados Unidos pusessem um emissário da CIA à sua disposição. Recebeu um coronel, professor de caratê que, fingindo ensinar artes marciais, servia para enviar e receber mensagens de Washington.

Em 1962, o rei encontrou, finalmente, algum afeto. O casamento transforia a rainha Sofía em seu porto seguro, apoiando-o. E defendendo-o.

- Estou convencida de que Juan Carlos se casou sem amor. Já perguntei diretamente ao rei, e ele nunca disse que amava Sofía. Ela sim, sempre amou Juan Carlos - arrisca Pilar.

Apesar da formação franquista, ele esteve na mira dos críticos nos três primeiros anos de reinado, antes da Constituição de 1978, quando alguns ainda o chamavam de "príncipe de Franco". Mas hoje, com 36 anos de trono, o monarca está, de certa forma, blindado. Segundo a biógrafa, com a democracia consolidada, há uma espécie de pacto de silêncio protegendo a família real. O que era respeito e gratidão por ter devolvido a democracia transformou-se em tabu abordar os assuntos privados da monarquia:

- Esse tabu foi quebrado em dois momentos: na Guerra do Golfo, em 1990, quando soube-se de romances do príncipe Felipe e do rei Juan Carlos. Houve ainda algumas críticas sobre o casamento de Felipe e Letizia e o divórcio da infanta Elena. Mas, a segunda vez ocorre agora, com o caso de corrupção envolvendo Iñaki Urdangarín, marido da infanta Cristina. É o escândalo mais duro de todos.

Pilar, no entanto, se arrisca e garante: Juan Carlos se manterá intacto.