Guilherme-Alexandre, o príncipe herdeiro da Holanda, disse ter sentido
"vergonha" ao participar num concurso de lançamento de sanitário a 30 de
abril, inserido nas comemorações da Festa da Rainha.
"Participei de sorriso nos
lábios, mas não deixei de sentir vergonha ao pensar nos 2,6 mil milhões
de pessoas que não têm acesso às infraestruturas básicas para fazer as
suas necessidades básicas", explicou o príncipe numa conferência em
Roterdão retransmitida pela televisão NOS.
Guilherme-Alexandre,
filho mais velho da Rainha Beatrix e herdeiro do trono, disse ainda que o
lançamento da sanita, sendo uma tradição holandesa, é "uma
brincadeira". O príncipe, de 45 anos, venceu o concurso tradicional em
Rhenen, lançando uma sanita cor-de-laranja, cor da monarquia holandesa.
Para
Jakob Buitenhuis, organizador do concurso, a reação do príncipe é
"infantil". "É muito estranho. Depois da sua vitória até lhe oferecemos
uma sanita em miniatura com um fio para puxar o autoclismo. Ficou muito
entusiasmado".
Depois de a rainha Sofia de Espanha ter anunciado que não estaria
presente no jubileu de diamante da rainha Isabel II, gera-se outra
polémica à volta de mais dois convidados, por motivos opostos. A
presença dos reis do Bahrein e da Suazilândia no almoço desta
sexta-feira valeu várias críticas à rainha de Inglaterra.
O activista dos direitos humanos Peter Tatchell criticou Isabel
II por ter convidado “reis tiranos” para as celebrações dos seus 60 anos
de rainha. Um “equívoco chocante”, assim descreve, citado pela BBC, a
decisão de incluir na lista de convidados o rei do Bahrein, Hamad
al-Khalifa, e o rei da Suazilândia, Mswati III, que, diz, revela que a
rainha não tem noção do que são os valores humanitários para a maioria
dos britânicos.
“Convidar déspotas manchados de sangue envergonha a nossa monarquia”,
acrescentou Tatchell, para quem isto “é um pontapé nos dentes dos
activistas pró-democracia e para os prisioneiros políticos destes
regimes totalitários”.
Buckingham recusou-se a fazer comentários sobre a lista de convidados
para o almoço, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico
frisou que tem vindo a discutir vários assuntos com o Governo do Bahrein
e justificou o convite com a “longa amizade e aliança” que Inglaterra
tem com o Bahrein, cita a BBC.
Mas o anterior ministro, Denis MacShane, já disse também que o
ministério deveria “proteger a rainha em vez de a expor a um jantar com
um déspota”. Também o grupo anti-monárquico Republic criticou o convite a
Hamad al-Khalifa.
Flora Dlamini, do programa Network Africa, criticou a presença de Mswati
III, que viajou com uma comitiva de 30 pessoas. “O dinheiro que está a
gastar para alimentar essas pessoas podia ir de volta para casa”, disse à
BBC.
No almoço desta sexta-feira estão presentes monarcas de 26 países, que à
noite o príncipe Carlos recebe num banquete, no Palácio de Buckingham.
Na quarta-feira soube-se que a rainha Sofia não estaria presente no
jubileu de Isabel II. Segundo o Governo espanhol, citado pelo El País,
a sua presença seria “pouco oportuna nas actuais circunstâncias”, tendo
em conta a disputa entre os dois países relacionada com Gibraltar.
O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel
García-Margallo, disse que o cancelamento da viagem da rainha a Londres
mostra a “extraordinária sensibilidade” da casa real “para com todos os
problemas que afectam a nação espanhola”. Segundo considerou o
governante, é uma “consequência de algumas dificuldades que são eternas
nas relações em torno do rochedo de Gibraltar, que passam por [momentos]
altos e baixos”.
Completando 60 anos no poder, a rainha Elizabeth II passou por
guerras e crises, precisou reinventar a monarquia e teve que lidar com
ansiedades da opinião pública - como em um dos seus piores anos, 1997,
com a morte da princesa Diana. Hoje, vista como trabalhadora e comedida
pelos seus súditos, a chefe de Estado do Reino Unido é considerada a
responsável por tentar criar a ideia da "monarquia que trabalha", avalia
a doutora Sarah Richardson, historiadora em política e constituição
britânicas da Universidade de Warwick, em Coventry, na região central da
Inglaterra.
Aos 86 anos e atuante em suas funções de chefe das
forças armadas e governadora suprema da Igreja Anglicana, entre outras,
Elizabeth II é a segunda monarca de maior reinado em 1 mil anos de
história britânica - por isso, a importância de seu jubileu de diamante,
comemorado em Londres entre os dias 2 e 5 de junho. À frente dela,
apenas a rainha Victoria, que ficou 64 anos no poder.
Sua longevidade o torna importante. Monarcas que ficam por
muito tempo tendem a estabelecer um tipo de afeição entre a população,
construir um sentido de lealdade na monarquia - vimos isso com a rainha
Victoria. Mas Elizabeth II também é importante por ter ascendido ao
trono logo após a Segunda Guerra Mundial, um período de grande mudança e
transição e com mais democracia, tolerância e liberalismo. Desta forma,
a monarquia teve que ser reinventada para uma era moderna. Ela parece
ter feito isso com bastante sucesso. Acredito que, em seu tempo, ela foi
importante. Aqueles que reinam por mais tempo frequentemente conseguem
estabelecer o papel da monarquia, reconstruí-lo ou reinventá-lo, e
construir uma relação com o público.
Houve algumas mudanças na democracia e pequenas reformas no sistema
eleitoral, na forma como o Parlamento funciona e na constituição.
Diminuíram os privilégios para pessoas por causa de seu nascimento, e a
monarquia, de certa forma, é exemplo disso - ela é a rainha porque
nasceu na família real, e não porque conquistou isso de outra forma. O
que Elizabeth II fez com sucesso foi caridade, filantropia, levando a
monarquia para dentro e para fora do país. Ela tentou criar essa ideia
de uma monarquia que trabalha.
Existe algo chamado prerrogativa real na relação entre a monarca e o
Parlamento. A Coroa tem poderes para apontar o primeiro-ministro, outros
ministros e demiti-los. Em teoria, ela pode demitir David Cameron (o
atual primeiro-ministro), mas, na realidade, se ela fizer isso... A
prerrogativa está lá, mas não é exercida. Em termos de seu papel
externo, Elizabeth II também é a chefe de Estado de países que fazem
parte do Commonwealth (15 países como Austrália, Canadá e Jamaica), o
que permite uma espécie de aliança "extra europeia". É uma relação
especial que vem mais via monarquia do que Parlamento ou
primeiro-ministro. Em alguns desses países, ela tem o poder de reverter
sentenças, pessoas podem apelar a ela, por exemplo. Na realidade, esses
poderes não são tão importantes, mas sim o fato de haver uma espécie de
relação quase familiar com esses países e, para a Grã-Bretanha,
representa outro tipo de identidade, fora da Europa.
Grã-Bretanha significa pouco para muitas pessoas, enquanto ser inglês,
escocês, galês ou irlandês realmente significa algo. Mas não significa
que a Escócia não queira fazer parte da Grã-Bretanha e da monarquia.
Acho que os nacionalistas escoceses têm sido cuidadosos em separar isso.
Eles estão procurando independência política, mas não territorial ou da
monarquia. A rainha é muito popular na Escócia, tem sua casa de verão
em Balmoral e antigas conexões com o local.
- Para mim, o início foi sua maior conquista. Ela chegou ao trono muito
jovem (25 anos), mas até seu pai se tornar rei, ela não era criada para
ser rainha (George VI assumiu após a abdicação de seu irmão, Eduardo
VIII). Elizabeth II enfrentou desafios enormes de uma era de
austeridade, com envolvimento na Segunda Guerra Mundial e depois na
Guerra Fria. Com tantos desafios, estabilizar rapidamente a monarquia
como uma instituição que se conecta com o público foi uma grande
conquista. O ponto mais baixo, suponho, teria sido com a princesa Diana,
quando a instituição da monarquia foi vista como culpável. Ela mesma
chamou de seus piores anos, e este foi o ponto em que a opinião pública
começou a se voltar não particularmente contra ela, mas contra o
establishment e a instituição. Houve muitas discussões sobre o que
aconteceria no futuro, nervosismo se ela poderia abdicar, o que poder
significava, se o público britânico queria o príncipe Charles no trono.
Mas eles conseguiram sair disso.
Há
uma visão separada de Elizabeth II e da monarquia. O povo britânico tem
um carinho muito grande por ela. É vista como trabalhadora, comedida, e
conseguiu separar esse papel: de não intervir na política, mas ser
chefe de Estado. Sobre a instituição da monarquia existem mais opiniões
contrárias, o que demonstra como a personalidade, o comportamento do
monarca pode transcender ansiedades sobre possíveis interferências
ilegais, esses poderes que a prerrogativa real confere. É muito fácil
estragar esse tipo de equilíbrio delicado, e, na Grã-Bretanha, isso
causa uma enorme ansiedade. Caso se tem a personalidade errada, com
potencial de interferir, corrupção, condescendência, essas coisas ruins
da política podem acontecer.
Quando se fala em rainha a primeira imagem que vem à cabeça é a da
monarca britânica Elizabeth 2ª. Chefe de Estado do Reino Unido e de
outros 15 países, ela já chegou a ser descrita por um de seus biógrafos
como a “rainha do mundo”. Comemorando seu Jubileu de Diamante, que marca seus 60 anos no trono,
deste sábado à terça-feira de 5 de junho, a monarca de 86 anos está num
dos períodos mais populares de seu reinado dentro e fora de casa.
A rainha que é também celebridade mundial não alcançou reconhecimento
internacional somente por causa da riqueza. Comparando a monarca
britânica com outros reis e rainhas, de acordo com levantamento da
revista Forbes de 2010, ela está em 12º lugar entre os mais
endinheirados do mundo.
O diferencial da realeza britânica e o que a faz conhecida
mundialmente é a pompa e a tradição que envolvem as cerimônias da
família real. Um exemplo disso foi o casamento do príncipe William e de Kate Middleton no ano passado, visto por 2 bilhões de espectadores.
“A nossa monarquia é excelente em fazer cerimônias que são bonitas de
ver. Os casamentos de Charles e Diana e agora o de William e Kate te
levam para um mundo de conto de fadas”, explica a historiadora da
Universidade de Oxford Susan Doran.
Outro ponto importante quando se pensa na popularidade da família
real britânica em relação a outras monarquias tem ligação com a
longevidade do regime no país, que tem mais de 1 mil anos.
“Na Europa os monarcas da França e da Rússia, por exemplo, caíram por
causa de suas revoluções. O kaiser da Alemanha foi deposto, e mesmo
monarquias de países como a Espanha tiveram interrupções. No Reino
Unido, também passamos por revoluções e guerras, mas desde o fim da
invasão romana sempre tivemos rainhas e reis”, diz o historiador da
Universidade Oxford Lawrence Goldman.
Altos e baixos de Elizabeth
Elizabeth 2ª é a 40ª rainha do Reino do Unido e, como quase todos os
monarcas que passaram pelo trono britânico, já teve altos e baixos
durante seu reinado. Uma das crises mais difíceis foi no final dos anos
80 e início dos anos 90, quando a irmã e os filhos começaram a se
divorciar e quando a história da separação e das traições de Diana e
Charles foi parar nos tabloides.
“Os avós e os pais de Elizabeth eram um modelo de família para a
população, e ela, no seu senso de dever público, também tentou manter
isso. Os problemas familiares com o príncipe Charles, que é o herdeiro
do trono, provocaram uma grande crise”, conta o pesquisador David
Carpenter, do King’s College de Londres.
Mas o pior ainda estava por vir. Em 1997, quando a princesa Diana
morreu num acidente de carro na França, Elizabeth 2ª foi pressionada
pela imprensa e pela população a se pronunciar publicamente, a
contragosto, sobre a morte da princesa.
“Quando Diana morreu, a família real estava extremamente impopular, e
os grupos republicanos ganharam força. Mas o impressionante é que nos
últimos dez anos eles conseguiram reconstruir sua imagem”, afirma
Lawrence.
“Acho que parte da superação dessa crise, a maior enfrentada por
Elizabeth, deveu-se ao trabalho da rainha, que sempre colocou o dever
público em primeiro lugar. E agora, depois do casamento de William e
Kate, a monarquia está numa situação muito segura”, considera David
Carpenter.
Por mais popularidade que tenha, a rainha Elizabeth 2ª não é
unanimidade mesmo no Reino Unido. O grupo Republic, por exemplo, faz
campanhas para o fim da monarquia no país. Para a historiadora Susan
Doran, a rainha não reflete a realidade do Reino Unido. “A monarquia
britância é extremamente rica, enquanto o país vem passando por extremas
dificuldades econômicas. Achoo que a popularidade deles hoje decorre da
publicidade ao redor dos príncipes. Mas, para o país, acredito que são
irrelevantes.” O trabalho da rainha
A rainha Elizabeth não tem poder de governo, e suas ações no
Parlamento são simbólicas. O discurso que faz anualmente na abertura dos
trabalhos do Parlamento é escrito pelo primeiro-ministro, e mesmo a
“aprovação” que concede a um novo premiê depois das eleições é apenas um
ritual, já que não tem direito de interferir no resultado.
“As ações que a rainha cumpre como chefe de Estado não são
relacionadas ao poder, são obrigações da monarca. É uma papel cultural
que ela desempenha”, explica Lawrence.
Apesar de não ter influência direta nas ações do
governo britânico, uma vez por semana ela se reúne com o
primeiro-ministro. São encontros de 30 minutos no final do dia às
quartas-feiras, quando os dois estão em Londres. Doze
primeiros-ministros, de Winston Churchill (1940-1945 e 1951-1955) a
Margareth Thatcher (1979-1990) e o atual, David Cameron (desde 2010), já
passaram pela rainha.
“Por ela já ter vivido tantas crises, guerras e outras situações
políticas, a rainha contribui com os primeiros-ministros por causa de
sua extensa experiência. Também acho que se ela mostra reservas em
relação a algum assunto, o primeiro-ministro pensa duas vezes antes de
tomar uma atitude. Ninguém sabe o que é dito nesses encontros porque
somente os dois ficam na sala”, explica o professor de direito da
Universidade de Birmingham Graham Gee.
Para Graham, um dos grandes trunfos da rainha Elizabeth é não se
pronunciar publicamente sobre a política do país. “Ninguém sabe qual é a
opinião dela. A rainha entende que é um símbolo e, não se pronunciando,
ela se preserva”, diz.
A parlamentar Kate Hoey, do Partido dos Trabalhadores, acredita que o
fato de a rainha não mostrar a sua opinião publicamente é muito
importante. “Para isso já temos a classe política. Elizabeth está acima
dessas discussões, e dessa forma é uma espécie de defensora da
democracia.”
Com a função de projetar a imagem do Reino Unido no exterior, a
rainha recebe anualmente centenas de chefes de Estado e embaixadores de
todo o mundo. Também faz viagens internacionais para promover o reino.
E, em casa, participa de mais de 430 eventos por ano quando visita
escolas, hospitais, fábricas, instituições de caridade e exposições de
arte. “O trabalho da rainha em grande parte é associado a atividades
sociais e culturais”, explica o historiador Lawrence.
Entre os afazeres do dia a dia da monarca, está a leitura dos
principais jornais britânicos e dos relatórios sobre as ações no
Parlamento. Elizabeth 2ª lê e responde, por meio de seus assessores,
parte das 340 cartas que recebe diariamente da população. Entre outros
atributos da rainha está a assinatura de documentos relacionados aos 15
países do Commonwealth, grupo formado por 54 nações independentes que,
com exceção de Moçambique e RUanda, fizeram parte do império britânico. Formação de rainha
Elizabeth 2ª começou a ser formada para assumir o trono aos 10 anos
de idade. Foi quando o pai dela, George 6º, o rei gago imortalizado no
cinema por Colin Firth em o “O Discurso do Rei”, subiu ao trono. “O tio
de Elizabeth, Edward 8º, abdicou porque queria se casar com uma
americana que já havia se divorcidado por duas vezes. Na época isso era
inaceitável”, conta Carpenter.
Na preparação para liderar a coroa britânica, Elizabeth e a irmã,
Margareth, tiveram aulas particulares de história da constituição e
direito com um professor da melhor e mais tradicional escola do Reino
Unido, a Eton
Após dez anos de sua última visita, realizada em 2002,
a rainha Elizabeth II voltará à Irlanda do Norte em junho como parte da
viagem que passará pelas quatro regiões do Reino Unido para celebrar
seu 60º aniversário de trono, o chamado Jubileu de Diamantes, informou o
Palácio de Buckingham nesta quinta-feira.
A visita da rainha à Irlanda do Norte será realizada entre os dias 26
e 27 de junho, passando por Belfast e pela localidade de Enniskillen,
palco de um dos atentados mais sangrentos do já inativo Exército
Republicano Irlandês (IRA). Durante sua estadia na província britânica, a
soberana estará acompanhada por seu marido, o duque de Edimburgo.
O IRA efetuou um dos atentados mais sangrentos do conflito
norte-irlandês justamente em Enniskillen, no condado de Fermanagh
(sudoeste do Ulster), onde a explosão de uma bomba resultou na morte de
11 pessoas em 1987.
A rainha já visitou essa região em 1977, em plena escalada do
conflito armado entre católicos e protestantes, para celebrar seu
Jubileu de prata. Em 2002, por conta de seu Jubileu de Ouro, Elizabeth
II retornou a Enniskillen novamente.
Se em ambas as ocasiões anteriores a soberana britânica foi recebida
com hostilidade e indiferença pela comunidade católica-nacionalista, a
visita deste ano poderá ser muito diferente, já que se espera que a
rainha possa ser recebida pelo Sinn Féin, antigo braço político do IRA.
O vice-ministro principal do Norte da Irlanda, o ex-comandante do IRA
Martin McGuinness, afirmou em abril que estaria disposto a se reunir
com Elizabeth II para reforçar o processo de reconciliação entre
católicos e protestantes na província britânica.
No entanto, o "número dois" do Sinn Féin se opôs à histórica visita
que a rainha fez a República da Irlanda no último ano, a primeira de um
monarca britânico desde a independência do país.
A formação republicana também nunca aceitou ocupar suas cadeiras no
Parlamento de Westminster, em Londres, para não emprestar um juramento
de lealdade à Coroa britânica.
O ministro principal norte-irlandês, o unionista Peter Robinson,
celebrou o fato do Palácio de Buckingham ter informado da visita com
bastante adiantamento, o que permitirá "mais presença de público".
Em anteriores ocasiões, Buckingham preferiu não dar muitos detalhes
sobre os preparativos de suas visitas para reforçar o dispositivo de
segurança diante do temor de ataques de grupos terroristas.
"É um sinal de progresso o fato de a visita ter sido informada e
permitir a presença do público", escreveu em sua conta de Twitter o
líder protestante.
A
rainha Elizabeth II, da Inglaterra, comemora oficialmente, no primeiro
fim de semana de junho, o 60º aniversário de sua entronização. Seguem as
datas-chave de sua vida:
21 de abril de 1926: Nasce, em Londres,
Elizabeth Alexandra Mary, primogênita do duque e da duquesa de York, que
se tornariam rei George VI e rainha consorte Elizabeth, mais conhecida
como rainha mãe. A família se amplia em 1930, com a chegada de
Margareth.
11 de dezembro de 1936: Elizabeth se torna herdeira com
a subida de seu pai ao trono, após a abdicação de seu tio Edward VIII
para se casar com a americana divorciada Wallis Simpson.
21 de
abril de 1947: Durante uma viagem à África do Sul com sua família,
Elizabeth se compromete a "dedicar a vida" a servir a seu povo.
20
de novembro de 1947: Elizabeth se casa com o príncipe e primo Philip,
em uma cerimônia simples na Abadia de Westminster. Charles, herdeiro do
trono, nasce em 1948, seguido de Anne, em 1950; Andrew, em 1960; e
Edward, em 1964.
1952: Elizabeth substitui seu pai, doente, em um
giro pela Comunidade Britânica, acompanhada por Philip. Em 6 de
fevereiro, no Quênia, ela recebe a notícia da morte do pai.
2 de
junho de 1953: Após o período de luto, é coroada e se torna rainha. A
cerimônia, na Abadia de Westminster, é transmitida ao vivo pela TV.
1977:
Comemora seu Jubileu de Prata. A banda Sex Pistols perturba os festejos
com a música "God Save the Queen", primeira afronta à monarquia,
classificada de regime fascista. A capa do disco mostra a rainha com uma
tarja preta tampando seus olhos e boca.
1981: Charles, príncipe
de Gales, casa-se com Diana Spencer em uma cerimônia grandiosa,
transmitida para milhões de pessoas. As brigas do casal, evidentes desde
o primeiro momento, representam um duro golpe para a monarquia.
25
de dezembro de 1992: Em seu tradicional discurso de Natal, a rainha
fala sobre o "annus horribilis", marcado pela separação de seus filhos
Charles e Andrew, o divórcio de sua filha Anne e um incêndio no Castelo
de Windsor em novembro.
Charles e Diana divorciam-se em 1996. O herdeiro do trono se casaria discretamente com a amante, Camilla Parker Bowles, em 2005.
31
de agosto de 1997: A princesa Diana morre num acidente de carro em
Paris. A reação fria da soberana, em contraste com a dor do povo, gera
críticas.
2002: Morrem sua irmã Margareth, em 9 de fevereiro, e, em 30 de março, a rainha mãe, aos 101 anos.
29
de abril de 2011: Seu neto William, segundo na linha de sucessão,
casa-se com Kate Middleton, em uma cerimônia transmitida para 2 bilhões
de telespectadores, que inaugura um novo capítulo na história da
monarquia britânica.
Maio de 2011: Elizabeth II faz uma visita
histórica de reconciliação à Irlanda, a primeira de um monarca britânico
desde a independência, em 1922. Em um discurso com palavras em
irlandês, ela expressa compaixão com as vítimas de uma história comum
turbulenta.
Outubro de 2011: Inaugura, na Austrália, a reunião de
cúpula da Comunidade Britânica, em que se decide uma mudança nas regras
de sucessão do trono, que elimina a prioridade dos homens e a
discriminação aos católicos.
Dezembro de 2011: O príncipe Philip, 90, passa por uma cirurgia de emergência para a desobstrução de uma artéria coronariana.
A rainha Elizabeth II apresentou nesta quarta-feira, com
grande pompa no Parlamento britânico, o programa do governo da
Grã-Bretanha para a próxima sessão parlamentar e uma proposta ousada de
reforma da Câmara dos Lordes. A monarca deseja que os membros da
prestigiada câmara sejam eleitos, e não mais vitalícios.
A polêmica reforma e as medidas apresentadas - como novas
ajudas sociais para as famílias - são os destaques entre as 19 leis e
projetos de lei enumerados pela soberana no chamado "Discurso do Trono",
uma cerimônia que se mantém praticamente inalterada há quase cinco
séculos. O programa poderá fortalecer indiretamente o primeiro-ministro
David Cameron, que tenta se recuperar do recente revés nas urnas contra
os dois partidos de sua coalizão, nas eleições municipais.
"O programa legislativo de meu governo se centrará no crescimento
econômico, na justiça e na reforma constitucional", declarou a soberana,
que utilizava a Coroa de Estado e a capa de arminho das ocasiões mais
importantes. Ela estava sentada em um trono na Câmara dos Lodres junto
ao seu marido, o príncipe Phillip.
"Mas a primeira prioridade de meus ministros será reduzir o déficit e
restabelecer a estabilidade econômica", acrescentou. O país, submetido a
um drástico plano de ajuste, se encontra novamente em recessão.
O programa confirma o que anunciaram Cameron e seu
vice-primeiro-ministro liberal-democrata, Nick Clegg, quando na
terça-feira renovaram seu compromisso com a coalizão que formaram há
dois anos. Após o revés eleitoral, o governo destacou uma série de
medidas para "melhorar as vidas das crianças e das famílias". O impacto
destas mudanças nas licenças-maternidade, nas ajudas às crianças
deficientes e no processo de adoção deve ser, no entanto, limitado.
Além disso, o governo confirmou através da rainha sua intenção de
obrigar os bancos a separar as atividades de varejo e de investimento
para limitar o impacto de outra crise financeira para o contribuinte.
Mais controversa deve ser a reforma do sistema de aposentadorias, que
elevará a idade de aposentadoria a 67 anos entre 2026 e 2028, disputada
pelos sindicatos, que podem anunciar novas ações de protesto.
Porém, a mais polêmica de todas as propostas é a reforma da Câmara
dos Lordes, uma das promessas eleitorais do governo, mas que divide o
partido Conservador. O programa é vago e não informa nenhuma data para a
eventual transformação desta câmara alta não eleita, formada por cerca
de 800 membros vitalícios e, em alguns casos, hereditários, em um órgão
mais representativo com menos assentos e eleitos majoritariamente por
voto universal.
Seus críticos, entre eles um grande número de trabalhistas, advertem
que uma reforma deste tipo romperia o equilíbrio reinante entre a Câmara
dos Comuns e a dos Lordes, enquanto os especialistas preveem uma longa
batalha que consumiria semanas de debates parlamentares.
No âmbito internacional, o governo britânico anunciou que buscará
aprovação no parlamento do novo Mecanismo de Estabilidade Financeira
(MSF) europeu, que deve entrar em vigor em julho, e promoverá acordos
estratégicos com as potências emergentes. Esta é a segunda vez que a
rainha comparece ao Parlamento para explicar o programa do governo de
Cameron desde 2010, e a 57ª que se curva a este solene ritual em seus 60
anos de reinado.