Milhares de pessoas convocadas pela oposição se manifestaram, nesta
sexta-feira (18), no Bahrein contra um projeto de união com a Arábia
Saudita.
Marchando por uma estrada que une vários povoados xiitas ao redor da
capital, Manama, os manifestantes gritaram palavras de ordem hostis ao
projeto de união.
"Não à união, Bahrein não se vende", "O país não está em leilão",
repetiram em coro os manifestantes, que responderam ao protesto
convocado pela oposição xiita sob o lema, "Dispostos a se sacrificar
pelo Bahrein".
Ao final da manifestação a oposição destacou "o direito do povo bareinita à autodeterminação".
"Toda decisão que afete a soberania do Bahrein (...), sem consultar o
povo atavés de referendo (...) representativo será nula", acrescentou a
oposição em um comunicado.
A oposição acusa as autoridades de tentarem, com este projeto de
união, se "esquivar" suas responsabilidades diante da "profunda crise
política e constitucional" que o país vive desde a repressão sangrenta,
no ano passado, de um movimento de protesto que pedia a instauração de
uma monarquia constitucional.
Na repressão do movimento, em março de 2011, participaram fontes
sauditas, que apoiaram a dinastia sunita no poder perante os protestos
animados pelos xiitas, majoritários neste pequeno país do Golfo.
As seis monarquias do Golfo decidiram nesta segunda-feira, ao fim de
uma cúpula em Riad, prosseguir o estudo de um projeto de união, que
poderia fundir em um primeiro momento a Arábia Saudita e o Bahrein. A
oposição xiita do Bahrein, apoiada pelo Irã, se opõe firmemente ao
projeto.
A legião de motoristas de “tuk-tuk”, o transporte mais popular do
Cambodja, percorre diariamente as ruas de Phnom Penh para ser os olhos e
os ouvidos das organizações que tentam acabar com pedofilia no país. Numa
iniciativa desenvolvida pela organização Friends International, sob o
programa intitulado ChildSafe Network, quase 500 pessoas que conduzem
aqueles triciclos, a que se designou chamar “tuk-tuk” e que são os
moto-táxis, vigiam turistas e locais suspeitos de abrigarem alguém na
companhia de um menor. As informações que dão são cruciais para as autoridades poderem aprofundar investigações e deter supostos pedófilos. “Os
‘tuk-tuk’ estão em todos os lados, vêem muitas coisas e não são vistos
com desconfiança, são os informadores perfeitos”, disse, à agência, Efe
Rithy Nhem, coordenador da rede. ”Também trabalhamos com empregados
de hotéis e de hospedarias que nos avisam se virem algum cliente entrar
com um menor que não esteja registado como filho”, afirmou este
activista cambojano empenhado na luta contra a pedofilia. Da rede, que
cresce com a passagem do tempo, também fazem parte donos de restaurantes
e trabalhadores de agências de viagem. A maioria dos “espiões” está
distribuída por uma zona turística popular nas margens do rio, onde
proliferam bares e restaurantes e pela qual passam crianças dos dois
sexos que oferecem postais e outras lembranças do Camboja. O seu
uniforme, camisa azul com o logotipo da rede – uma grande mão branca com
o polegar levantado –, já é conhecido nas ruas de Phnom Penh, embora
também haja voluntários que prefiram passar despercebidos. Bun Thoun é
um desses “espiões” que todas as noites percorrem parte da capital
cambojana a transportar turistas sem perder qualquer pormenor. “Tenho
que ligar uma ou duas vezes por mês para a ONG e, às vezes,
directamente para a Polícia, se verificar que o caso é sério”, declarou. Mas, os estrangeiros não são o seu principal objectivo. São os cambojanos, para muitos dos quais a virgindade é uma mercadoria. “Alguns cambojanos preferem menores por terem a certeza que são virgens", disse o motorista. A
identificação dos estrangeiros que abusam de menores é mais simples,
difícil é a dos nacionais, que podem ser familiares ou conhecidos das
crianças. “Há formas de reconhecê-los. Pela roupa, por exemplo. Mas é difícil vê-los porque sabem bem como se esconder”, frisou. Já
Borin sai com seu “tuk-tuk” bem cedo, quando a concentração de turistas
é maior em museus e palácios e muitos bares ainda não abriram as
portas. “Nunca vi nada, talvez porque trabalho durante o dia”,
referiu Borin, para quem o principal papel é consciencializar os
visitantes. “Muitas vezes tento explicar aos turistas que, se virem
alguma coisa, também têm de denunciar, mas eles não ouvem, querem é
divertir-se”, afirmou
A China advertiu aos Estados Unidos
que não é o momento de "perturbar" o mar da China meridional, zona de
várias disputas territoriais, em um comentário da agência oficial Nova
China sobre a decisão americana de remobilizar sua frota marítima no
Oceano Pacífico.
"É recomendado a alguns que não venham
perturbar estas águas", indicou a agência oficial chinesa em relação a
este espaço marítimo reivindicado pela China e, em parte, por Vietnã,
Filipinas, Taiwan, Brunei e Malásia.
"Em relação à tensão no Mar da China
meridional, alguns pretendentes, animados ou não pela nova postura dos
Estados Unidos, acenderam o fogo e avivam as chamas", afirmou a Nova
China, que ressalta o "verdadeiro desejo" de Pequim de convertê-lo em um
"Mar de Paz".
"O conceito muito supervalorizado de
'ameaça chinesa' à liberdade de navegação no Mar da China meridional é
uma pura invenção", acrescentou a agência em um comunicado.
O secretário de Defesa dos Estados
Unidos, Leon Panetta, disse neste sábado em Cingapura que os Estados
Unidos irão mobilizar a maior parte de sua força naval em direção ao
oceano Pacífico até 2020, dentro da nova estratégia militar centrada na
Ásia.
Seu discurso parecia destinado a
tranquilizar seus sócios regionais diante do papel cada vez mais
assertivo de Pequim no mar da China Meridional, rico em petróleo, onde
mantém conflitos territoriais com vários países vizinhos.
EUA
Já o secretário americano de Defesa,
Leon Panetta, disse em Cingapura que Estados Unidos e China "não têm
outra opção a não ser fortalecer sua relação militar para lidar com suas
divergências.
Um diálogo sólido sobre segurança
entre as duas potências é fundamental para a prosperidade da região
Ásia-Pacífico, disse Panetta diante de autoridades de defesa no Diálogo
de Segurança Shangri-La, uma cúpula organizada todos os anos em
Cingapura.
"Ambos compreendemos as divergências
que temos, e os conflitos, mas também compreendemos que na verdade não
nos resta outra alternativa a não ser nos envolvermos em nossa
comunicação e melhorá-la, assim como nossa relação militar", declarou.
Panetta disse ainda que os EUA
remobilizarão a maior parte de sua força naval em direção ao oceano
Pacífico até 2020, dentro de uma nova estratégia militar centrada na
Ásia.
Seu discurso parecia destinado a
tranquilizar seus sócios regionais diante do papel cada vez mais
assertivo de Pequim no mar da China Meridional, rico em petróleo, onde
mantém conflitos territoriais com vários países vizinhos. No entanto,
Panetta deixou claro que Washington se opõe a qualquer tentativa
unilateral de Pequim em favor de seus direitos no mar da China
Meridional.
Guilherme-Alexandre, o príncipe herdeiro da Holanda, disse ter sentido
"vergonha" ao participar num concurso de lançamento de sanitário a 30 de
abril, inserido nas comemorações da Festa da Rainha.
"Participei de sorriso nos
lábios, mas não deixei de sentir vergonha ao pensar nos 2,6 mil milhões
de pessoas que não têm acesso às infraestruturas básicas para fazer as
suas necessidades básicas", explicou o príncipe numa conferência em
Roterdão retransmitida pela televisão NOS.
Guilherme-Alexandre,
filho mais velho da Rainha Beatrix e herdeiro do trono, disse ainda que o
lançamento da sanita, sendo uma tradição holandesa, é "uma
brincadeira". O príncipe, de 45 anos, venceu o concurso tradicional em
Rhenen, lançando uma sanita cor-de-laranja, cor da monarquia holandesa.
Para
Jakob Buitenhuis, organizador do concurso, a reação do príncipe é
"infantil". "É muito estranho. Depois da sua vitória até lhe oferecemos
uma sanita em miniatura com um fio para puxar o autoclismo. Ficou muito
entusiasmado".
Depois de a rainha Sofia de Espanha ter anunciado que não estaria
presente no jubileu de diamante da rainha Isabel II, gera-se outra
polémica à volta de mais dois convidados, por motivos opostos. A
presença dos reis do Bahrein e da Suazilândia no almoço desta
sexta-feira valeu várias críticas à rainha de Inglaterra.
O activista dos direitos humanos Peter Tatchell criticou Isabel
II por ter convidado “reis tiranos” para as celebrações dos seus 60 anos
de rainha. Um “equívoco chocante”, assim descreve, citado pela BBC, a
decisão de incluir na lista de convidados o rei do Bahrein, Hamad
al-Khalifa, e o rei da Suazilândia, Mswati III, que, diz, revela que a
rainha não tem noção do que são os valores humanitários para a maioria
dos britânicos.
“Convidar déspotas manchados de sangue envergonha a nossa monarquia”,
acrescentou Tatchell, para quem isto “é um pontapé nos dentes dos
activistas pró-democracia e para os prisioneiros políticos destes
regimes totalitários”.
Buckingham recusou-se a fazer comentários sobre a lista de convidados
para o almoço, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico
frisou que tem vindo a discutir vários assuntos com o Governo do Bahrein
e justificou o convite com a “longa amizade e aliança” que Inglaterra
tem com o Bahrein, cita a BBC.
Mas o anterior ministro, Denis MacShane, já disse também que o
ministério deveria “proteger a rainha em vez de a expor a um jantar com
um déspota”. Também o grupo anti-monárquico Republic criticou o convite a
Hamad al-Khalifa.
Flora Dlamini, do programa Network Africa, criticou a presença de Mswati
III, que viajou com uma comitiva de 30 pessoas. “O dinheiro que está a
gastar para alimentar essas pessoas podia ir de volta para casa”, disse à
BBC.
No almoço desta sexta-feira estão presentes monarcas de 26 países, que à
noite o príncipe Carlos recebe num banquete, no Palácio de Buckingham.
Na quarta-feira soube-se que a rainha Sofia não estaria presente no
jubileu de Isabel II. Segundo o Governo espanhol, citado pelo El País,
a sua presença seria “pouco oportuna nas actuais circunstâncias”, tendo
em conta a disputa entre os dois países relacionada com Gibraltar.
O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel
García-Margallo, disse que o cancelamento da viagem da rainha a Londres
mostra a “extraordinária sensibilidade” da casa real “para com todos os
problemas que afectam a nação espanhola”. Segundo considerou o
governante, é uma “consequência de algumas dificuldades que são eternas
nas relações em torno do rochedo de Gibraltar, que passam por [momentos]
altos e baixos”.
Completando 60 anos no poder, a rainha Elizabeth II passou por
guerras e crises, precisou reinventar a monarquia e teve que lidar com
ansiedades da opinião pública - como em um dos seus piores anos, 1997,
com a morte da princesa Diana. Hoje, vista como trabalhadora e comedida
pelos seus súditos, a chefe de Estado do Reino Unido é considerada a
responsável por tentar criar a ideia da "monarquia que trabalha", avalia
a doutora Sarah Richardson, historiadora em política e constituição
britânicas da Universidade de Warwick, em Coventry, na região central da
Inglaterra.
Aos 86 anos e atuante em suas funções de chefe das
forças armadas e governadora suprema da Igreja Anglicana, entre outras,
Elizabeth II é a segunda monarca de maior reinado em 1 mil anos de
história britânica - por isso, a importância de seu jubileu de diamante,
comemorado em Londres entre os dias 2 e 5 de junho. À frente dela,
apenas a rainha Victoria, que ficou 64 anos no poder.
Sua longevidade o torna importante. Monarcas que ficam por
muito tempo tendem a estabelecer um tipo de afeição entre a população,
construir um sentido de lealdade na monarquia - vimos isso com a rainha
Victoria. Mas Elizabeth II também é importante por ter ascendido ao
trono logo após a Segunda Guerra Mundial, um período de grande mudança e
transição e com mais democracia, tolerância e liberalismo. Desta forma,
a monarquia teve que ser reinventada para uma era moderna. Ela parece
ter feito isso com bastante sucesso. Acredito que, em seu tempo, ela foi
importante. Aqueles que reinam por mais tempo frequentemente conseguem
estabelecer o papel da monarquia, reconstruí-lo ou reinventá-lo, e
construir uma relação com o público.
Houve algumas mudanças na democracia e pequenas reformas no sistema
eleitoral, na forma como o Parlamento funciona e na constituição.
Diminuíram os privilégios para pessoas por causa de seu nascimento, e a
monarquia, de certa forma, é exemplo disso - ela é a rainha porque
nasceu na família real, e não porque conquistou isso de outra forma. O
que Elizabeth II fez com sucesso foi caridade, filantropia, levando a
monarquia para dentro e para fora do país. Ela tentou criar essa ideia
de uma monarquia que trabalha.
Existe algo chamado prerrogativa real na relação entre a monarca e o
Parlamento. A Coroa tem poderes para apontar o primeiro-ministro, outros
ministros e demiti-los. Em teoria, ela pode demitir David Cameron (o
atual primeiro-ministro), mas, na realidade, se ela fizer isso... A
prerrogativa está lá, mas não é exercida. Em termos de seu papel
externo, Elizabeth II também é a chefe de Estado de países que fazem
parte do Commonwealth (15 países como Austrália, Canadá e Jamaica), o
que permite uma espécie de aliança "extra europeia". É uma relação
especial que vem mais via monarquia do que Parlamento ou
primeiro-ministro. Em alguns desses países, ela tem o poder de reverter
sentenças, pessoas podem apelar a ela, por exemplo. Na realidade, esses
poderes não são tão importantes, mas sim o fato de haver uma espécie de
relação quase familiar com esses países e, para a Grã-Bretanha,
representa outro tipo de identidade, fora da Europa.
Grã-Bretanha significa pouco para muitas pessoas, enquanto ser inglês,
escocês, galês ou irlandês realmente significa algo. Mas não significa
que a Escócia não queira fazer parte da Grã-Bretanha e da monarquia.
Acho que os nacionalistas escoceses têm sido cuidadosos em separar isso.
Eles estão procurando independência política, mas não territorial ou da
monarquia. A rainha é muito popular na Escócia, tem sua casa de verão
em Balmoral e antigas conexões com o local.
- Para mim, o início foi sua maior conquista. Ela chegou ao trono muito
jovem (25 anos), mas até seu pai se tornar rei, ela não era criada para
ser rainha (George VI assumiu após a abdicação de seu irmão, Eduardo
VIII). Elizabeth II enfrentou desafios enormes de uma era de
austeridade, com envolvimento na Segunda Guerra Mundial e depois na
Guerra Fria. Com tantos desafios, estabilizar rapidamente a monarquia
como uma instituição que se conecta com o público foi uma grande
conquista. O ponto mais baixo, suponho, teria sido com a princesa Diana,
quando a instituição da monarquia foi vista como culpável. Ela mesma
chamou de seus piores anos, e este foi o ponto em que a opinião pública
começou a se voltar não particularmente contra ela, mas contra o
establishment e a instituição. Houve muitas discussões sobre o que
aconteceria no futuro, nervosismo se ela poderia abdicar, o que poder
significava, se o público britânico queria o príncipe Charles no trono.
Mas eles conseguiram sair disso.
Há
uma visão separada de Elizabeth II e da monarquia. O povo britânico tem
um carinho muito grande por ela. É vista como trabalhadora, comedida, e
conseguiu separar esse papel: de não intervir na política, mas ser
chefe de Estado. Sobre a instituição da monarquia existem mais opiniões
contrárias, o que demonstra como a personalidade, o comportamento do
monarca pode transcender ansiedades sobre possíveis interferências
ilegais, esses poderes que a prerrogativa real confere. É muito fácil
estragar esse tipo de equilíbrio delicado, e, na Grã-Bretanha, isso
causa uma enorme ansiedade. Caso se tem a personalidade errada, com
potencial de interferir, corrupção, condescendência, essas coisas ruins
da política podem acontecer.
Quando se fala em rainha a primeira imagem que vem à cabeça é a da
monarca britânica Elizabeth 2ª. Chefe de Estado do Reino Unido e de
outros 15 países, ela já chegou a ser descrita por um de seus biógrafos
como a “rainha do mundo”. Comemorando seu Jubileu de Diamante, que marca seus 60 anos no trono,
deste sábado à terça-feira de 5 de junho, a monarca de 86 anos está num
dos períodos mais populares de seu reinado dentro e fora de casa.
A rainha que é também celebridade mundial não alcançou reconhecimento
internacional somente por causa da riqueza. Comparando a monarca
britânica com outros reis e rainhas, de acordo com levantamento da
revista Forbes de 2010, ela está em 12º lugar entre os mais
endinheirados do mundo.
O diferencial da realeza britânica e o que a faz conhecida
mundialmente é a pompa e a tradição que envolvem as cerimônias da
família real. Um exemplo disso foi o casamento do príncipe William e de Kate Middleton no ano passado, visto por 2 bilhões de espectadores.
“A nossa monarquia é excelente em fazer cerimônias que são bonitas de
ver. Os casamentos de Charles e Diana e agora o de William e Kate te
levam para um mundo de conto de fadas”, explica a historiadora da
Universidade de Oxford Susan Doran.
Outro ponto importante quando se pensa na popularidade da família
real britânica em relação a outras monarquias tem ligação com a
longevidade do regime no país, que tem mais de 1 mil anos.
“Na Europa os monarcas da França e da Rússia, por exemplo, caíram por
causa de suas revoluções. O kaiser da Alemanha foi deposto, e mesmo
monarquias de países como a Espanha tiveram interrupções. No Reino
Unido, também passamos por revoluções e guerras, mas desde o fim da
invasão romana sempre tivemos rainhas e reis”, diz o historiador da
Universidade Oxford Lawrence Goldman.
Altos e baixos de Elizabeth
Elizabeth 2ª é a 40ª rainha do Reino do Unido e, como quase todos os
monarcas que passaram pelo trono britânico, já teve altos e baixos
durante seu reinado. Uma das crises mais difíceis foi no final dos anos
80 e início dos anos 90, quando a irmã e os filhos começaram a se
divorciar e quando a história da separação e das traições de Diana e
Charles foi parar nos tabloides.
“Os avós e os pais de Elizabeth eram um modelo de família para a
população, e ela, no seu senso de dever público, também tentou manter
isso. Os problemas familiares com o príncipe Charles, que é o herdeiro
do trono, provocaram uma grande crise”, conta o pesquisador David
Carpenter, do King’s College de Londres.
Mas o pior ainda estava por vir. Em 1997, quando a princesa Diana
morreu num acidente de carro na França, Elizabeth 2ª foi pressionada
pela imprensa e pela população a se pronunciar publicamente, a
contragosto, sobre a morte da princesa.
“Quando Diana morreu, a família real estava extremamente impopular, e
os grupos republicanos ganharam força. Mas o impressionante é que nos
últimos dez anos eles conseguiram reconstruir sua imagem”, afirma
Lawrence.
“Acho que parte da superação dessa crise, a maior enfrentada por
Elizabeth, deveu-se ao trabalho da rainha, que sempre colocou o dever
público em primeiro lugar. E agora, depois do casamento de William e
Kate, a monarquia está numa situação muito segura”, considera David
Carpenter.
Por mais popularidade que tenha, a rainha Elizabeth 2ª não é
unanimidade mesmo no Reino Unido. O grupo Republic, por exemplo, faz
campanhas para o fim da monarquia no país. Para a historiadora Susan
Doran, a rainha não reflete a realidade do Reino Unido. “A monarquia
britância é extremamente rica, enquanto o país vem passando por extremas
dificuldades econômicas. Achoo que a popularidade deles hoje decorre da
publicidade ao redor dos príncipes. Mas, para o país, acredito que são
irrelevantes.” O trabalho da rainha
A rainha Elizabeth não tem poder de governo, e suas ações no
Parlamento são simbólicas. O discurso que faz anualmente na abertura dos
trabalhos do Parlamento é escrito pelo primeiro-ministro, e mesmo a
“aprovação” que concede a um novo premiê depois das eleições é apenas um
ritual, já que não tem direito de interferir no resultado.
“As ações que a rainha cumpre como chefe de Estado não são
relacionadas ao poder, são obrigações da monarca. É uma papel cultural
que ela desempenha”, explica Lawrence.
Apesar de não ter influência direta nas ações do
governo britânico, uma vez por semana ela se reúne com o
primeiro-ministro. São encontros de 30 minutos no final do dia às
quartas-feiras, quando os dois estão em Londres. Doze
primeiros-ministros, de Winston Churchill (1940-1945 e 1951-1955) a
Margareth Thatcher (1979-1990) e o atual, David Cameron (desde 2010), já
passaram pela rainha.
“Por ela já ter vivido tantas crises, guerras e outras situações
políticas, a rainha contribui com os primeiros-ministros por causa de
sua extensa experiência. Também acho que se ela mostra reservas em
relação a algum assunto, o primeiro-ministro pensa duas vezes antes de
tomar uma atitude. Ninguém sabe o que é dito nesses encontros porque
somente os dois ficam na sala”, explica o professor de direito da
Universidade de Birmingham Graham Gee.
Para Graham, um dos grandes trunfos da rainha Elizabeth é não se
pronunciar publicamente sobre a política do país. “Ninguém sabe qual é a
opinião dela. A rainha entende que é um símbolo e, não se pronunciando,
ela se preserva”, diz.
A parlamentar Kate Hoey, do Partido dos Trabalhadores, acredita que o
fato de a rainha não mostrar a sua opinião publicamente é muito
importante. “Para isso já temos a classe política. Elizabeth está acima
dessas discussões, e dessa forma é uma espécie de defensora da
democracia.”
Com a função de projetar a imagem do Reino Unido no exterior, a
rainha recebe anualmente centenas de chefes de Estado e embaixadores de
todo o mundo. Também faz viagens internacionais para promover o reino.
E, em casa, participa de mais de 430 eventos por ano quando visita
escolas, hospitais, fábricas, instituições de caridade e exposições de
arte. “O trabalho da rainha em grande parte é associado a atividades
sociais e culturais”, explica o historiador Lawrence.
Entre os afazeres do dia a dia da monarca, está a leitura dos
principais jornais britânicos e dos relatórios sobre as ações no
Parlamento. Elizabeth 2ª lê e responde, por meio de seus assessores,
parte das 340 cartas que recebe diariamente da população. Entre outros
atributos da rainha está a assinatura de documentos relacionados aos 15
países do Commonwealth, grupo formado por 54 nações independentes que,
com exceção de Moçambique e RUanda, fizeram parte do império britânico. Formação de rainha
Elizabeth 2ª começou a ser formada para assumir o trono aos 10 anos
de idade. Foi quando o pai dela, George 6º, o rei gago imortalizado no
cinema por Colin Firth em o “O Discurso do Rei”, subiu ao trono. “O tio
de Elizabeth, Edward 8º, abdicou porque queria se casar com uma
americana que já havia se divorcidado por duas vezes. Na época isso era
inaceitável”, conta Carpenter.
Na preparação para liderar a coroa britânica, Elizabeth e a irmã,
Margareth, tiveram aulas particulares de história da constituição e
direito com um professor da melhor e mais tradicional escola do Reino
Unido, a Eton