sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Rei do Camboja morre aos 89 anos em Pequim


Rei do Camboja morre aos 89 anos em Pequim



O rei do Camboja, Norodom Sihanouk, morreu aos 89 anos em Pequim. Sihanouk atravessou uma vida atribulada e polêmica, governando o Camboja como monarca nominal entre 1941 e 1955, durante o fim do período colonial francês, e mais tarde entre 1993 e 2004, após o fim do regime genocida do Khmer Vermelho. Sihanouk foi coroado rei em 1941 aos 18 anos e primeiro governou como um monarca absoluto, prestando homenagens apenas aos franceses. Quando o Khmer tomou o poder, em 1975, ele foi chamado de colaboracionista dos comunistas - embora tenha ficado preso e tenha perdido cinco filhos, mortos pelo Khmer. Na década de 1990, após a queda do Khmer, ele assumiu um papel de pacificador e monarca constitucional do Camboja.
Desde janeiro, Sihanouk vivia em Pequim, onde recebia tratamento médico para várias doenças que sofreu nos últimos anos, entre elas câncer no cólon, diabetes e hipertensão. O príncipe Sisowath Thomico, sobrinho de Sihanouk, disse que o monarca sofreu um ataque cardíaco em um hospital de Pequim e faleceu na madrugada desta segunda-feira.
Sihanouk abdicou da monarquia em 2004, citando problemas de saúde. Ele foi sucedido por seu filho Norodom Sihamoni. Nesta segunda-feira, Sihamoni e o primeiro-ministro do Camboja Hun Sen foram a Pequim buscar o corpo do falecido monarca. Um funeral oficial deverá ser realizado na capital cambojana em data ainda não marcada.
Nascido em 31 de outubro de 1922, Sihanouk foi coroado em 1941 rei do Camboja pelos franceses, que achavam que o jovem nobre seria mais facilmente controlado que outros parentes na linha sucessória real cambojana. Em 1955, dois anos após o fim do regime colonial, Sihanouk abdicou do trono, organizou um partido político e manteve vários mandatos como primeiro-ministro do Camboja. Em 1963, ele mudou a Constituição e virou primeiro-ministro vitalício. Ele foi um dos fundados do Movimento dos Países Não Alinhados. Em 1970, devido à crescente aliança com a China e o Vietnã, Sihanouk foi deposto em um golpe de Estado. Ele fugiu e a partir do exílio começou a apoiar a guerrilha do Khmer Vermelho - um grupo maoista violento, que chegou ao poder em 1975 e conduziu um genocídio, matando 1,7 milhão de cambojanos. Sihanouk voltou ao Camboja e foi preso por seus ex-aliados comunistas - só não foi fuzilado devido à interferência do líder chinês Chu En-Lai.
Sihanouk virou então um títere do ditador Pol Pot. Em 1978, tropas do Vietnã invadiram o Camboja e derrubaram o Khmer. Sihanouk, contudo, denunciou a invasão vietnamita e organizou um exército que prosseguiu a guerra. No final dos anos 1980, suas tropas contaram com apoio do então presidente norte-americano Ronald Reagan, que desenvolvia uma política contra a União Soviética e o Vietnã, aliado dos soviéticos. Sihanouk voltou do exílio na China ao Camboja em 1991 após a retirada dos vietnamitas e conseguiu restaurar a monarquia, com poderes limitados, em 1993.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Polícia do Bahrein volta a reprimir protestos na capital


A tropa de choque da polícia do Bahrein lançou bombas de gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral na repressão a um protesto contra a monarquia realizado hoje em Manama, a capital do país. Na periferia da cidade, uma outra manifestação transcorria pacificamente nesta sexta-feira.
O protesto contra o governo reprimido violentamente pelo governo foi liderado pela filha de Nabeel Rajab, um defensor dos direitos humanos preso pelas autoridades bareinitas. Repórteres da Associated Press testemunharam diversas prisões, mas não havia informações oficiais sobre números de detidos e de eventuais feridos.
Desde fevereiro do ano passado, integrantes da comunidade xiita protestam sistematicamente para reivindicar mais direitos e liberdades civis. Os xiitas representam a maioria da população do Bahrein, mas o país é controlado por uma minoria sunita. A repressão aos protestos ordenada pelo governo resultou na morte de mais de 50 pessoas.
A pequena nação insular situada no Golfo Pérsico tem grande importância geopolítica. O Bahrein sedia a Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos. As informações são da Associated Press

Bahrein retira nacionalidade de 31 ativistas da oposição



O governo de Bahrein retirou a nacionalidade de 31 ativistas do país, entre os quais estão líderes opositores, ex-deputados e autoridades religiosas. Na semana anterior, o governo bareinita havia proibido protestos nas ruas do país.

Em comunicado, o Ministério do Interior explicou que decidiu remover a nacionalidade dessas pessoas porque elas são "perigosas para a segurança nacional", sem dar maiores detalhes sobre as razões por trás da decisão.

A nota, que está disponível na página oficial da pasta na internet, lista os 31 nomes dos ativistas que tiveram sua nacionalidade negada. Ela afirma que a decisão ainda não é definitiva e que os afetados podem recorrer dela.

Todos os ativistas listados são xiitas, assim como a maior parte da população local. O governo bareinita, por outro lado, é uma monarquia sunita.

A decisão foi anunciada poucos dias depois que Bahrein baniu todo tipo de manifestação política e aglomeração nas ruas do país. A justificativa dada pelo Ministério do Interior foi de que os protestos estavam cada vez mais violentos e atrapalhavam o trânsito e o comércio.

Revoltados com a proibição, os oposicionistas realizaram protestos durante o último fim de semana.

Recentemente, a monarquia bareinita tem aumentado as restrições à oposição, condenando vários de seus líderes à prisão. A maioria xiita pede maior representação no governo e mais democracia.

Justiça exime rei da Espanha de teste de paternidade


O rei da Espanha é inviolável e está livre de responder por seus atos, diz a Constituição - que ele próprio promulgou em 1978. E para a Justiça, o privilégio se aplica até a pedidos de reconhecimento de paternidade feitos por dois alegados filhos bastardos de Juan Carlos I, supostamente concebidos antes da coroação. O catalão Albert Solá tenta desde a década de 1990 provar que é o filho mais velho do rei. Conta que Juan Carlos, numa passagem por Barcelona, ainda solteiro e então com 18 anos, engravidou sua mãe. O reconhecimento poderia até fazer de Solá, hoje com 56 anos, o herdeiro do trono, por ser mais velho que o príncipe Felipe, que tem 44.
Meses atrás, o catalão conheceu a belga Ingrid Sartiau, de 46 anos, que também começara a investigar a possibilidade de ter raízes na nobreza espanhola. Ela é filha de Liliane Sartiau, com quem o monarca - então já casado com a rainha Sofía - teria tido um caso durante uma viagem a Luxemburgo.
- Esse homem é seu pai, ela (Liliane) me dizia quando apareciam imagens do rei da Espanha na TV - disse Ingrid à revista espanhola "Vanitatis".
Neste ano, Ingrid e Solá resolveram fazer um teste de DNA. O resultado reforçou as suspeitas sobre a ascendência real de ambos, apontando que há 91% de chances de eles terem um progenitor comum.
- Os resultados são claros, mas as análises não podem especificar se é o pai ou a mãe. Eu ignoro quem é o pai. Eles é que dizem que é Juan Carlos - disse à "Vanitatis" Jean-Jacques Cassiman, geneticista da Universidade de Louvain, na Bélgica, responsável pelo teste.
No início do mês, os dois entraram na Justiça para pedir que o monarca reconheça ser o pai de ambos. Mas as juízas María Isabel Ferrer-Sama e Milagros Aparicio, de Madri, recusaram as ações, aplicando pela primeira vez a casos de Direito de Família o princípio constitucional segundo o qual o rei da Espanha "é inviolável e não está sujeito a responsabilização", como prevê a Carta Magna. Cabem recursos.
A Associação Juízes para a Democracia criticou a interpretação das magistradas, dizendo que ela acaba por privar os demais cidadãos do direito a saber quem são seus pais e, no fundo, do direito à igualdade de todos perante a lei.
Ao diário espanhol "Público", o deputado do partido Esquerda Unida Gaspar Llamazares alegou que as decisões transformam Juan Carlos num rei "absoluto" em vez de constitucional. A legenda já apresentou um projeto que visa a criar um Estatuto da Casa Real, impondo algumas regras à monarquia do país.

LIVRO EXPÕE QUESTÕES DELICADAS DA FAMILIA REAL BELGA

As divisões entre comunidades na Bélgica não afetam apenas o governo, mas também a família real do país.
“Questões reais”, um livro publicado esta terça-feira em francês e neerlandês, revela que a subida ao trono do herdeiro da coroa, o príncipe Filipe, teria sido adiada para depois das próximas legislativas em 2014.
Para o autor, Frederic Deborsu, “as próximas eleições vão ser um ponto de viragem e vamos precisar de uma monarquia forte. Vão ser uma oportunidade para a monarquia reforçar o seu papel e preparar o futuro de Filipe, que precisa de ter uma boa conversa com o pai para dissipar os problemas do passado”.
E as revelações sobre os “problemas” abundam no livro, das infidelidades aos negócios privados da casa real, passando pela alegada homossexualidade do príncipe.
Um habitante comenta, “se nos tirarem a família real, a Bélgica desaparece, e é por isso que se atacam ao rei”.
A casa real afirmou-se já “serena” face às revelações contidas na obra, o que não impediu a abertura de vários processos contra o editor, que por sua vez apresentou uma queixa por difamação face às críticas publicadas nos últimos dias na imprensa belga

O CASO DAS CARTAS DO PRINCÍPE CHARLES ÁS AUTORIDADES BRITÂNICAS

O procurador-geral da Inglaterra e do País de Gales, Dominic Grieve, responsável pelos temas legais ligados à Coroa britânica, vetou a divulgação de 27 cartas escritas pelo príncipe Charles entre setembro de 2004 e abril de 2005, nas quais se comunicou com sete ministros do país, numa decisão que gerou polêmica no Reino Unido. Grieve justificou o impedimento ao dizer que a publicação da correspondência, na qual o príncipe se mostra "particularmente franco" sobre suas "posições e crenças pessoais", poderia prejudicar a neutralidade da monarquia britânica quando Charles vier a se tornar rei.
O pedido pela divulgação das cartas foi feito com base em leis de acesso à informação pelo jornal "The Guardian", que prometeu recorrer do veto em instâncias superiores da Justiça britânica. Em editorial publicado na terça-feira, a publicação - que luta há sete anos para ter os documentos - afirma que Grieve adotou procedimentos legais "extremamente dúbios" e "altamente questionáveis" para "tentar justificar o injustificável".
Em seu veto, o procurador-geral diz que "o Príncipe de Gales é neutro politicamente e partidariamente" e que "é extremamente importante que ele não seja considerado favorável a um ou outro partido político pela população. Tal risco virá à tona se, por meio destas cartas, o príncipe seja visto como opositor às políticas do governo." Para Grieve, "esta percepção seria extremamente danosa ao seu papel como futuro monarca (...). Nesse contexto, a confidencialidade serve e promove o interesse público."
No Reino Unido, o procurador-geral tem status de ministro, e os membros do Gabinete têm a prerrogativa de impedir a divulgação de documentos do Estado. No anúncio do veto, divulgado na terça-feira, Grieve diz ter consultado colegas de Gabinete, ex-ministros e líderes da oposição. Para o "Guardian", entretanto, "os ministros fingem que sua preocupação é proteger o treinamento de um príncipe bom e útil, quando, na verdade, querem encobrir as condutas constitucionalmente dúbias de um herdeiro condescendente e até mesmo perigoso."
Príncipe Charles silencia sobre polêmica
Até a tarde desta quarta, o príncipe não havia se pronunciado sobre a polêmica. À imprensa britânica, parlamentares conservadores defenderam o veto do procurador-geral, enquanto os trabalhistas, atualmente na oposição ao primeiro-ministro David Cameron, avaliaram a conduta de Grieve e do príncipe como antidemocrática.
Em agosto, o "Guardian" noticiou que Charles estava intervindo nos bastidores do Executivo britânico, pressionando ministros e secretários de Estado por meio de bilhetes e encontros particulares. Mudanças na legislação de acesso à informação em 2010 isentam o herdeiro do trono britânico de liberar detalhes sobre seus contatos com membros do alto escalão do governo do Reino Unido.

Casamento real em Luxemburgo tem toques de modernidade



O pequeno ducado de Luxemburgo assistiu a um casamento real neste sábado, com a união no religioso do príncipe-herdeiro William, com a condessa belga Stéphanie de Lannoy. A modernidade foi marcada por alianças de ouro do comércio justo, prefeito gay acompanhado de companheiro e convidados reais transportados em vans ecológicas.

William, quase 31 anos, vai se tornar o sétimo grão-duque da monarquia luxemburguesa. Stéphanie, de 28, é descendente de uma das mais antigas famílias da nobreza belga. Eles se casaram na catedral de Nossa Senhora de Luxemburgo. As ruas da cidade estavam repletas de moradores e turistas.
O príncipe vestia um uniforme e entrou na catedral de braços dados com a mãe, a grã-duquesa Maria Teresa. A noiva estava vestida com um modelo de Elie Saab em branco marfim com bordados em fios de prata. O véu, de mais de quatro metros, era de tule de seda branca. Depois da cerimônia, o casal ofereceu ao público um rápido beijo no balcão do palácio ducal.
Entre os convidados estavam a princesa Caroline de Mônaco, o príncipe Edward, terceiro filho da rainha da Inglaterra, e o príncipe herdeiro do Japão, Naruhito. A cerimônia civil aconteceu na sexta, quando Stéphanie também recebeu a nacionalidade luxemburguesa.