quarta-feira, 8 de maio de 2013

Federação e Liga querem que Monaco transfira sede para a França

 

 - A Federação Francesa de Futebol e a Liga de Futebol Profissional querem que o Monaco transfira sua sede para a França, afim de que a equipe do Principado concorra em condições de igualdade, se enquadrando nas exigências fiscais do país, como os demais clubes que disputam o campeonato nacional.
A solicitação foi feita através de comunicado emitido pela federação, que aponta que "a situação particular do Monaco cria um problema que se acentuou com o contexto econômico e tributário francês".
Atualmente, o clube, que é dirigido pelo russo Dmitry Rybolovlev e treinado pelo italiano Claudio Ranieri, lidera a segunda divisão do Campeonato Francês com 63 pontos, oito a frente do quarto colocado Guingamp, primeiro fora da zona de acesso, faltando seis rodadas para o fim da competição.
As duas entidades esperam chegar a um acordo e a partir daí acionarão o Ministério dos Esportes, para a criação de "um marco legal adaptado". O clube, no entanto, não pretende mudar de país, e segundo o vice-presidente, Jean-Louis Campora lutará em todas as esferas contra a obrigação.
"Maquiar com uma regulamentação só tem um objetivo: colocar o Monaco de joelhos. O dirigente ainda descartou qualquer chance do clube deixar de disputar o Campeonato Francês e rumar para o Campeonato Italiano, país ao qual o Principado de Mônaco não tem fronteira, mas está separado por 15 quilômetros.
Além dos conhecidos benefícios fiscais de Mônaco, a desigualdade com outros clubes franceses se centra no fato do governo obrigar os empregadores a pagarem 75% de impostos sobre o salário dos funcionários que excedam um milhão de euros, projeto que não excluirá os clubes de futebol.
Enquanto Federação, Liga, clube e Governo tentam encontra uma solução pelo diálogo, Campora já garantiu que a "prioridade" é montar um bom time para a próxima temporada, que possa recolocar o clube na Liga dos Campeões da Europa, competição a qual o Monaco foi vice-campeão em 2003/2004. EFE

Premiê chinês reúne-se com seu homólogo cambojano

 
 
O primeiro-ministro chinês Li Keqiang reuniu-se na segunda-feira com seu colega cambojano Hun Sen, no Grande Palácio do Povo em Beijing.   A China e o Camboja são verdadeiros amigos e bons parceiros, ressaltou Li, acrescentando que a China adotou continuamente uma política amistosa com o Camboja desde que os dois países estabeleceram relações diplomáticas há 55 anos.
  A China e o Camboja poderiam aproveitar suas respectivas vantagens para atingir a prosperidade compartilhada, disse Li.
  O primeiro-ministro chinês pediu que as duas partes fortaleçam a comunicação para implementar o plano de ação sobre a cooperação e a parceria estratégica abrangente entre a China e o Camboja.
  Além disso, solicitou o aprofundamento da cooperação regional em agricultura, construção de infraestrutura, energia, telecomunicações e irrigação. Ao mesmo tempo, as empresas chinesas serão incentivadas a investir no Camboja para promover o comércio bilateral, acrescentou.
  A China fortalecerá o apoio aos esforços do Camboja no seu desenvolvimento independente e na melhoria do nível de vida da população, disse Li.
  Li acrescentou que os intercâmbios culturais entre os dois países devem ser reforçados em educação, turismo e aviação.
  O trabalho conjunto na aplicação da lei também será promovido para combater o tráfego de drogas, o terrorismo e o crime fronteiriço, afirmou Li.
  O primeiro-ministro chinês disse que a China valoriza a coordenação multilateral e as relações com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês) para impulsionar a cooperação em áreas como livre comércio, tecnologia, interconexão e interfuncionamento e promover conjuntamente a paz e o desenvolvimento regionais.
  Hun Sen agradeceu a China por seu apoio de longo prazo ao Camboja.
  O aprofundamento da cooperação entre a ASEAN e a China beneficiará as duas partes. O Camboja deseja desempenhar um papel positivo na promoção do desenvolvimento saudável das relações ASEAN-China, acrescentou.
  Depois do encontro, os dois líderes participaram de uma cerimônia de assinatura de oito documentos de cooperação.
  Hun Sen também participou da Conferência Anual 2013 do Fórum Boao para a Ásia, de 6 a 8 de abril, na província insular de Hainan, sul da China.
Por Xinhua

Preocupados com eventos na China, investidores vão para o Camboja

 

 

Sem dar muita bandeira, a Tiffany & Co. está construindo uma fábrica para polir diamantes no Camboja, um país mais lembrado pelos campos de extermínio e pelas minas terrestres do que pelas joias.
Algumas das maiores empresas do Japão também estão correndo para abrir fábricas em Phnom Penh e fazer chicotes elétricos para carros e touch screens e motores de vibração para celulares. Empresas europeias não ficam muito atrás e fabricam sapatilhas de dança e capinhas de microfibra para óculos de sol.
Milhares de empresas estrangeiras estão indo para o Camboja por uma simples razão: não querem mais depender tanto das fábricas da China.
Os problemas se multiplicam rapidamente para os investidores estrangeiros na China. Os salários dos trabalhadores aumentaram drasticamente, quadruplicando na última década, pois o boom das fábricas coincidiu com a diminuição no número de pessoas interessadas em trabalhar nelas. Desde o ano passado, a mão de obra chinesa começou a diminuir, em consequência da política de um filho e do envelhecimento da população.
"Quase todo dia recebo telefonemas de empresas que querem vir da China para cá", afirmou Bradley Gordon, advogado americano em Phnom Penh.
 
Contudo, as multinacionais descobriram que, embora possam fugir do aumento dos salários chineses, é impossível escapar dessa tendência. A população, economia e até mesmo a produção energética da maior parte dos países do sudeste asiático é menor que a de muitas províncias chinesas e às vezes menor até mesmo que a de uma única cidade chinesa. À medida que as empresas se dirigem ao sul, elas ocupam rapidamente a mão de obra local, elevando o salário de todos.
O investimento estrangeiro direto no Camboja aumentou 70% no ano passado, em comparação com 2011 e embora os salários e benefícios ainda sejam inferiores ao que os trabalhadores precisam para ter moradias decentes e uma dieta balanceada, milhões de pessoas estão conseguindo sair da miséria.
"As pessoas que vivem ao longo do Rio Mekong estão saindo da pobreza com a ajuda de fluxos de investimento estrangeiro trazidos pelo aumento dos salários na China", afirmou Peter Brimble, economista sênior do Banco de Desenvolvimento Asiático no Camboja.
Apenas um pequeno grupo de empresas, a maior parte em setores de baixa tecnologia, como o têxtil e o de calçados, deseja sair completamente da China. Contudo, muitas outras empresas estão construindo novas fábricas no sudeste asiático para suplementar as operações na China.
Crescimento do mercado chinês
O crescimento do mercado doméstico chinês, sua grande população e a enorme base industrial ainda tornam o país atraente para muitas empresas, de forma que a produtividade aumenta na mesma velocidade dos salários em muitos setores na China.
Apesar disso, o investimento estrangeiro na China caiu 3,5% no ano passado, depois de aumentos constantes desde 1980, a não ser em 1999, durante a crise asiática, e em 2009, durante a crise financeira global.
Ainda assim, os US$ 119,7 bilhões estrangeiros investidos na China continuam a diminuir o volume de investimentos do resto do planeta. Em comparação, o investimento no Camboja cresceu para apenas US$ 1,5 bilhão.
Mas o ano passado foi a primeira vez desde que os registros começaram a ser feitos, nos anos 1970, que o Camboja recebeu um investimento estrangeiro per capita maior que o da China.
"Ninguém quer fugir da China, as empresas só querem opções para diminuir o risco", afirmou Bretton Sciaroni, outro advogado americano no país.
Entre as fábricas japonesas, a Sumitomo faz chicotes elétricos para carros, a Minebea faz peças para celulares e a Denso vai começar a produzir motores de partida para motocicletas. A fabricante de calçados europeia Bloch está presente no Camboja, e a Oakley produz capinhas para seus óculos de sol.
O investimento estrangeiro também aumentou drasticamente no Vietnã, na Tailândia, em Mianmar e nas Filipinas nos últimos anos.
Com o aumento na demanda por funcionários, as condições de trabalho na região começam a melhorar. A Practics —uma empresa belga que é a maior fabricante mundial de capinhas de microfibra para óculos de luxo— criou um programa de benefícios trabalhistas que antes era raro no Camboja, oferecendo seguro médico, seguro contra acidentes, bolsas de estudo e almoços gratuitos.
Uma vez que os custos são extremamente baixos no Camboja, onde uma consulta médica custa apenas alguns dólares, o salário médio ainda está abaixo dos US$ 130 dólares. Na fábrica da empresa nos arredores de Xangai, trabalhadores que fazem o mesmo trabalho ganham de US$ 560 a US$ 640 por mês, incluindo subsídios impostos pelo governo, afirmou Piet Holten, o presidente da empresa.
NYT/The New York Times
Trabalhadores pintam parede de uma nova fábrica no Camboja
Os trabalhadores cambojanos produzem de 15% a 30% menos capinhas por dia que seus colegas em Xangai, mas a produtividade no Camboja está aumentando. "Nunca vai ser igual à da China, mas os custos são dois terços mais baixos e a China só está ficando mais cara", afirmou Holten.
De forma geral, os salários de trabalhadores braçais aumentaram até 65% nos últimos cinco anos no Camboja, embora ainda sejam tão baixos que os cambojanos continuam entre os assalariados mais pobres da Ásia.
Há uma década, trabalhadores vinham em massa em busca de emprego nas novas fábricas de Phnom Penh, mas "hoje você diz que precisa de gente para trabalhar, mas ninguém aparece", afirmou Sandra D'Amico, gerente geral da HR Inc. Cambodia, uma empresa de recursos humanos.
No inverno passado, greves paralisaram inúmeras fábricas taiwanesas de roupas mais simples, como maiôs, no leste do Camboja, depois da chegada de fábricas japonesas de produtos mais sofisticados, como ternos e luvas —que oferecem salários maiores e mais benefícios.
Na Zona Econômica Especial de Phnom Penh, no centro do Camboja, a Minebea atrai funcionários por meio da construção de dormitórios modernos de quatro andares para até 2.000 pessoas, com seis camas por quarto e uma grande sala de recreação  —muito melhor que os barracos de compensado e telha de zinco onde ainda vivem milhões de cambojanos.
A unidade "Laurelton Diamonds" da Tiffany já colocou as estacas de demarcação de uma fábrica moderna de 8.826 metros quadrados do outro lado da rua para polir pequenos diamantes e está em busca de uma certificação internacional de "construção verde" para o projeto.
O número de funcionários na região dobrou este ano, chegando a 20.000 trabalhadores, e deve dobrar novamente para 40.000 nos próximos anos, afirmou Hiroshi Uematsu, diretor administrativo da zona.
Custos de moradia e alimentação
Céticos como David J. Welsh, representante do Centro de Solidariedade AFL-CIO no Camboja, afirmam que o aumento nos custos de moradia e alimentação impede muitos trabalhadores de se beneficiarem realmente do aumento nos salários.
Ken Loo, secretário-geral da Associação de Empresas de Confecção do Camboja, afirmou que o setor precisa resistir à demanda dos funcionários por aumentos salariais para que o país seja capaz de manter a competitividade internacional.
Tatiana Olchanetzky, consultora de empresas do setor de bolsas e malas, afirmou ter analisado os custos da mudança da China para Filipinas, Camboja, Vietnã e Indonésia. Ela descobriu que a economia total era pequena, uma vez que a China produz a maior parte dos tecidos, fechos, rodinhas e outros materiais necessários para a fabricação de malas, e que teriam de ser enviados para a montagem dos produtos.
Contudo, algumas fábricas decidiram se mudar de toda forma, a pedido de clientes ocidentais que não querem depender de um único país.
Embora exista um risco em se instalar em um país cuja rede de suprimentos é desconhecida, Olchanetzky afirmou: "Eles acreditam que também seja um risco continuar na China".

Brasil e Andorra apoiam que Cúpula Ibero-Americana se reúna a cada dois anos

 

 
 Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, e de Andorra, Gilbert Saboya Sunyé, apoiaram nesta terça-feira a proposta de que a Cúpula Ibero-Americana passe a ser realizada a cada dois anos e não anualmente como foi até agora.
"Seria uma forma de racionalizar os trabalhos" da cúpula e nos anos em que não houver reuniões entre chefes de Estado e de Governo, haveria encontros ministeriais, declarou Patriota aos jornalistas após uma reunião privada com Saboya Sunyé.
O ministro de Andorra disse, por sua parte, que o principado também "vê com muito agrado" essa proposta que é analisada no seio da comunidade ibero-americana, integrada por Espanha, Portugal, Andorra e os países da América Latina.
Essa possibilidade começou a ser tratada durante a última Cúpula Ibero-Americana, realizada em novembro na cidade espanhola de Cádiz, na qual foi decidido criar um Grupo de Reflexão para estudar o assunto.
À frente desse grupo está o ex-presidente chileno Ricardo Lagos, que em uma recente visita à Brasília, considerou que a próxima reunião ibero-americana, que será no Panamá em outubro deste ano, pode ser "a última" realizada anualmente.
Segundo Lagos, a ideia é que a Cúpula Ibero-Americana, que já tem 22 edições, se alterne com a cada dois anos e reúna os chefes de Estado e do Governo da União Europeia e América Latina.
A decisão final será adotada nos próximos meses, nos quais também será analisado que será osucessor do uruguaio Enrique Iglesias à frente da Secretaria-Geral Ibero-Americana (Segib), que deve ser eleito durante o próximo ano.
Ademais os dois governos , fizeram um tratado a respeito de turismo .
Andorra recebeu mais de 50 mil russos no ultimo ano , além de ser um paraiso fiscal e também um excelente local para esquiar 

O papel das monarquias europeias


 

A monarquia britânica é das mais representativas do mundo, e o papel é esse mesmo: ser representativa.
A rainha de Inglaterra é Rainha de 16 Estados independentes e é chefe da Commonwealth. Todas as semanas, o primeiro-ministro reune-se com a soberana, para lhe participar os problems do Reino e para ela dar a sua opinião.
A função principal é reforçar a unidade e a identidade nacional, e nessas duas áreas, Isabel II destaca-se: 70% dos britânicos apoiam a monarquia, que é uma das mais antigas da Europa.
Com dois séculos de história e também muito sólida, a monarquia holandesa, pilar da identidade nacional é apoiada por três quartas partes da população.
Até 2012, a Rainha Beatriz exercia algum poder político, intervindo na formação dos governos de coligação depois das eleições. O novo Rei, Guillerme Alexandre, prefere ter um poder consultivo e também assumiu que passa bem se lhe derem apenas o poder representativo.
Na Bélgica, a monarquia conservou poderes muito amplos. O Rei pode formar governos que se devem submeter à aprovação do Parlamento, recebe o primeiro-ministro uma vez por semana, e chama os ministros e os líderes da oposição para consultas políticas.
Pode dar a sua opinião e sancionar ou promulgar as leis federais. Também aqui a monarquia cimenta a união no do país, já que o monarca é o rei dos belgas e não de Bélgica. Reinstaurada na reta final da ditadura de Franco, em Espanha, a monarquia é parlamentar e os monarcas são o símbolo da unidade e da continuidade do Estado. Juan Carlos I desempenhou o papel de rei constitucional, demonstrando que democracia e monarquia não são incompatíveis. Mas nos últimos tempos a popularidade do Rei baixou para 36%, nível jamais visto. Os escândalos que atingem à família real tiveram tudo a ver com a perde do antigo charme da monarquia espanhola.
O que é, é precisamente, a principal fragilidade das monarquias modernas: não têm direito ao erro sobre a sua integridade, porque a opinião pública pode lhes retirar rapidamente o apoio se não cumprirem as responsabilidades, é essencialmente, representativas.

Reis Guilherme Alexandre e Máxima dão nova imagem à monarquia da Holanda

 
Guilherme Alexandre da Holanda, o príncipe que preferia não o ser, jurou solenemente cumprir o dever como Rei ao lado da sua mulher Maxima uma holandesa entre os holandeses.
O momento foi de alegria, para os 200 dignatários, nomeadamente das Antilhas holandesas, e representantes de quase duas dezenas de Casas Reais, mas os pais da Rainha da Holanda, tal como não estiveram presentes no casamento, em 2002, também não foram convidados para a cerimónia de investidura.
O passado de Jorge Zorreguieta, como ministro da Agricultura durante a ditadura militar argentina (1976-1983), afastou-o das cerimónias oficiais holandesas.
Os cônjuges das três antecessoras de Guilherme Alexandre eram alemães e a Casa Real também está intimamente relacionada à nobreza alemã.
Carlos de Inglaterra, Filipe de Espanha, Alberto do Mónaco, Vitória da Suécia e Frederico da Dinamarca, foram alguns dos representantes de Casas Reais Europeias. A “Princesa triste” do Japão, Masako, acompanhou pela primeira vez o príncipe Naruhito numa viagem oficial, devido aos 11 anos de depressão que enfrentou.
Quem também esteve presente, quase de luto, apenas com mangas brancas, foi Mabel, mulher do príncipe Friso de Orange-Nassau, o irmão de 44 anos do Rei que continua em coma devido ao tragico acidente na neve – seguindo o princípio de que o negro é luto ou apropriado apenas para beijar a mão do Papa.
O casal real dispensou presentes por causa da crise económica europeia, que também afeta a Holanda. Um sinal muito claro com que o Rei assinala a direção em que pretende manter o reinado
A Constituição holandesa é muito clara quanto ao papel do monarca como chefe de Estado. O rei pode contribuir para a formação do governo porque ele pode nomear o mediador de negociações para um governo de coligação, por exemplo. Esta foi, assim, a resposta âs críticas que surgiram, no passado, sobre as despesas dos soberanos.
Na cerimónia da tarde, na Igreja nova de Amsterdão, o traje era de rigor e máxima usou o diadema de Guilhermina, vestindo azul cobalto, tal como as filhas e Beatriz da Holanda.
De manhã, sem condecorações ou diademas, chapéu ou luvas, a assinatura do ato de abdicação, na sala Moisés do Palácio, foi simples e de rigor, perante a família real e os membros do executivo holandês.
Foi na varanda do palácio que Beatriz se emocionou e, só a custo, escondeu as lágrimas. Máxima apertou-lhe a mão assim como Beatriz já tinha feito com o filho.
Na praça Dam, 25 mil súbditos e curiosos aplaudiram freneticamente os novos soberanos e a antiga monarca que tanta humildade e modernidade mostrou ao optar por passar o ceptro e a coroa para a nova geração e retirar-se para cuidar de assuntos mais terrenos, como a situação do filho, nora e herdeiros, e dedicar-se à Arte que tanto impulsiona.
Os museus de Amesterdão, Rijks, Van Gohg e Stedelik são apenas três dos 50 museus da cidade.
   Este é um momento histórico em Amsterdão. Max, que tipo de mudanças se esperam com o novo rei, quanto à apresentação e ao estilo pessoal. Como vai apresentar-se a família real?
 Creio que será uma monarquia com um maior poder de comunicação, com mais intervenção. A Rainha Beatriz era muito respeitada, mas não era muito popular. Era distante. Vamos assistir a uma mudança revolucionária neste século 21.

 Já não é um lugar que reúna muito poder. No ano passado, a rainha ficou de fora da formação do novo governo. Foi o parlamento que o fez. O rei ainda faz parte do governo. Mas Guilherme Alexandre já afirmou que não será problemático se o parlamento quiser introduzir alterações. Poderá eventualmente assumir o papel de uma espécie de mestre de cerimónias do país, não como elemento político.
 
 Durante a última década, um dos grandes problemas residia no facto de a monarquia querer aumentar a cooperação europeia, as ajudas ao Terceiro Mundo, reforçar as questões ambientais, contra a tendência dos políticos. A grande questão agora é saber que posição vai defender Guilherme Alexandre.
Terá um papel moral na sociedade. A Rainha Beatriz intervinha todos os anos, na altura do Natal, exprimindo a sua posição quanto à Europa e outros assuntos. Nem todos os políticos apreciavam isso. Vamos ver se o novo Rei vai fazê-lo também.  As famílias reais de toda a Europa têm lutado contra alguns escândalos. Em que situação está a família real holandesa?
 A maior parte das pessoas apoia a monarquia. Na verdade, todos os apreciamos. Somos uma espécie de república com coroa. Houve algumas polémicas. Guilherme Alexandre e Máxima quiseram comprar uma casa em Moçambique, junto às residências de alguns milionários. O parlamento declarou que não o podiam fazer. Há questões fiscais. Há debates sobre os salários que ganham, os aviões que utlizam. Os políticos pretendem que eles tenham uma vida mais sóbria.

 É uma monarquia que se rege por regras constitucionais rigorosas. O poder está no parlamento, não no rei ou na rainha.
  A maior parte das pessoas que conheço, que pertencem à ala esquerda, podem não gostar de monarquia em geral, mas apoiam esta monarquia. A Casa de Orange é muito popula. Desde que mantenha a abertura e os valores democráticos, não haverá problemas.
  Se o país começasse de novo, seria uma república. Mas devido ao papel corajoso que a Casa Real assumiu, na luta pelas liberdades, sobretudo nos anos 40, durante a ocupação nazi… Eees foram conseguindo adaptar-se às circunstâncias modernas. Creio que acabarão por sobreviver.
  Depois de 120 anos de rainhas, pela primeira vez um homem assume o trono. É uma grande mudança?
Também temos uma nova rainha, Máxima. Temos de nos habituar a um casal que vai partilhar as tarefas. Veremos Máxima a protagonizar viagens, seguramente. É uma mudança, mas não assim tão grande.

MONARQUIA ATUALMENTE NA EUROPA

Renovar ou morrer é uma divisa que também se aplica à monarquia, mesmo que não se apregoe alto e bom som.
Na Holanda, a Casa de Orange mostrou sabedoria quando a adotou. “Só a vontade de servir pode dar sentido à realeza moderna”, afirmou a Rainha Beatriz.
Aos 75 anos cede o trono ao filho mais velho, Guilherme Alexandre, de 46 anos, seguindo a regra do filho primogénito, em vigor desde 1983.
Esta modernidade está patente no descomplexado ato de abdicar, o que vai contra a tradição monárquica.
Continua a ser uma exceção na Europa Ocidental, onde se mantêm sete Reinos, um Grão Ducado e dois Principados, todos são monarquias constitucionais hereditárias.
No trono desde 1952, com 87 anos. Isabel II não coloca a hipótese de abdicar a favor do filho, Carlos, apesar de ele já ter 64 anos de idade.
Mas a monarquia britânica vai, mesmo assim, modernizar-se um pouco: a regra do filho primogénito masculino vai dar lugar à regra do filho primogénito, em sentido restrito. O filho de William e Kate vai estar na linha direta de sucessão, independentemente do sexo.
O Rei de Espanha, Juan Carlos também não pretende abdicar, apesar da fragilidade da saúde. Submeteu-se a quatro operações cirúrgicas num ano e um espanhol em cada dois prefere que ele abdique.
No trono desde 1975, Juan Carlos de Bourbon tem 75 anos, o filho e herdeiro Filipe tem 45.
Em Espanha vigora a lei sálica em que as mulheres somente podem herdar o trono no caso de não haver herdeiros varões na linha principal (filhos) nem na linha lateral (irmãos e sobrinhos).
No Reino da Bélgica não há preconceitos em abdicar, mas será sempre uma decisão pessoal do soberano. Albert II, reina há 19 anos.
Neste país, 46% da população pensa que é altura do Rei ceder o trono por questões de saúde.
Até porque conta 78 anos e o filho, Filipe tem já 53 anos de idade.
Na Bélgica vigora a primogenitura absoluta, desde 1991.
Passa-se o mesmo em todas as monarquias do norte da Europa. Na Suécia foi estabelecida em 1980, e abdicar também não está fora de questão, mas não é para já.
Ao Rei Carl Gustaf, de 67 anos, vai suceder a filha Vitória, de 39 anos.
Em 1990, a Noruega também deu o passo em frente da primogenitura absoluta.
O soberano Harald V, de 76 anos de idade, reinara ate à morte. Só então o filho herdeiro de 39 anos, Haakon, acederá ao trono.
Primogenitura absoluta desde 2009 na Dinamarca, onde a Casa de Oldenbourg rreina desde 1448.
A rainha Margareth, de 73 anos, no trono desde 1972, não vai abdicar a favor do filho herdeiro, de 44 anos, Frederik. Ainda não cedeu ao princípio de que reinar é um dever para a vida.