quarta-feira, 8 de maio de 2013

Europa enfrenta dilema com paraísos fiscais em seu próprio território

 

Luxemburgo rejeita rótulo, mas é o maior paraíso fiscal do continente – e completamente legal. Suíça, pela segurança financeira, e Áustria também estão entre os países mais atrativos para os investidores.
Para um investidor, nada é mais importante que segurança, altos rendimentos e baixos impostos para o seu dinheiro. E tais condições paradisíacas não são oferecidas apenas em praias de areia branca do Caribe – dentro da própria Europa florescem alguns paraísos fiscais. "Não precisamos olhar para o Caribe. Basta olhar ao nosso redor", diz o auditor fiscal alemão Reinhard Kilmer.
O Reino Unido, por exemplo, protege as ilhas do Canal da Mancha e a Ilha de Man. A França protege Mônaco. Além disso, aponta Kilmer, os europeus ainda têm problemas com Luxemburgo, Suíça e Áustria. Neste três países, os rendimentos não são tão elevados como, por exemplo, nas Ilhas Virgens, mas a segurança é imbatível.
O líder entre os paraísos fiscais da União Europeia é o pequeno Grão-Ducado de Luxemburgo, um membro fundador do bloco. O ministro luxemburguês das Finanças, Luc Frieden, rejeita, no entanto, a classificação. "Somos um centro financeiro europeu e não incentivamos ninguém à evasão fiscal", diz.
Em Luxemburgo estão instalados 141 bancos de 26 países, segundo informações do governo local. "Luxemburgo está entre os dez melhores centros financeiros mundiais e é o segundo maior centro para fundos de investimentos do mundo", afirma orgulhosamente o site da sucursal do Deutsche Bank no país.
O Deutsche Bank também sabe dizer por que Luxemburgo é tão popular: "A receita de sucesso: clareza e flexibilidade. Por um lado, um sigilo bancário rigoroso e duras leis de lavagem de dinheiro; pelo outro, uma política fiscal competitiva e autoridades pragmáticas, que dão andamento a processos de aprovação de forma rápida e desburocratizada."
Transparência em questão
Há décadas Luxemburgo vem cultivando sua reputação de centro financeiro seguro. Por volta de 2,1 trilhões de euros estão aplicados apenas na forma de ativos de fundos de investimentos no país, segundo a empresa de consultoria financeira Ogier. Os fundos quase não pagam impostos sobre esse dinheiro.
Muitas empresas internacionais acabam abrindo filiais em Luxemburgo apenas para ter seus lucros submetidos a taxas menores. De acordo com as regras europeias, a manobra é totalmente legal. O dinheiro do exterior assegura a Luxemburgo a maior renda per capita da União Europeia, e não é de se admirar que eles defendam seu modelo de negócios. Nesse ponto, Frieden não quer que nada seja alterado – empresas e investidores devem continuar a se sentir bem amparados em Luxemburgo.
O eurodeputado Sven Giegold, especialista financeiro do Partido Verde, exige mais transparência nos modelos fiscais das empresas. "Em seus balanços, uma empresa deveria divulgar quantas filiais possui, quais os seus lucros e onde os obtêm e quanto imposto foi pago sobre eles", diz Giegold. Assim, jornalistas e a sociedade civil poderiam constatar se isso se encontra numa proporção sensata. "Dessa forma, todo esse turismo fiscal ganharia transparência."
 
Em entrevista ao jornal alemão FAZ, neste último fim de semana, Luc Frieden mostrou-se disposto a considerar se, no futuro, a receita proveniente dos juros de investimentos privados sejam automaticamente comunicados às autoridades fiscais do país de origem do investidor. Em Luxemburgo, ele foi logo criticado. "O sigilo bancário deve permanecer", exigem imediatamente os Jovens Democratas (ala jovem do Partido Democrata) em comunicado.
Até agora, Luxemburgo e Áustria, o paraíso financeiro nos Alpes, evitaram a comparação automática entre rendimentos e impostos pagos na União Europeia. No ano passado, o comissário europeu responsável pela política fiscal, Algirdas Semeta, classificou o fato de "uma prática completamente injusta."
UE como espectadora
A UE não é a responsável de fato pela política fiscal, mas os Estados-membros. A competição entre si por meio de diferentes alíquotas é proposital. Malta, por exemplo, não cobra nenhum imposto sobre empresas. O Chipre cobra 10%, e a Irlanda, 12,5%. Há anos os ministros de Finanças tentam chegar a um acordo quanto às bases de cálculo, ou seja, definir quanto da riqueza e da renda está sujeito ao imposto.
Sob a luz da política financeira, não é necessário que as taxas de impostos sejam uniformes, diz Guntram Wolff, economista do think tank Bruegel, em Bruxelas. O importante, segundo ele, é que as regras sejam claramente visíveis: "Acho que a transparência fiscal é absolutamente necessária. Paraísos fiscais na zona do euro não são desejáveis. Isso não pode acontecer, porque, em caso contrário, um país poderia operar realmente seus bancos e sua política tributária a custa de outros países."
Quando um paraíso fiscal é atingido por tempestades, como foi o caso recente do Chipre, outros países da zona do euro podem ser convocados a ajudar. Os porta-vozes do governo em Luxemburgo e Malta excluíram ser comparados com o Chipre. Mas os bancos nesses dois países poderiam, em algum momento, entrar em dificuldades, acredita Thomas Meyer, economista-chefe do Deutsche Bank.
No site EU-Observer, ele declarou: "Mesmo com a melhor supervisão financeira, os bancos podem ficar debilitados. E se um Estado for muito pequeno em comparação com o setor financeiro, então esse Estado vai à falência."
 
No caso do Chipre, no entanto, os países da zona do euro intervieram com 10 bilhões de euros de ajuda. No Chipre, os depósitos bancários valiam sete vezes mais que o rendimento econômico anual da ilha. Em Luxemburgo, os bancos são 22 vezes mais valiosos que a economia do país. Meyer aconselha que os bancos mantenham mais capital próprio em Estados pequenos. Esse seria o caso atual da Suíça. Em Luxemburgo, Áustria e outros paraísos financeiros, prefere-se confiar no apoio da zona do euro e dos pacotes de resgate, afirma.
Suíça à frente
Através de seu porta-voz, a Comissão Europeia observa que, até agora, os Estados-membros ainda não conseguiram entrar em consenso sobre o que é um paraíso fiscal. Aplicando as normas da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), nenhum país europeu pertenceria mais ao rol dos paraísos fiscais. Baixas taxas de imposto num país, o que leva à evasão fiscal em outros países com impostos mais altos, não é ilegal, mas, para muitos, vai contra o senso de justiça.
Os ministros das Finanças de Luxemburgo, Letônia e Eslováquia – onde a carga tributária para empresas é mais baixa que na Alemanha e na França – argumentam de forma contrária: países com altos impostos poderiam reduzir suas taxas para atrair empresas e investidores.
A ONG britânica Tax Justice Network publicou uma lista própria de paraísos fiscais. A lista considera o tamanho do centro financeiro e o grau de discrição, ou seja, do sigilo bancário. Segundo o índice, a Suíça é o paraíso fiscal número 1, seguido das Ilhas Cayman e de Luxemburgo.

Luxemburgo: “O que sabe o Governo?”

 

Segundo informações recolhidas pelo Voix du Luxembourg, o Governo luxemburguês estaria, desde 2006, ao corrente de um eventual envolvimento do Stay-behind (uma rede secreta da NATO que visava impedir uma invasão do Pacto de Varsóvia, com a ajuda, entre outros, de grupúsculos de extrema-direita) nos “Bommeleeër”, uma série de atentados perpetrados no Grão-Ducado durante os anos de 1980.
O diário revela que teve lugar, em janeiro de 2006, uma reunião entre o primeiro-ministro Jean-Claude Juncker, o ministro da Justiça Luc Frieden, o chefe dos serviço secretos Marco Mille e dois dos seus colaboradores e que o encontro foi gravado sem o conhecimento dos ministros.
Estas revelações são publicadas numa altura em que está a decorrer um processo contra dois antigos polícias acusados dos atentados que fizeram cinco feridos e provocaram uma situação traumática no país.

Segundo informações recolhidas pelo Voix du Luxembourg, o Governo luxemburguês estaria, desde 2006, ao corrente de um eventual envolvimento do Stay-behind (uma rede secreta da NATO que visava impedir uma invasão do Pacto de Varsóvia, com a ajuda, entre outros, de grupúsculos de extrema-direita) nos “Bommeleeër”, uma série de atentados perpetrados no Grão-Ducado durante os anos de 1980.
O diário revela que teve lugar, em janeiro de 2006, uma reunião entre o primeiro-ministro Jean-Claude Juncker, o ministro da Justiça Luc Frieden, o chefe dos serviço secretos Marco Mille e dois dos seus colaboradores e que o encontro foi gravado sem o conhecimento dos ministros.
Estas revelações são publicadas numa altura em que está a decorrer um processo contra dois antigos polícias acusados dos atentados que fizeram cinco feridos e provocaram uma situação traumática no país.

“Liechtenstein aberto a discutir troca automática de dados”


 

 

O debate sobre a cooperação bancária automática abre uma brecha no principado: depois da Suíça e do Luxemburgo, o Liechtenstein deixou de considerar como tabu o levantamento do segredo bancário. Assim, escreve o Volksblatt,
também no Liechtenstein a política e a finança deixaram de recusar categoricamente a troca de alguns dados […] mesmo que essa não seja a solução desejada.
O chefe do Governo do principado, Adrian Hasler, declarou que
apesar do Liechtenstein permanecer crítico em relação à troca automática de dados, [o principado] não quer fechar a porta a possíveis soluções, desde que sejam consolidadas por tratados bilaterais sólidos.

Federação e Liga querem que Monaco transfira sede para a França

 

 - A Federação Francesa de Futebol e a Liga de Futebol Profissional querem que o Monaco transfira sua sede para a França, afim de que a equipe do Principado concorra em condições de igualdade, se enquadrando nas exigências fiscais do país, como os demais clubes que disputam o campeonato nacional.
A solicitação foi feita através de comunicado emitido pela federação, que aponta que "a situação particular do Monaco cria um problema que se acentuou com o contexto econômico e tributário francês".
Atualmente, o clube, que é dirigido pelo russo Dmitry Rybolovlev e treinado pelo italiano Claudio Ranieri, lidera a segunda divisão do Campeonato Francês com 63 pontos, oito a frente do quarto colocado Guingamp, primeiro fora da zona de acesso, faltando seis rodadas para o fim da competição.
As duas entidades esperam chegar a um acordo e a partir daí acionarão o Ministério dos Esportes, para a criação de "um marco legal adaptado". O clube, no entanto, não pretende mudar de país, e segundo o vice-presidente, Jean-Louis Campora lutará em todas as esferas contra a obrigação.
"Maquiar com uma regulamentação só tem um objetivo: colocar o Monaco de joelhos. O dirigente ainda descartou qualquer chance do clube deixar de disputar o Campeonato Francês e rumar para o Campeonato Italiano, país ao qual o Principado de Mônaco não tem fronteira, mas está separado por 15 quilômetros.
Além dos conhecidos benefícios fiscais de Mônaco, a desigualdade com outros clubes franceses se centra no fato do governo obrigar os empregadores a pagarem 75% de impostos sobre o salário dos funcionários que excedam um milhão de euros, projeto que não excluirá os clubes de futebol.
Enquanto Federação, Liga, clube e Governo tentam encontra uma solução pelo diálogo, Campora já garantiu que a "prioridade" é montar um bom time para a próxima temporada, que possa recolocar o clube na Liga dos Campeões da Europa, competição a qual o Monaco foi vice-campeão em 2003/2004. EFE

Premiê chinês reúne-se com seu homólogo cambojano

 
 
O primeiro-ministro chinês Li Keqiang reuniu-se na segunda-feira com seu colega cambojano Hun Sen, no Grande Palácio do Povo em Beijing.   A China e o Camboja são verdadeiros amigos e bons parceiros, ressaltou Li, acrescentando que a China adotou continuamente uma política amistosa com o Camboja desde que os dois países estabeleceram relações diplomáticas há 55 anos.
  A China e o Camboja poderiam aproveitar suas respectivas vantagens para atingir a prosperidade compartilhada, disse Li.
  O primeiro-ministro chinês pediu que as duas partes fortaleçam a comunicação para implementar o plano de ação sobre a cooperação e a parceria estratégica abrangente entre a China e o Camboja.
  Além disso, solicitou o aprofundamento da cooperação regional em agricultura, construção de infraestrutura, energia, telecomunicações e irrigação. Ao mesmo tempo, as empresas chinesas serão incentivadas a investir no Camboja para promover o comércio bilateral, acrescentou.
  A China fortalecerá o apoio aos esforços do Camboja no seu desenvolvimento independente e na melhoria do nível de vida da população, disse Li.
  Li acrescentou que os intercâmbios culturais entre os dois países devem ser reforçados em educação, turismo e aviação.
  O trabalho conjunto na aplicação da lei também será promovido para combater o tráfego de drogas, o terrorismo e o crime fronteiriço, afirmou Li.
  O primeiro-ministro chinês disse que a China valoriza a coordenação multilateral e as relações com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês) para impulsionar a cooperação em áreas como livre comércio, tecnologia, interconexão e interfuncionamento e promover conjuntamente a paz e o desenvolvimento regionais.
  Hun Sen agradeceu a China por seu apoio de longo prazo ao Camboja.
  O aprofundamento da cooperação entre a ASEAN e a China beneficiará as duas partes. O Camboja deseja desempenhar um papel positivo na promoção do desenvolvimento saudável das relações ASEAN-China, acrescentou.
  Depois do encontro, os dois líderes participaram de uma cerimônia de assinatura de oito documentos de cooperação.
  Hun Sen também participou da Conferência Anual 2013 do Fórum Boao para a Ásia, de 6 a 8 de abril, na província insular de Hainan, sul da China.
Por Xinhua

Preocupados com eventos na China, investidores vão para o Camboja

 

 

Sem dar muita bandeira, a Tiffany & Co. está construindo uma fábrica para polir diamantes no Camboja, um país mais lembrado pelos campos de extermínio e pelas minas terrestres do que pelas joias.
Algumas das maiores empresas do Japão também estão correndo para abrir fábricas em Phnom Penh e fazer chicotes elétricos para carros e touch screens e motores de vibração para celulares. Empresas europeias não ficam muito atrás e fabricam sapatilhas de dança e capinhas de microfibra para óculos de sol.
Milhares de empresas estrangeiras estão indo para o Camboja por uma simples razão: não querem mais depender tanto das fábricas da China.
Os problemas se multiplicam rapidamente para os investidores estrangeiros na China. Os salários dos trabalhadores aumentaram drasticamente, quadruplicando na última década, pois o boom das fábricas coincidiu com a diminuição no número de pessoas interessadas em trabalhar nelas. Desde o ano passado, a mão de obra chinesa começou a diminuir, em consequência da política de um filho e do envelhecimento da população.
"Quase todo dia recebo telefonemas de empresas que querem vir da China para cá", afirmou Bradley Gordon, advogado americano em Phnom Penh.
 
Contudo, as multinacionais descobriram que, embora possam fugir do aumento dos salários chineses, é impossível escapar dessa tendência. A população, economia e até mesmo a produção energética da maior parte dos países do sudeste asiático é menor que a de muitas províncias chinesas e às vezes menor até mesmo que a de uma única cidade chinesa. À medida que as empresas se dirigem ao sul, elas ocupam rapidamente a mão de obra local, elevando o salário de todos.
O investimento estrangeiro direto no Camboja aumentou 70% no ano passado, em comparação com 2011 e embora os salários e benefícios ainda sejam inferiores ao que os trabalhadores precisam para ter moradias decentes e uma dieta balanceada, milhões de pessoas estão conseguindo sair da miséria.
"As pessoas que vivem ao longo do Rio Mekong estão saindo da pobreza com a ajuda de fluxos de investimento estrangeiro trazidos pelo aumento dos salários na China", afirmou Peter Brimble, economista sênior do Banco de Desenvolvimento Asiático no Camboja.
Apenas um pequeno grupo de empresas, a maior parte em setores de baixa tecnologia, como o têxtil e o de calçados, deseja sair completamente da China. Contudo, muitas outras empresas estão construindo novas fábricas no sudeste asiático para suplementar as operações na China.
Crescimento do mercado chinês
O crescimento do mercado doméstico chinês, sua grande população e a enorme base industrial ainda tornam o país atraente para muitas empresas, de forma que a produtividade aumenta na mesma velocidade dos salários em muitos setores na China.
Apesar disso, o investimento estrangeiro na China caiu 3,5% no ano passado, depois de aumentos constantes desde 1980, a não ser em 1999, durante a crise asiática, e em 2009, durante a crise financeira global.
Ainda assim, os US$ 119,7 bilhões estrangeiros investidos na China continuam a diminuir o volume de investimentos do resto do planeta. Em comparação, o investimento no Camboja cresceu para apenas US$ 1,5 bilhão.
Mas o ano passado foi a primeira vez desde que os registros começaram a ser feitos, nos anos 1970, que o Camboja recebeu um investimento estrangeiro per capita maior que o da China.
"Ninguém quer fugir da China, as empresas só querem opções para diminuir o risco", afirmou Bretton Sciaroni, outro advogado americano no país.
Entre as fábricas japonesas, a Sumitomo faz chicotes elétricos para carros, a Minebea faz peças para celulares e a Denso vai começar a produzir motores de partida para motocicletas. A fabricante de calçados europeia Bloch está presente no Camboja, e a Oakley produz capinhas para seus óculos de sol.
O investimento estrangeiro também aumentou drasticamente no Vietnã, na Tailândia, em Mianmar e nas Filipinas nos últimos anos.
Com o aumento na demanda por funcionários, as condições de trabalho na região começam a melhorar. A Practics —uma empresa belga que é a maior fabricante mundial de capinhas de microfibra para óculos de luxo— criou um programa de benefícios trabalhistas que antes era raro no Camboja, oferecendo seguro médico, seguro contra acidentes, bolsas de estudo e almoços gratuitos.
Uma vez que os custos são extremamente baixos no Camboja, onde uma consulta médica custa apenas alguns dólares, o salário médio ainda está abaixo dos US$ 130 dólares. Na fábrica da empresa nos arredores de Xangai, trabalhadores que fazem o mesmo trabalho ganham de US$ 560 a US$ 640 por mês, incluindo subsídios impostos pelo governo, afirmou Piet Holten, o presidente da empresa.
NYT/The New York Times
Trabalhadores pintam parede de uma nova fábrica no Camboja
Os trabalhadores cambojanos produzem de 15% a 30% menos capinhas por dia que seus colegas em Xangai, mas a produtividade no Camboja está aumentando. "Nunca vai ser igual à da China, mas os custos são dois terços mais baixos e a China só está ficando mais cara", afirmou Holten.
De forma geral, os salários de trabalhadores braçais aumentaram até 65% nos últimos cinco anos no Camboja, embora ainda sejam tão baixos que os cambojanos continuam entre os assalariados mais pobres da Ásia.
Há uma década, trabalhadores vinham em massa em busca de emprego nas novas fábricas de Phnom Penh, mas "hoje você diz que precisa de gente para trabalhar, mas ninguém aparece", afirmou Sandra D'Amico, gerente geral da HR Inc. Cambodia, uma empresa de recursos humanos.
No inverno passado, greves paralisaram inúmeras fábricas taiwanesas de roupas mais simples, como maiôs, no leste do Camboja, depois da chegada de fábricas japonesas de produtos mais sofisticados, como ternos e luvas —que oferecem salários maiores e mais benefícios.
Na Zona Econômica Especial de Phnom Penh, no centro do Camboja, a Minebea atrai funcionários por meio da construção de dormitórios modernos de quatro andares para até 2.000 pessoas, com seis camas por quarto e uma grande sala de recreação  —muito melhor que os barracos de compensado e telha de zinco onde ainda vivem milhões de cambojanos.
A unidade "Laurelton Diamonds" da Tiffany já colocou as estacas de demarcação de uma fábrica moderna de 8.826 metros quadrados do outro lado da rua para polir pequenos diamantes e está em busca de uma certificação internacional de "construção verde" para o projeto.
O número de funcionários na região dobrou este ano, chegando a 20.000 trabalhadores, e deve dobrar novamente para 40.000 nos próximos anos, afirmou Hiroshi Uematsu, diretor administrativo da zona.
Custos de moradia e alimentação
Céticos como David J. Welsh, representante do Centro de Solidariedade AFL-CIO no Camboja, afirmam que o aumento nos custos de moradia e alimentação impede muitos trabalhadores de se beneficiarem realmente do aumento nos salários.
Ken Loo, secretário-geral da Associação de Empresas de Confecção do Camboja, afirmou que o setor precisa resistir à demanda dos funcionários por aumentos salariais para que o país seja capaz de manter a competitividade internacional.
Tatiana Olchanetzky, consultora de empresas do setor de bolsas e malas, afirmou ter analisado os custos da mudança da China para Filipinas, Camboja, Vietnã e Indonésia. Ela descobriu que a economia total era pequena, uma vez que a China produz a maior parte dos tecidos, fechos, rodinhas e outros materiais necessários para a fabricação de malas, e que teriam de ser enviados para a montagem dos produtos.
Contudo, algumas fábricas decidiram se mudar de toda forma, a pedido de clientes ocidentais que não querem depender de um único país.
Embora exista um risco em se instalar em um país cuja rede de suprimentos é desconhecida, Olchanetzky afirmou: "Eles acreditam que também seja um risco continuar na China".

Brasil e Andorra apoiam que Cúpula Ibero-Americana se reúna a cada dois anos

 

 
 Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, e de Andorra, Gilbert Saboya Sunyé, apoiaram nesta terça-feira a proposta de que a Cúpula Ibero-Americana passe a ser realizada a cada dois anos e não anualmente como foi até agora.
"Seria uma forma de racionalizar os trabalhos" da cúpula e nos anos em que não houver reuniões entre chefes de Estado e de Governo, haveria encontros ministeriais, declarou Patriota aos jornalistas após uma reunião privada com Saboya Sunyé.
O ministro de Andorra disse, por sua parte, que o principado também "vê com muito agrado" essa proposta que é analisada no seio da comunidade ibero-americana, integrada por Espanha, Portugal, Andorra e os países da América Latina.
Essa possibilidade começou a ser tratada durante a última Cúpula Ibero-Americana, realizada em novembro na cidade espanhola de Cádiz, na qual foi decidido criar um Grupo de Reflexão para estudar o assunto.
À frente desse grupo está o ex-presidente chileno Ricardo Lagos, que em uma recente visita à Brasília, considerou que a próxima reunião ibero-americana, que será no Panamá em outubro deste ano, pode ser "a última" realizada anualmente.
Segundo Lagos, a ideia é que a Cúpula Ibero-Americana, que já tem 22 edições, se alterne com a cada dois anos e reúna os chefes de Estado e do Governo da União Europeia e América Latina.
A decisão final será adotada nos próximos meses, nos quais também será analisado que será osucessor do uruguaio Enrique Iglesias à frente da Secretaria-Geral Ibero-Americana (Segib), que deve ser eleito durante o próximo ano.
Ademais os dois governos , fizeram um tratado a respeito de turismo .
Andorra recebeu mais de 50 mil russos no ultimo ano , além de ser um paraiso fiscal e também um excelente local para esquiar