sábado, 19 de outubro de 2013

Principado da Europa investe R$ 20 milhões no arroz gaúcho

 

 



Com potencial a ser literalmente saboreado, o mercado de sementes híbridas de arroz irrigado no Estado, responsável por com 65% da safra do grão no País, está na mira da realeza de Liechtenstein. A família real do principado, localizado na região europeia dos Países Baixos, é a maior acionista da empresa Ricetec, que produz a matéria-prima hoje em 60 mil hectares do território gaúcho e colocará em operação, no segundo semestre de 2014, seu segundo centro de pesquisa do País, desta vez em Santa Maria. O outro fica em Rondônia. O projeto envolverá investimento de R$ 20 milhões.

O príncipe Constantin von Liechtenstein, CEO da fundação Príncipe de Liechtenstein, Vaduz & Vienna, gerencia o negócio pela família e projetou, nesta quarta-feira, em Porto Alegre, os planos para os próximos cinco anos. A empresa, com sede no Texas (EUA), já começou a construir estação em Santa Maria. O projeto foi cogitado em 2005, quando o pai do príncipe Hans-Adam II visitou o Estado e se reuniu com o então governador Germano Rigotto.

Constantin informou que a companhia investirá US$ 170 milhões até 2018, a maior parte para desenvolver variedades para o mercado indiano. Segundo o acionista, parte da cifra será aplicada no Brasil e demais países do Mercosul. “A intenção é dobrar a participação no mercado de sementes em cinco anos no Mercosul”, adiantou o príncipe. Na região, a Ricetec detém 7% da venda de sementes híbridas.

A estação de Santa Maria será erguida em uma área de 200 hectares. As instalações de laboratórios e escritório ocuparão pouco mais de 2 mil metros quadrados. A maior parte da área será ocupada pelos experimentos. Sobre a aposta em mercado local, o príncipe evitou dimensionar o porte futuro. “É difícil apontar o tamanho do crescimento e mercado a buscar (da Ricetec), mas estamos nos preparando para colocar bons produtos e com muito valor para os produtores”, adiantou Constantin.

O diretor-geral da empresa para o Mercosul, o engenheiro-agrônomo Ricardo Bendzius, ressaltou as vantagens de sementes híbridas, como menor uso de nitrogênio (um dos componentes essenciais de fertilizantes) e ciclo mais curto de desenvolvimento, que reduz a demanda por água. “A tolerância a doenças faz com que o agricultor use menos pesticidas”, observa Bendzius. Segundo ele, os arrozeiros gaúchos serão beneficiados com os experimentos, já que as sementes serão adaptáveis às lavouras do Estado, tornando-se mais resistentes a pragas e obtendo maior produtividade. O custo dos híbridos em relação à variedade pode ser até 12% menor do que as opções convencionais, segundo as fontes.

Presidente Cabo Verde exorta comunidades no Benelux a serem "embaixadores" do país

 
O Presidente da República de Cabo Verde exortou hoje, em Roterdão, Holanda, as comunidades cabo-verdianas na Europa a serem “embaixadores” do país e “um bom rosto do país”, integrando-se nas sociedades onde vivem, mas sem esquecer as suas raízes.
Mundo

Jorge Carlos Fonseca, que hoje à noite manteve um longo encontrou com a comunidade cabo-verdiana em Roterdão – uma das mais significativas na Europa -, referiu que a principal mensagem que deixa aos emigrantes é que estes devem ser o “rosto” de Cabo Verde no exterior, sendo profissionais no seu trabalho, participando ativamente nas sociedades onde estão inseridos, mas ajudando também o seu país de origem através de "investimento direto e aplicação das suas poupanças”.
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Dessa forma, indicou, é possível participarem “no processo de desenvolvimento do país, da sua ilha de nascimento ou do conselho onde nasceram”, respondendo assim também a questões nesse sentido colocadas por alguns emigrantes durante o período de perguntas e respostas do encontro realizado no World Trade Center de Roterdão, com sala cheia.
“O país está a desenvolver-se, o país está a crescer, o país que temos hoje não tem nada a haver com o país que nós herdámos da independência. O país é hoje uma democracia muito respeitada e credibilizada em África, na Europa, na América, em todo o lado. O que as comunidades devem fazer é serem, no país onde estão, embaixadores de Cabo Verde, serem o rosto, e um bom rosto do nosso país”, disse.
Segundo o chefe de Estado, tal pode ser alcançado se forem “bons trabalhadores, bons empresários, bons médicos, bons quadros, e também participarem ativamente nas sociedades onde estão integradas, socialmente, culturalmente e, se possível, politicamente”, pois “essa também é uma forma de uma sua melhor integração, e seria também um elemento importante para reforçar as relações com as autoridades da Holanda, do Luxemburgo e da Bélgica”, os três países do Benelux, que visitou nesta sua deslocação à Europa.
Jorge Carlos Fonseca comentou que não é por acaso que, mesmo não estando “numa visita de Estado, mas sim de trabalho”, foi “recebido pelo rei da Holanda, pelo primeiro-ministro do Luxemburgo, pelo Grão-Duque do Luxemburgo, pelo presidente do parlamento belga, pelo presidente da Comissão Europeia e pelo presidente do Conselho Europeu”.
“É porque dão crédito ao chefe de Estado de um país que se chama Cabo Verde”, sublinhou.
Dirigindo-se às centenas de cabo-verdianos que marcaram presença no encontro, o presidente de Cabo Verde sublinhou a importância dos encontros de alto nível mantidos durante esta sua deslocação à Europa – incluindo com o “velho conhecido” Durão Barroso, e aquele que terá lugar quinta-feira de manhã, e que reconheceu aguardar com particular expetativa, porque “rei é rei”, disse, arrancando um coro de gargalhadas –, mas garantiu que “os encontros mais gratificantes são com os cabo-verdianos que estão fora” do país.

Passagem do tufão Usagi faz 36 mortos no Vietname e Camboja

 


Pelo menos 36 pessoas morreram no Vietname e no Camboja vítimas das cheias provocadas pelas chuvas torrenciais que têm acompanhado o tufão Usagi. Aquela que é uma das mais poderosas tempestades tropicais do ano tinha já deixado um rasto de destruição na China, Filipinas e Taiwan.
Apesar de o tufão não ter passado sobre o Vietname e o Camboja, a sua influência fez-se sentir nos últimos dias ao agravar a força das chuvas. Segundo o balanço mais recente das autoridades vietnamitas, as regiões Centro e Sul do país foram fortemente afectadas por inundações que devastaram campos agrícolas e aldeias. Pelo menos 24 pessoas morreram e seis são dadas como desaparecidas.
No Camboja, as baixas pressões criadas pelo tufão provocaram também chuvas intensas, que levaram à subida das águas do rio Mékong, que acabaram por inundar várias províncias. O comité nacional de gestão de catástrofes,  indica que as cheias fizeram pelo menos 12 mortos, incluindo seis crianças com menos de seis anos.
Na última semana, o Usagi deixou um rasto de destruição à sua passagem por Taiwan e pelas Filipinas. Nos dois países, o tufão deixou um rasto de devastação, com cheias, vários edifícios danificados, aluimentos de terras, estradas intransitáveis, zonas sem electricidade e linhas de comunicação interrompidas.
Acompanhado por chuvas torrenciais e rajadas de vento que atingiram os 165 quilómetros por hora, as consequências do Usagi levaram ainda à morte de 25 pessoas no Sul da China. As condições meteorológicas chegaram mesmo a obrigar ao encerramento do aeroporto de Hong Kong. Esta terça-feira, as ligações aéreas eram ainda realizadas com atraso.
Esta região da Ásia é frequentemente afectada por tempestades tropicais. Há um ano, o tufão Bopha deixou também um rasto de destruição nas Filipinas, fazendo pelo menos 1800 mortos e deixando várias pessoas desaparecidas. Em Agosto de 2009, o tufão Morakot matou 600 em Taiwan. Em Hong Kong as vítimas mortais são mais raras, com o último balanço mais trágico a remontar a 1971, quando 110 pessoas morreram com a passagem do tufão Rose.

Rei do Camboja preside sessão do novo Parlamento no país

 

 

 


O Rei Norodom Sihamoni presidiu nesta segunda-feira (23) a sessão de abertura da Assembleia Nacional cambojana para a nova legislatura apesar do boicote dos deputados da oposição, que exigem que se averigúe suas denúncias de fraude eleitoral.
Diplomatas estrangeiros foram convidados para a sessão inaugural na qual só participaram os 68 deputados do governante Partido do Povo do Camboja (PPC), do primeiro-ministro Hun Sen.
 
    O opositor Partido para o Resgate Nacional do Camboja (PRNC), a quem a Comissão Eleitoral designou 55 cadeiras - apesar de a legenda sustentar que ganhou as eleições com 63 -, rejeitou participar ao não alcançar um acordo com o PPC para investigar as denúncias de fraude nas últimas eleições.
    O porta-voz do departamento de comunicação do Conselho de Ministros, Ek Tha, disse à Agência Efe que o boicote da oposição não terá nenhum efeito porque o PPC se basta para alcançar a metade mais um dos 123 deputados que a lei exige para permitir a atividade parlamentar.
    "O partido governante está concentrado em seguir com o desenvolvimento do país e se a oposição não quer vir (ao Parlamento) não podemos fazer nada a respeito, não podemos forçá-los", acrescentou o porta-voz.
    O início da quinta legislatura após o restabelecimento da democracia em 1993 aconteceu no meio de um forte desdobramento das forças de segurança, que bloquearam os acessos de vários prédios governamentais da capital, incluindo a Assembleia Nacional e o Palácio Real.

    Príncipe cambojano em greve de fome por resultados eleitorais

     

     
    Um príncipe cambojano, primo do rei Norodom Sihamoni e membro da oposição, iniciou nesta sexta-feira uma greve de fome para pedir justiça aos eleitores do país após a questionada vitória do primeiro-ministro Hun Sen nas eleições.
    "Estarei em greve de fome até que se chegue a uma solução para fazer justiça ao povo, ou seja, aos eleitores", declarou à imprensa o príncipe Sisowath Thomico, membro do Partido de Salvação Nacional do Camboja (CNRP) do líder opositor Sam Rainsy.
    O príncipe, que iniciou sua greve em um templo de Phnom Penh, acusou o Partido do Povo Cambojano (CPP) de Hun Sen de ter organizado um "golpe de Estado frio" e de buscar um conflito entre o povo e o rei.
    Segundo os resultados oficiais das eleições legislativas de 28 de julho, o CPP conquistou 68 assentos contra os 55 do CNRP. Mas este último reivindica a vitória, exige uma investigação independente das fraudes, que considera maciças, e prometeu boicotar a primeira sessão do parlamento de segunda-feira se esta reivindicação não for atendida.
    "Não participaremos da sessão de 23 de setembro", declarou Sam Rainsy nesta sexta-feira durante uma coletiva de imprensa.
    "Se a sessão de 23 ocorrer sem o CNRP, constituirá uma violação da Constituição", acrescentou.
    Há vários dias, o rei Norodom Sihamoni enviou uma carta aos 55 deputados da oposição pedindo que renunciem ao boicote em nome da unidade nacional.
    Rainsy e Hun Sen se reuniram várias vezes durante os últimos dias e seus partidos afirmam que foram realizados progressos para resolver a crise política, embora a criação de uma comissão de investigação sobre as fraudes continue sendo um obstáculo.
    No último domingo, a capital viveu violentos confrontos que deixaram um morto e vários feridos à margem de uma manifestação da oposição que reuniu 20.000 pessoas.

    Abominável Homem das Neves parente de urso polar

     
    O lendário Ieti, um suposto animal de grande tamanho que vivia na neve das cordilheiras dos Himalaias, é na realidade um parente dos ursos polares primitivos, segundo um estudo genético elaborado na Universidade de Oxford (Reino Unido).
     
    O professor de genética humana Bryan Sykes analisou amostras de pelo de dois animais por identificar recolhidas em Ladakh (India) e no Butão e determinou que o seu ADN coincide a cem por cento com uma mandíbula de urso polar encontrada em Svalband (Noruega) que terá entre 40.000 a 120.000 anos de antiguidade.
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    O fóssil encontrado na Noruega data de uma época em que os ursos polares e os ursos pardos estavam a separar-se em duas espécies distintas.
    "Acredito que esse urso, que ninguém viu vivo, seria este e teria muito de urso polar", afirmou Sykes à cadeia britânica BBC.
    A amostra de Ladakh provinha de restos mumificados de uma criatura que um caçador capturou há 40 anos, enquanto a segunda amostra era um único cabelo que foi recolhido numa zona de bambu por uma expedição de documentaristas há uma década.
    O investigador sublinhou que o mito de Ieti, um animal peludo com o qual muitos habitantes dos Himalaias asseguraram ter-se encontrado durante séculos, poderia ter "uma base biológica".
    "No entanto, há muito trabalho a fazer para interpretar estes resultados. Isto não quer dizer que há ursos polares primitivos vagueando pelos Himalaias. É possível que se trate de uma subespécie de urso pardo que descenda dos ursos polares", referiu o investigador.
    A lenda de Ieti popularizou-se na Europa depois de em 1951 o explorador britânico Eric Shipton publicar a fotografia de uma enorme pegada que havia encontrado na base do monte Everest.
    O alpinista italiano Reinhold Messner, a primeira pessoa que conquistou os 14 cumes de mais de 8.000 metros, empenhou esforços para encontrar o Ieti, depois de um suposto encontro com essa criatura no Tibete, em 1986.
    O montanhista trouxe à luz um manuscrito tibetano de 300 anos em que se lê "O Ieti é uma espécie de urso que vive nas regiões montanhosas inóspitas", uma teoria em linha com o estudo do geneticista da Universidade de Oxford.
    O lendário Ieti, um suposto animal de grande tamanho que vivia na neve das cordilheiras dos Himalaias, é na realidade um parente dos ursos polares primitivos, segundo um estudo genético elaborado na Universidade de Oxford (Reino Unido).

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    Novo líder do Butão quer realizar objetivos concretos

     

     

     
      Acho que posso ganhar se jogar basquete mano a mano com o Presidente Obama. Eu tenho umas jogadas especiais — disse o recém-eleito primeiro-ministro do Butão em uma entrevista recentemente.
    O primeiro-ministro, Tshering Tobgay, tem 10,2 centímetros a menos do que Barack Obama, por tanto, ganhar do presidente dos Estados Unidos na cesta pode ser difícil. Entretanto, depois de sua eleição surpresa este ano, quase ninguém no sul da Ásia duvida que ele tenha jogadas especiais. E ele é conhecido por sua garra.
    Quatro anos atrás, enquanto competia na primeira edição da Turnê do Dragão, considerada a corrida de mountain bike de um dia mais difícil do mundo, ele caiu e quebrou a mandíbula depois de pedalar 67,6 km. Sentindo uma dor absurda, ele subiu na bicicleta e pedalou até o fim da corrida – cerca de outros 200 km.
    Tobgay, de 48 anos, era um de apenas dois membros da oposição, escolhidos pelos eleitores na primeira eleição parlamentar do Butão, em 2008, e poucos lhe deram até mais do que chances de derrubar o Partido da Paz e da Prosperidade do Butão no segundo turno da eleição nacional, em julho.
    Vários fatores foram de encontro a ele, incluindo uma crise cambial em 2012 e ameaças da Índia, bem antes da votação para retirar o vital apoio financeiro. No entanto, muitos analistas dão a Tobgay o crédito de concorrer em uma campanha excepcionalmente disciplinada que incluiu um longo manifesto de promessas específicas. Seu Partido Democrático do Povo levou 32 dos 47 lugares, uma vitória retumbante.
    Filho de um soldado, Tobgay foi mandado a um internato perto de Darjeeling, Índia, quando tinha 5 anos. Depois de se formar no ensino médio, ele ganhou uma bolsa do governo para frequentar a Universidade de Pittsburgh, onde recebeu um diploma de engenheiro mecânico. Em 1991, ele se tornou funcionário público no Ministério da Educação do Butão, mas deixou o serviço público em 2007 para mergulhar na política. Ele é casado e tem dois filhos.
    Agora, ele dirige um país de 725 mil pessoas no meio de uma das transformações mais completas do mundo. O sistema feudal do Butão permaneceu até 1953, e sua primeira estrada foi construída em 1962.
    — Nos últimos anos, nós nos transformamos além do imaginável – politica, econômica e socialmente — disse Tobgay.
    Ele abandonou, em grande parte, a medida de Felicidade Interna Bruta (FIB) característica do país, uma alternativa para o Produto Interno Bruto. Apresentado em 1972 pelo rei Jigme Singye Wangchuck, o FIB foi visto como uma maneira de equilibrar a entrada gradual da modernidade no país com o esforço de preservar as tradições.
    O antecessor de Tobgay, Jigme Thinley, viajou o mundo promovendo a medida de felicidade, tornando-se figura popular entre os acadêmicos e literatos ocidentais, mas não tanto entre seus compatriotas.
    O leque de promessas modestas de Tobgay, durante a campanha eleitoral, incluiu um cultivador motorizado para cada vila e um veículo utilitário para cada distrito. Felicidade não estava na lista.
    — Ao invés de falar sobre a felicidade, nós queremos trabalhar na redução de obstáculos até a lá — disse ele.
    Esses obstáculos permanecem substanciais, incluindo uma crescente dívida nacional e o alto desemprego. A infraestrutura do Butão, ainda lamentavelmente inadequada, foi criada praticamente inteira por empresas e trabalhadores indianos. No começo, o Butão dependia da Índia porque poucos butaneses tinham as habilidades necessárias. Agora, uma geração mais educada e urbanizada está recusando trabalhos em construções como abaixo disso.
    — Resumindo, nós temos que trabalhar ainda mais duro. Nós precisamos plantar nossa própria comida, construir nossas próprias casas — disse Togbay.
    Ele lamentou que tantos jovens do Butão estivessem voluntariamente desempregados.
    — Se pudermos reestruturar o setor de construção para torná-lo mais atraente, isso geraria um monte de empregos. —
    As principais indústrias do país são a energia hidrelétrica, exportada para a Índia, e o turismo. Enquanto a maioria da população ainda está envolvida com agricultura de subsistência, um crescente número de pessoas estão abandonando suas tradicionais casas de família de barro e madeira em vilas isoladas e se mudando para povoados e cidades do país.
    — Quem quer trabalhar com agricultura de subsistência, acordar às 4h e carregar água sem precisar? — perguntou Paljor Dorji, membro da família real e conselheiro de longa data do antigo rei.
    — Uma vez que você educa as pessoas, ninguém vai viver a mesma vida miserável que os pais viveram. —
    Entre 2005 e 2012, mais de 1,3 mil prédios foram construídos na capital do Butão, Thimphu, e eles agora abrigam praticamente dois terços dos 116 mil moradores da cidade.
    Diferente da maioria das cidades no sul da Ásia, Thimphu está se desenvolvendo com diretrizes precisas, que incluem rodovias adequadas, esgotos e escolas. A cidade pede que todos os prédios incorporem elementos da arquitetura tradicional butanesa como telhados inclinados, janelas diferentes e projeções nos andares superiores, tornando a cidade como uma miniatura de Vail, no Colorado.
    Thimphu é uma cidade agradável para caminhar, com nenhum dos viveiros caóticos presentes em muitas cidades indianas. Seu povo é alegre, seus comerciantes não mostram a agressividade comum no sul da Ásia e até os cachorros vira-lata parecem bonzinhos. Não há favelas.
    Tobgay eliminou algumas restrições impostas pelo governo anterior, incluindo proibições ocasionais no tráfego de veículos e um código de vestimenta exigindo que homens usassem um ghos – traje tradicional que lembra um vestido. Ele reconhece que preservar a cultura tradicional do país seria um desafio em uma era de urbanização rápida.
    A família real do Butão é reverenciada, e críticas à realeza permanecem como algo inimaginável. Contudo, há uma mídia nacional alegre, e as muitas, e crescentes, instituições democráticas e educacionais tornaram o Butão o queridinho do desenvolvimento e das organizações financeiras não governamentais.
    — Butão é uma história de sucesso excepcional. É um raio de luz no sul da Ásia, e estabelece uma nova referência quando falamos com outros países — disse Sekhar Bonu, do Banco Asiático de Desenvolvimento.
    Tobgay disse que uma de suas principais prioridades foi reprimir a corrupção política em curso. O governo anterior estava considerando medidas que teriam enfraquecido a agência anticorrupção do país mas, Tobgay, que recusou a limusine e as acomodações luxuosas de seu antecessor, disse que planeja reforçá-las.
    — Se a corrupção entrar e se enraizar, estaremos perdidos. Precisamos nos assegurar que as regras da lei prevaleçam — disse Tobgay.
    Ele planeja fazer um programa de rádio semanal para onde as pessoas possam ligar, realizar coletivas de imprensa e ter horários durante o expediente nos quais as pessoas podem chegar e reclamar. Ele tem um blog, uma conta no Twitter e usa com frequência o Facebook.
    — Me adicione — disse ele com um sorriso arteiro.
    Thinley, ex-primeiro-ministro, fez lobby por uma cadeira não permanente no Conselho de Segurança da ONU, abriu novas embaixadas e manteve conversas com a China, esforços que alarmaram a Índia. Tobgay já prometeu acabar com grande parte desse alcance internacional.
    — Abrir embaixadas custa caro. Nós precisamos entender que somos pobres — disse ele.
    Ele mostrou clara preferência pela Índia, que dá uma assistência financeira considerável ao Butão, em relação à China.
    — A amizade entre a Índia e o Butão transcende partidos políticos e personalidades —disse com um certo zelo. Quando questionado sobre o outro vizinho do país, ele pareceu desanimado.
    — Nós nos envolvemos com a China. É uma realidade. —
    E, enquanto ele pretende gastar pouco tempo com assuntos internacionais, ele disse que faria uma exceção para jogar basquete com Obama.
    — Eu preciso praticar minha cesta de três pontos, afiar meus cotovelos e fortificar meus ombros — disse ele com um entendimento claro da diplomacia estrangeira. Os Estados Unidos são "uma superpotência então, minha única chance é no mano a mano."