quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Rajoy diz que há «muitas diferenças» entre Escócia e País Basco


 
 
Mariano Rajoy foi hoje questionado pelo Partido Nacionalista Basco no Congresso de Deputados sobre a posição de Espanha numa possível integração da Escócia na União Europeia, caso o «sim» vença no referendo de amanhã.

O chefe do Governo disse que há «muitas diferenças» entre esse processo e o espanhol, já que a Escócia quase não tem competências próprias, comparativamente com as que gozam comunidades como a Catalunha e o País Basco.

Rajoy sublinhou que à Escócia não se aplicaria nem a livre circulação de pessoas, capitais e serviços, nem a moeda nem os programas de apoio europeu ou as medidas do Banco Central Europeu (BCE).

Para o dirigente espanhol, a União Europeia dará «muito poucas facilidades» a quem se torne independente e depois pretenda integrar-se nos 28.
 

Líder separatista Alex Salmond garante seu lugar na história da Escócia



 Alex Salmond, impulsionador de uma Escócia independente, tem razões para estar satisfeito com o seu referendo separatista que decidirá o destino de seu país: no melhor dos casos, obterá uma vitória histórica e, no pior dos cenários, conseguirá grandes concessões por parte de Londres.
O ex-funcionário e ex-economista do Royal Bank of Scotland pode, legitimamente, aspirar a alcançar, aos 59 anos, o sonho de uma vida.
Se em 18 de setembro o "Sim" vencer, ele será o pai da independência, enquanto que, se o "Não" sair vencedor, seus adversários se comprometerão em dar maior autonomia ao governo regional que lidera.
O separatista que abalou Londres e que faz os nacionalistas sonharem fala enfaticamente de seu projeto para uma nação de 5,3 milhões de pessoas, um futuro distante da Inglaterra, do País de Gales e da Irlanda do Norte, fora do Reino Unido.
Ele pretende "libertar os escoceses" de três séculos de União; romper "as algemas" que unem Edimburgo a Westminster, o Parlamento britânico em que beneficiou de um assento entre 1987 e 2010; presidir "um dos mais menores países mais ricos do mundo". Um país que seguirá o modelo social-democrata escandinavo, membro da UE e da Otan, mas sem armas nucleares. Rico como a Noruega e a Suíça, graças ao ouro negro do petróleo do Mar do Norte e o âmbar dourado, o uísque.
Contra os separatistas, que antes zombavam de seu sonho e que hoje o temem, proclama: "Nossa hora chegou, nada pode nos deter."
Seus partidários elogiam sua determinação e habilidade política. Seus opositores o veem como arrogante, misógino e com uma propensão ao populismo.
No entanto, a imprensa britânica concorda em ver nele um dos políticos mais talentosos de sua geração.
Puro produto escocês
Nascido no último dia de 1954 em um bairro de classe operária de Linlithgow, perto de Edimburgo, Alexander Elliot Anderson Salmond é um produto local puro como evidenciado por seu sotaque e bacharelado, em economia e história medieval pela prestigiosa Universidade de St. Andrews.
Sua sorte mudou em 1990, quando então deputado pelo Banff y Buchan assumiu as rédeas do marginal Partido Nacional Escocês (SNP). O converteu em centrista, quatro anos antes de Tony Blair fazer da "máquina trabalistas de perder" o glamouroso "New Labour".
David Torrance, autor de "Salmond: Against the Odds" (Salmond, contra todas as probabilidades), traça um paralelo entre os dois escoceses, dois homens mais pragmáticos do que dogmáticos. Para eles, "o que importa é o que funciona".
Em 2000, o SNP registrou um revés nas eleições para o Parlamento regional em Holyrood, recuperado pelo governo Blair, em nome da descentralização.
Alex Salmond deixou a liderança do seu partido "para sempre". "Eu mudei de ideia", disse ele com calma quatro anos depois.
Eleito primeiro-ministro regional em 2007, dominou o heterogêneo SNP com um punho de ferro. Deliberadamente provocador, lembrou que seu pai era um admirador do ditador soviético Joseph Stalin.
Em 2011, o SNP finalmente ganhou a maioria absoluta no Parlamento escocês.
Salmond, que recrutou para sua causa o ator Sean Connery e que cultiva amizade com magnatas como Rupert Murdoch e Donald Trump, exigiu um referendo. E ele conseguiu.
Anti-Westminster
De acordo com seus colegas, ele tem "um temperamento explosivo" e um senso inato de proferir as palavras mais ofensivas e contundentes. Sua piada política favorita? "Há mais pandas gigantes (dois) no Zoo de Edimburgo que deputados conservadores para a Escócia". Na verdade, apenas um sobreviveu ao tsunami SNP.
Salmond carrega contra ele o "establishment" de Westminster, como é conhecido no Parlamento britânico e no mundo político de Londres, mas nega qualquer sentimento anti-britânico. Apesar de supostamente ser republicano, prometeu manter a rainha Elizabeth como soberana.
Comunicativo, não diz nada sobre sua vida privada. Sua esposa Moira, 17 anos mais velha que ele, raramente aparece ao seu lado. O casal não tem filhos.
Suas paixões? Ama corrida de cavalos e por um tempo fez previsões para um jornal de Glasgow. Desfruta com um bom vinho Bordeaux, o curry, e é fã de futebol, torcendo para o Hearts.
Também gosta de cantar. Com uma predileção por "Scots Wha Hae", que narra a vitória escocesa sobre os ingleses na Batalha de Bannockburn, há 700 anos.

Escócia: indecisos podem definir futudo do país

 


A dois dias do referendo sobre a independência da Escócia do Reino Unido, os grupos defensores e contrários à cisão tentavam convencer eleitores indecisos. O grupo contrário à independência argumenta que a separação pode levar a economia a entrar em parafuso, enquanto os defensores do "sim" acusam seus oponentes de alarmismo.
Após uma pesquisa indicar um aumento das intenções de voto para o "sim", a campanha pelo "não" luta para persuadir a polução de que a Escócia vai conquistar mais autonomia se não se separar do Reino Unido.
O primeiro-ministro David Cameron, o líder dos Trabalhistas Ed Miliband e Nick Clegg, do Partido Liberal Democrata, assinaram um compromisso nesta terça-feira, publicado no jornal Daily Record, prometendo aos escoceses "novos amplos poderes", o que inclui autoridade fiscal, se eles escolherem o "não".
Douglas Alexander, político do Partido Trabalhista, disse que o voto no "não" significa "mudanças mais rápidas, melhores e mais seguras para a Escócia", enquanto a independência levaria a "riscos, incertezas e custos". "A apenas 48 horas do referendo, eles não podem sequer nos dizer qual moeda usarão", disse Alexander aos partidários do "não" no bairro financeiro de Edimburgo.
O governo pró-independência escocês diz que a Escócia vai continuar a usar a libra esterlina, mas o governo britânico insiste que não vai concordar com a união monetária.
A campanha pelo "sim" diz que as promessas de novos poderes são vagas e revelam o desespero dos partidários do "não".
"Esta oferta desesperada de última hora não vai dissuadir o povo da Escócia de que tem uma enorme oportunidade de tomar o futuro do país nas mãos na próxima quinta-feira", declarou o primeiro-ministro escocês, Alex Salmond, à BBC.
Pesquisas de opinião sugerem que o resultado será apertado e que as centenas de milhares de eleitores que ainda não decidiram por um dos lados podem determinar se a Escócia vai deixar ou não a união de 307 anos com a Inglaterra.
Para alguns eleitores, as preocupações com a insegurança econômica e a perda de empregos são razões fortes o bastante para rejeitar a independência.
O empresário do setor imobiliário Alex Watts diz que investidores internacionais estão colocando em espera projetos e compras na Escócia por causa da incerteza sobre a votação. "O que a indústria imobiliária na Escócia precisa é mais certeza e estabilidade", disse ele. "Por que deveríamos correr o risco? A Escócia não é o único lugar para se investir."
Outras pessoas, porém, dizem que a campanha negativa dos políticos favoráveis ao "não" os levaram a escolher o "sim".
"Em vez de dizer por que deveríamos ficar juntos, eles estão tentando nos assustar para que não nos separemos", disse Mike Smith, que vende produtos de couro numa barraca na Royal Mile, em Edimburgo. "Se é isso que eles estão fazendo agora, o que farão no restante do tempo?"

Além da Escócia, outras regiões europeias cultivam tendências separatistas

 

Catalunha, País Basco, Flandres: várias regiões desejam, em maior ou menor grau, obter independência ou ao menos mais autonomia. Votação na Escócia pode fortalecer essa chama.
No Leste Europeu, a desintegração da União Soviética e da Iugoslávia resultou na criação de muitos países. No oeste, entretanto, as fronteiras semprem pareceram estar fixas. É verdade que houve tendências separatistas, algumas delas violentas, mas essas iniciativas jamais tiveram chances reais de atingir seus objetivos.
Essa situação poderá mudar em breve, com o referendo sobre a independência da Escócia marcado para 18 de setembro. Londres já afirmou que respeitará a vontade dos escoceses de sair do Reino Unido, se assim ficar decidido. Pesquisas indicam que uma vitória do "sim" é possível. Caso aconteça, ela poderá desencadear uma série de outros movimentos pela independência no continente.
Escócia
A união entre a Escócia e o Reino Unido, que já dura mais de 300 anos, poderá chegar ao fim caso a maioria dos escoceses opte pela independência no referendo marcado para 18 de setembro. A pergunta direta a ser respondida com "sim" ou "não" sobre a secessão poderia nem ter sido necessária, caso o governo britânico tivesse permitido uma terceira opção, oferecendo maior autonomia ao país. É bem provável que a maioria dos escoceses optasse por essa possibilidade.
No entanto, Londres não considerou essa terceira opção, presumindo que a possibilidade de uma independência total assustaria a maioria dos escoceses. Esse plano pode ir por água abaixo. Se a maioria optar pelo "sim", a Europa testemunhará o renascimento de um Estado escocês já em 24 de março de 2016.
Manifestação em prol do referendo na Catalunha, em 2014
Catalunha
Em nenhuma outra região europeia o "vírus" escocês pela independência poderá ser mais contagioso do que na Catalunha. Durante a ditadura do general Francisco Franco na Espanha, de 1936 a 1975, o idioma catalão chegou a ser proibido. Atualmente, a região possui alto grau de autonomia cultural e política, além de seu próprio parlamento regional.
Mas, para muitos catalães, isso ainda não é suficiente. Eles querem ter seu próprio Estado, principalmente por razões econômicas. O argumento é que a rica Catalunha estaria sendo sugada pelo Estado espanhol.
Desde o início da crise econômica, o número de apoiadores da independência catalã aumentou significativamente. O governo regional em Barcelona almeja a realização de um referendo, nos mesmos moldes do escocês, em novembro. Mas, ao contrário do governo britânico, Madri não está disposta a aceitar, o que torna o confronto inevitável.
País Basco
O nacionalismo e o idioma basco também foram oprimidos durante o regime de Franco. O País Basco se encontra em situação econômica pior do que a Catalunha. Por outro lado, uma minoria dos nacionalistas bascos exerce militância bem mais ativa. Em 50 anos de tentativas de separar a região da Espanha, a organização clandestina ETA já causou mais de 800 mortes.
Há três anos, o grupo abdicou formalmente da violência. No entanto, nem os ataques ou as negociações deixaram o País Basco próximo de realizar um referendo, menos ainda de obter a independência. Apenas o governo central da Espanha poderia realizar a consulta popular, o que Madri rejeita, da mesma forma que faz com a Catalunha.
A Nova Aliança Flamenga comemora êxito nas eleições parlamentares da Bélgica
Flandres
Nas mais recentes eleições parlamentares na Bélgica, a Nova Aliança Flamenga, sob o comando de Bart De Wever, se tornou a maior força política da região de Flandres. De Wever está convencido de que o Estado belga está, de um jeito ou~de outro, fadado ao desaparecimento e almeja iniciar negociações para a independência de Flandres.
O separatismo flamengo é um caso à parte. A Bélgica é composta por essa região, cujo idioma é o holandês; pela Valônia, que é de idioma francês e inclui uma comunidade de língua alemã; e por Bruxelas, oficialmente bilíngue.
Com a secessão de Flandres, a Bélgica perderia mais da metade de sua população e de seu poder econômico. Não sobraria muito do país. Um ponto controverso, nesse caso, é o papel de Bruxelas, sede da União Europeia e da Otan. Também é incerto o que poderia acontecer com a Valônia. Já houve rumores de que a região poderia aderir à França, Luxemburgo ou até à Alemanha. Apesar de tudo, os belgas conseguiram até hoje manter sua unidade intacta.
"Padania"
O movimento separatista do norte da Itália tem apenas uma motivação. A região, que conta com as províncias da Lombardia, Aosta, Piemonte, Ligúria, Veneza e Emília Romana, gera boa parte do PIB italiano com suas empresas, indústrias e bancos. Alguns afirmam que a Itália central e do sul desperdiça o dinheiro que se ganha tão arduamente no norte do país.
Nos anos 1990, o partido Lega Nord chegou a clamar pela secessão total da região que eles próprios denominaram de "Padania", nome derivado da planíce padana do vale do rio Pó. Nos dias de hoje, a Lega Nord está mais moderada. No momento, o grupo pede apenas que o norte possa reter três quartos do dinheiro gerado, em vez de transferi-lo primeiramente a Roma.
Córsega
Por muito tempo, o governo francês tentou apagar o idioma corso da vida pública e das escolas da ilha. As tentativas de conquista da autonomia sempre foram combatidas. Organizações militantes, principalmente o FLNC, tentaram por anos se libertar da França através da violência, atacando símbolos do Estado francês e casas de veraneio de cidadãos franceses continentais.
Neste ano, o FLNC anunciou que abriu mão da violência. Ainda assim, o potencial explosivo permanece. Em 2000, propostas de autonomia da ilha, durante o governo do socialista Lionel Jospin, enfureceram a oposição conservadora. Esta argumenta que, se a autonomia for concedida, outras regiões, como a Bretanha e a Alsácia, também poderiam exigir suas independências.
Tradicionalmente, Paris tem pouco respeito por idiomas regionais, uma vez que os políticos os consideram perigosos para a unidade do país.
O Tirol do Sul é uma região alpina da Itália, de forte presença alemã
Tirol do Sul
No caso do Tirol do Sul, prevalecem os fatores culturais e econômicos. A região pertencia ao Império Austro-Húngaro até o fim da Primeira Guerra Mundial, sendo, posteriormente, anexada à Itália. A língua majoritária é o alemão.
Após um período de "italianização" durante o regime de Benito Mussolini, o Tirol do Sul pôde conquistar maior autonomia política e linguística somente após a Segunda Guerra Mundial. A região, muito rica, tem permissão para reter grande parte de sua própria renda.
Por muito tempo, os cidadãos locais pareciam satisfeitos. Mas a crise da dívida nacional acendeu uma nova chama no movimento separatista. Após a Grécia, a Itália é o país mais endividado da zona do euro. Muitos sul-tiroleses que gozam de boa situação financeira preferem não ter nada que ver com os problemas italianos. Por esse motivo, cada vez mais pessoas almejam a separação de Roma.
Baviera
Poucos na Baviera levam a sério a fundação de um Estado próprio. A região, em seu nome oficial, já é chamada de "Freistaat Bayern", ou seja, Estado Livre da Baviera. O estado mais ao sul da Alemanha poderia sobreviver por conta própria, sendo o maior do país, com mais de 13 milhões de habitantes. A população bávara supera a de países como Suécia e Portugal. Além disso, o estado tem o melhor desempenho econômico do país.
Se o desejo por mais autonomia na Baviera emergir, será em razão do acordo financeiro que estipula que os estados mais ricos do país devem ajudar os mais pobres. Os bávaros gostariam de repassar menos dinheiro aos outros.
Há, de fato, separatistas bávaros. O político conservador Wilfred Scharnagel, da União Social Cristã (CSU) – partido que compõe a coalizão de governo da chanceler federal Angela Merkel – pede a separação da região do resto do país em seu livro Bayern kann es auch allein ("A Baviera também consegue sozinha", em tradução livre), de 2012. Mas, até o momento, não surgiu nenhum movimento separatista relevante.

Pela Escócia, líderes britânicos anunciam acordo; «O juramento»

 


David Cameron, primeiro-ministro e líder do Partido Conservador, Nick Clegg, vice-primeiro-ministro e líder do Partido Liberal Democrata e Ed Miliband, líder do oposicionista Partido Trabalhista, acertaram um acordo que visa reconhecer maiores poderes ao parlamento escocês, em caso de vitória do "não", que significaria uma Escócia ainda sob a soberania do governo britânico. As pesquisas apontam um empate técnico dias antes da votação que tem mexido com a política na Grã-Bretanha. 
O acordo também prevê a «divisão de recursos de maneira equilibrada» e o reconhecimento ao governo escocês sobre as decisões de financiamento do Sistema de Saúde britânico, o NHS, tema polémico em caso de independência do país. 
A decisão entre os líderes é mais uma medida usada para tentar convencer os escoceses em optar pela permanência do país sob asas britânicas.
Na segunda-feira, Cameron discursou e pediu o voto pelo "não". Disse que a Grã-Bretanha só se tornou o que é, devido à «grandeza da Escócia». Além do patriotismo, o primeiro-ministro também mandou recados temerosos aos favoráveis à independência, em caso de vitória do "sim", como a necessidade de renunciar à libra esterlina e de formar um exército próprio. 
«Deixar o Reino Unido será para sempre», declarou Cameron. 
Além dos políticos, celebridades entraram nas manifestações pela permanência da Escócia. Um deles é o ex-jogador David Beckham, que divulgou uma carta com a mensagem «O que nos une é maior do que o que nos separa.»
Entretanto, o primeiro-ministro escocês, Alex Salmond, chamou de «uma desesperada e vazia oferta de último minuto» o acordo entre o trio de líderes britânicos. «Essa proposta não vai dissuadir as pessoas que sabem da grande oportunidade em colocar o futuro da Escócia nas mãos da Escócia», disse Salmond.

Saiba o que muda no mundo se a Escócia deixar o Reino Unido

 

Depois da consulta à população, se a maioria decidir pela independência da Escócia, ela deve ser declarada em 24 de março de 2016; o referendo acontece na próxima sexta-feira (18)

Na próxima sexta-feira (18), os escoceses vão às urnas votar pelo futuro da nação. Os cidadãos precisam escolher se a Escócia deve se tornar um estado independente ou continuar a ser parte integrante do Reino Unido. Após 300 anos de união com a Inglaterra, a pergunta do referendo "A Escócia deve se tornar um estado independente?" pode alterar relações diplomáticas, econômicas, sociais que vão afetar profundamente as próximas gerações.
Depois da consulta à população, se a maioria decidir pela independência da Escócia, ela deve ser declarada em 24 de março de 2016. Antes disso, serão negociados com o governo britânico os termos da separação.
Algumas pontos que podem sofrer mudanças com a confirmação a separação da Escócia do Reino Unido:
1. Existem grandes chances de que o país seja excluído da União Europeia. Isso porque alguns países do bloco são totalmente contra conceder à Escócia os mesmos privilégios concedidos ao britânicos, como, por exemplo, não ser obrigado a adotar o euro como moeda oficial e não fazer parte da zona de Schengen, que abre as fronteiras para livre circulação de pessoas dos países membros. Na União Europeia, a saída dos escoceses também pode acabar enfraquecendo a influência dos britânicos.
2. A Escócia possui a maior parte das reservas de petróleo e gás do Reino Unido, constituindo 15% da economia. Entretanto, mais de dois terços do comércio exterior é destinado ao território britânico. A independência do estado pode afetar profundamente a economia das duas partes, impactando uma crise financeira, com as relações diplomáticas estremecidas.
3.  Royal Bank of Scotland e Lloyds, os dois maiores bancos escoceses, já anunciaram que caso seja confirmada a independência do estado, eles deixarão Edimburgo e irão mudar suas sedes para Londres. Além deles, outras empresas e instituições financeiras também demonstraram o mesmo interesse.
4.  Com relação a participação do Reino Unido na Otan, com a separação da Escócia, toda a estrutura bélica da marinha britânica instalada no país terá de ser transferida.
5. O país possui um primeiro- ministro e um Parlamento próprio, com 128 lugares. Para os políticos a favor da separação, uma Escócia independente pode dar total poder aos escoceses para tomarem as próprias decisões.
6. Já no que diz respeito ao papel da Rainha Elizabeth II, o Partido Nacional Escocês (SNP) disse que quer que a nova Escócia seja uma monarquia constitucional, com a rainha como sua soberana - como acontece no caso da Austrália ou do Canadá.

Referendo na Escócia: Nacionalistas flamengos da Bélgica apoiam independência escocesa

 

 
A caminho da Escócia, para dar todo o apoio aos que querem a independência, segue o belga flamengo Günther Dauwen, da organização European Free Alliance. Na bagagem leva a esperança de que o Sim vença e que o exemplo seja seguido noutras regiões do continente onde os movimentos separatistas estão a crescer.
Günther Dauwen defende que “o direito de escolha é um princípio universal da lei e os escoceses vão exercer esse direito. Esperamos, sinceramente que os catalães possam exercer o mesmo direito em breve. Independentemente do resultado, o direito de escolha tem de prevalecer.”
Para os escoceses, catalães e para os próprios flamengos. O debate na Bélgica é centrado, sobretudo, nas questões económicas: entre a rica região da Flandres e empobrecida região da Valónia. 58% dos 11 milhões de belgas é flamengo; 32% valão. Entre os flamengos há quem conteste a contribuição, considerada injusta, para a economia do país.
Muito perto de Bruxelas, na pequena cidade de Steenokkerzeel, o autarca Kurt Ryon pertente ao partido nacionalista flamengo e é tão a favor da independência da Escócia que decorou todo o gabinete com propaganda ao SIM e está preparado para festejar. Kurt Ryon garante que “estamos a fazer um grande caminho, o caminho da vitória. Mas estamos apenas no início. Queremos construir uma Flandres livre. Aprendemos muito com os escoceses e podemos seguir o exemplo quando fizermos o nosso referendo.”
Mas nas ruas da região as opiniões não são exatamente as mesmas e é mesmo difícil encontrar que defenda uma Flandres independente.
Uma flamenga entrevistada pela euronews afirmou mesmo que defende “a Bélgica, não a Flandres ou a Valónia. Quero as duas regiões juntas. Quero a Bélgica, gosto da Bélgica.” Uma outra cidadã da região lembrou que “a Escócia já era um país. A Flandres e a Valónia não. A Flandres até pertencia à Holanda. É um exemplo diferente que não abre um precedente para nós.”
Mas também há quem afirme que “como é “flamenga, deve dizer sim à independência escocesa.”
Para perceber melhor esta questão belga, a euronews entrevistou Dave Sinardet, professor de Ciência Política da Universidade Livre de Bruxelas.
Efi Koutsokosta, euronews:
“O que têm em comum o caso escocês e o caso flamengo?”
Dave Sinardet, professor de Ciência Política da ULB:
“Tal como na Escócia, no Quebeque ou na Catalunha, na Flandres existe um forte movimento nacionalista flamengo e o forte partido nacionalista flamengo. É o maior da Bélgica, depois das recentes eleições. Apoia oficialmente a independência, mas quer, pelo menos, mais autonomia para a comunidade flamenga da Bélgica. Não acredito que os nacionalistas da Flandres vão pedir um referendo. Acredito que já perceberam que o apoio à independência, mesmo na Frandres é pequeno, ainda que a separação esteja nos seus estatutos. Agora falam mais de confederalismo. Mas se olharmos para bem para a definição de confederalismo, podemos dizer que será uma espécie de independência da Flandres, mas sem lhe dar esse nome, uma vez que deixaria de existir uma constituição belga e passaria a existir algo parecido com um tratado entre a Flandres e a Valónia”.
Efi Koutsokosta, euronews:
“Encontra alguma explicação para o facto de se estarem a tornar cada vez mais populares na Europa os movimentos separatistas?”
Dave Sinardet, professor de Ciência Política da ULB:
“Acredito que tanto os nacionalistas escoceses como os nacionalistas flamengos conseguiram convencer as pessoas, não apenas aquelas que se interessam pelos nacionalismos, aqueles que acreditam que a identidade nacional e a cultura são importantes. Conseguiram também intrometer-se nos debates entre a esquerda e a direita.
Conseguiram colmatar algumas das frustrações que existem entre os eleitores da esquerda na Escócia, dentro do Reino Unido dominado pela política de direita….e dos eleitores de direita na Flandres, numa Bélgica dominada pela esquerda.
Mas acredito que hoje, num mundo globalizado e no contexto europeu, a soberania nacional tornou-se mais importante que há algumas décadas.”
Efi Koutsokosta, euronews:
“Se o sim ganhar na Escócia, qual será o impacto na região e na Europa como um todo?”
Dave Sinardet, professor de Ciência Política da ULB:
“Pode abrir-se um precedente. Fica provado que, de facto, é possível que uma região se separe do Estado a que pertence. É um precedente interessante para os movimentos nacionalistas, em primeiro lugar para a Catalunha, a região quer realizar um referendo que tem sido rejeitado pelo governo espanhol. Mas também para os nacionalistas flamengos, nem que seja a longo prazo uma vez que prova que independência não é apenas um sonho, irrealista. É verdadeiramente possível.
Pode criar também um problema para a União Europeia porque já é difícil chegar a um consenso entre os 28, com todos a defender os seus interesses nacionais. Se houver um alargamento, chegar a um consenso será ainda mais difícil.”