Guilherme Alexandre da Holanda, o príncipe que preferia
não o ser, jurou solenemente cumprir o dever como Rei ao lado da sua
mulher Maxima uma holandesa entre os holandeses.
O momento foi de alegria, para os 200 dignatários, nomeadamente das
Antilhas holandesas, e representantes de quase duas dezenas de Casas
Reais, mas os pais da Rainha da Holanda, tal como não estiveram
presentes no casamento, em 2002, também não foram convidados para a
cerimónia de investidura.
O passado de Jorge Zorreguieta, como ministro da Agricultura durante a
ditadura militar argentina (1976-1983), afastou-o das cerimónias
oficiais holandesas.
Os cônjuges das três antecessoras de Guilherme Alexandre eram alemães e a
Casa Real também está intimamente relacionada à nobreza alemã.
Carlos de Inglaterra, Filipe de Espanha, Alberto do Mónaco, Vitória
da Suécia e Frederico da Dinamarca, foram alguns dos representantes de
Casas Reais Europeias. A “Princesa triste” do Japão, Masako, acompanhou
pela primeira vez o príncipe Naruhito numa viagem oficial, devido aos
11 anos de depressão que enfrentou.
Quem também esteve presente, quase de luto, apenas com mangas
brancas, foi Mabel, mulher do príncipe Friso de Orange-Nassau, o irmão
de 44 anos do Rei que continua em coma devido ao tragico acidente na
neve – seguindo o princípio de que o negro é luto ou apropriado apenas
para beijar a mão do Papa.
O casal real dispensou presentes por causa da crise económica
europeia, que também afeta a Holanda. Um sinal muito claro com que o Rei
assinala a direção em que pretende manter o reinado
A Constituição holandesa é muito clara quanto ao papel do monarca como
chefe de Estado. O rei pode contribuir para a formação do governo porque
ele pode nomear o mediador de negociações para um governo de coligação,
por exemplo. Esta foi, assim, a resposta âs críticas que surgiram, no
passado, sobre as despesas dos soberanos.
Na cerimónia da tarde, na Igreja nova de Amsterdão, o traje era de
rigor e máxima usou o diadema de Guilhermina, vestindo azul cobalto, tal
como as filhas e Beatriz da Holanda.
De manhã, sem condecorações ou diademas, chapéu ou luvas, a
assinatura do ato de abdicação, na sala Moisés do Palácio, foi simples e
de rigor, perante a família real e os membros do executivo holandês.
Foi na varanda do palácio que Beatriz se emocionou e, só a custo,
escondeu as lágrimas. Máxima apertou-lhe a mão assim como Beatriz já
tinha feito com o filho.
Na praça Dam, 25 mil súbditos e curiosos aplaudiram freneticamente
os novos soberanos e a antiga monarca que tanta humildade e modernidade
mostrou ao optar por passar o ceptro e a coroa para a nova geração e
retirar-se para cuidar de assuntos mais terrenos, como a situação do
filho, nora e herdeiros, e dedicar-se à Arte que tanto impulsiona.
Os museus de Amesterdão, Rijks, Van Gohg e Stedelik são apenas três dos 50 museus da cidade.
Este é um momento histórico em Amsterdão. Max, que tipo
de mudanças se esperam com o novo rei, quanto à apresentação e ao estilo
pessoal. Como vai apresentar-se a família real?
Creio que será uma monarquia com um maior poder de
comunicação, com mais intervenção. A Rainha Beatriz era muito
respeitada, mas não era muito popular. Era distante. Vamos assistir a
uma mudança revolucionária neste século 21.
Já não é um lugar que reúna
muito poder. No ano passado, a rainha ficou de fora da formação do novo
governo. Foi o parlamento que o fez. O rei ainda faz parte do governo.
Mas Guilherme Alexandre já afirmou que não será problemático se o
parlamento quiser introduzir alterações. Poderá eventualmente assumir o
papel de uma espécie de mestre de cerimónias do país, não como elemento
político.
Durante a última década, um dos
grandes problemas residia no facto de a monarquia querer aumentar a
cooperação europeia, as ajudas ao Terceiro Mundo, reforçar as questões
ambientais, contra a tendência dos políticos. A grande questão agora é
saber que posição vai defender Guilherme Alexandre.
Terá um papel moral na sociedade. A
Rainha Beatriz intervinha todos os anos, na altura do Natal, exprimindo a
sua posição quanto à Europa e outros assuntos. Nem todos os políticos
apreciavam isso. Vamos ver se o novo Rei vai fazê-lo também.
As famílias reais de toda a Europa têm lutado contra alguns escândalos. Em que situação está a família real holandesa?
A maior parte das pessoas apoia a
monarquia. Na verdade, todos os apreciamos. Somos uma espécie de
república com coroa. Houve algumas polémicas. Guilherme Alexandre e
Máxima quiseram comprar uma casa em Moçambique, junto às residências de
alguns milionários. O parlamento declarou que não o podiam fazer. Há
questões fiscais. Há debates sobre os salários que ganham, os aviões que
utlizam. Os políticos pretendem que eles tenham uma vida mais sóbria.
É uma monarquia que se rege por regras constitucionais rigorosas. O poder está no parlamento, não no rei ou na rainha.
A maior
parte das pessoas que conheço, que pertencem à ala esquerda, podem não
gostar de monarquia em geral, mas apoiam esta monarquia. A Casa de
Orange é muito popula. Desde que mantenha a abertura e os valores
democráticos, não haverá problemas.
Se o país começasse de novo, seria
uma república. Mas devido ao papel corajoso que a Casa Real assumiu, na
luta pelas liberdades, sobretudo nos anos 40, durante a ocupação nazi…
Eees foram conseguindo adaptar-se às circunstâncias modernas. Creio que
acabarão por sobreviver.
Depois de 120 anos de rainhas, pela primeira vez um homem assume o trono. É uma grande mudança?
Também temos uma nova rainha, Máxima. Temos de nos habituar a um
casal que vai partilhar as tarefas. Veremos Máxima a protagonizar
viagens, seguramente. É uma mudança, mas não assim tão grande.