quarta-feira, 8 de maio de 2013

O papel das monarquias europeias


 

A monarquia britânica é das mais representativas do mundo, e o papel é esse mesmo: ser representativa.
A rainha de Inglaterra é Rainha de 16 Estados independentes e é chefe da Commonwealth. Todas as semanas, o primeiro-ministro reune-se com a soberana, para lhe participar os problems do Reino e para ela dar a sua opinião.
A função principal é reforçar a unidade e a identidade nacional, e nessas duas áreas, Isabel II destaca-se: 70% dos britânicos apoiam a monarquia, que é uma das mais antigas da Europa.
Com dois séculos de história e também muito sólida, a monarquia holandesa, pilar da identidade nacional é apoiada por três quartas partes da população.
Até 2012, a Rainha Beatriz exercia algum poder político, intervindo na formação dos governos de coligação depois das eleições. O novo Rei, Guillerme Alexandre, prefere ter um poder consultivo e também assumiu que passa bem se lhe derem apenas o poder representativo.
Na Bélgica, a monarquia conservou poderes muito amplos. O Rei pode formar governos que se devem submeter à aprovação do Parlamento, recebe o primeiro-ministro uma vez por semana, e chama os ministros e os líderes da oposição para consultas políticas.
Pode dar a sua opinião e sancionar ou promulgar as leis federais. Também aqui a monarquia cimenta a união no do país, já que o monarca é o rei dos belgas e não de Bélgica. Reinstaurada na reta final da ditadura de Franco, em Espanha, a monarquia é parlamentar e os monarcas são o símbolo da unidade e da continuidade do Estado. Juan Carlos I desempenhou o papel de rei constitucional, demonstrando que democracia e monarquia não são incompatíveis. Mas nos últimos tempos a popularidade do Rei baixou para 36%, nível jamais visto. Os escândalos que atingem à família real tiveram tudo a ver com a perde do antigo charme da monarquia espanhola.
O que é, é precisamente, a principal fragilidade das monarquias modernas: não têm direito ao erro sobre a sua integridade, porque a opinião pública pode lhes retirar rapidamente o apoio se não cumprirem as responsabilidades, é essencialmente, representativas.

Reis Guilherme Alexandre e Máxima dão nova imagem à monarquia da Holanda

 
Guilherme Alexandre da Holanda, o príncipe que preferia não o ser, jurou solenemente cumprir o dever como Rei ao lado da sua mulher Maxima uma holandesa entre os holandeses.
O momento foi de alegria, para os 200 dignatários, nomeadamente das Antilhas holandesas, e representantes de quase duas dezenas de Casas Reais, mas os pais da Rainha da Holanda, tal como não estiveram presentes no casamento, em 2002, também não foram convidados para a cerimónia de investidura.
O passado de Jorge Zorreguieta, como ministro da Agricultura durante a ditadura militar argentina (1976-1983), afastou-o das cerimónias oficiais holandesas.
Os cônjuges das três antecessoras de Guilherme Alexandre eram alemães e a Casa Real também está intimamente relacionada à nobreza alemã.
Carlos de Inglaterra, Filipe de Espanha, Alberto do Mónaco, Vitória da Suécia e Frederico da Dinamarca, foram alguns dos representantes de Casas Reais Europeias. A “Princesa triste” do Japão, Masako, acompanhou pela primeira vez o príncipe Naruhito numa viagem oficial, devido aos 11 anos de depressão que enfrentou.
Quem também esteve presente, quase de luto, apenas com mangas brancas, foi Mabel, mulher do príncipe Friso de Orange-Nassau, o irmão de 44 anos do Rei que continua em coma devido ao tragico acidente na neve – seguindo o princípio de que o negro é luto ou apropriado apenas para beijar a mão do Papa.
O casal real dispensou presentes por causa da crise económica europeia, que também afeta a Holanda. Um sinal muito claro com que o Rei assinala a direção em que pretende manter o reinado
A Constituição holandesa é muito clara quanto ao papel do monarca como chefe de Estado. O rei pode contribuir para a formação do governo porque ele pode nomear o mediador de negociações para um governo de coligação, por exemplo. Esta foi, assim, a resposta âs críticas que surgiram, no passado, sobre as despesas dos soberanos.
Na cerimónia da tarde, na Igreja nova de Amsterdão, o traje era de rigor e máxima usou o diadema de Guilhermina, vestindo azul cobalto, tal como as filhas e Beatriz da Holanda.
De manhã, sem condecorações ou diademas, chapéu ou luvas, a assinatura do ato de abdicação, na sala Moisés do Palácio, foi simples e de rigor, perante a família real e os membros do executivo holandês.
Foi na varanda do palácio que Beatriz se emocionou e, só a custo, escondeu as lágrimas. Máxima apertou-lhe a mão assim como Beatriz já tinha feito com o filho.
Na praça Dam, 25 mil súbditos e curiosos aplaudiram freneticamente os novos soberanos e a antiga monarca que tanta humildade e modernidade mostrou ao optar por passar o ceptro e a coroa para a nova geração e retirar-se para cuidar de assuntos mais terrenos, como a situação do filho, nora e herdeiros, e dedicar-se à Arte que tanto impulsiona.
Os museus de Amesterdão, Rijks, Van Gohg e Stedelik são apenas três dos 50 museus da cidade.
   Este é um momento histórico em Amsterdão. Max, que tipo de mudanças se esperam com o novo rei, quanto à apresentação e ao estilo pessoal. Como vai apresentar-se a família real?
 Creio que será uma monarquia com um maior poder de comunicação, com mais intervenção. A Rainha Beatriz era muito respeitada, mas não era muito popular. Era distante. Vamos assistir a uma mudança revolucionária neste século 21.

 Já não é um lugar que reúna muito poder. No ano passado, a rainha ficou de fora da formação do novo governo. Foi o parlamento que o fez. O rei ainda faz parte do governo. Mas Guilherme Alexandre já afirmou que não será problemático se o parlamento quiser introduzir alterações. Poderá eventualmente assumir o papel de uma espécie de mestre de cerimónias do país, não como elemento político.
 
 Durante a última década, um dos grandes problemas residia no facto de a monarquia querer aumentar a cooperação europeia, as ajudas ao Terceiro Mundo, reforçar as questões ambientais, contra a tendência dos políticos. A grande questão agora é saber que posição vai defender Guilherme Alexandre.
Terá um papel moral na sociedade. A Rainha Beatriz intervinha todos os anos, na altura do Natal, exprimindo a sua posição quanto à Europa e outros assuntos. Nem todos os políticos apreciavam isso. Vamos ver se o novo Rei vai fazê-lo também.  As famílias reais de toda a Europa têm lutado contra alguns escândalos. Em que situação está a família real holandesa?
 A maior parte das pessoas apoia a monarquia. Na verdade, todos os apreciamos. Somos uma espécie de república com coroa. Houve algumas polémicas. Guilherme Alexandre e Máxima quiseram comprar uma casa em Moçambique, junto às residências de alguns milionários. O parlamento declarou que não o podiam fazer. Há questões fiscais. Há debates sobre os salários que ganham, os aviões que utlizam. Os políticos pretendem que eles tenham uma vida mais sóbria.

 É uma monarquia que se rege por regras constitucionais rigorosas. O poder está no parlamento, não no rei ou na rainha.
  A maior parte das pessoas que conheço, que pertencem à ala esquerda, podem não gostar de monarquia em geral, mas apoiam esta monarquia. A Casa de Orange é muito popula. Desde que mantenha a abertura e os valores democráticos, não haverá problemas.
  Se o país começasse de novo, seria uma república. Mas devido ao papel corajoso que a Casa Real assumiu, na luta pelas liberdades, sobretudo nos anos 40, durante a ocupação nazi… Eees foram conseguindo adaptar-se às circunstâncias modernas. Creio que acabarão por sobreviver.
  Depois de 120 anos de rainhas, pela primeira vez um homem assume o trono. É uma grande mudança?
Também temos uma nova rainha, Máxima. Temos de nos habituar a um casal que vai partilhar as tarefas. Veremos Máxima a protagonizar viagens, seguramente. É uma mudança, mas não assim tão grande.

MONARQUIA ATUALMENTE NA EUROPA

Renovar ou morrer é uma divisa que também se aplica à monarquia, mesmo que não se apregoe alto e bom som.
Na Holanda, a Casa de Orange mostrou sabedoria quando a adotou. “Só a vontade de servir pode dar sentido à realeza moderna”, afirmou a Rainha Beatriz.
Aos 75 anos cede o trono ao filho mais velho, Guilherme Alexandre, de 46 anos, seguindo a regra do filho primogénito, em vigor desde 1983.
Esta modernidade está patente no descomplexado ato de abdicar, o que vai contra a tradição monárquica.
Continua a ser uma exceção na Europa Ocidental, onde se mantêm sete Reinos, um Grão Ducado e dois Principados, todos são monarquias constitucionais hereditárias.
No trono desde 1952, com 87 anos. Isabel II não coloca a hipótese de abdicar a favor do filho, Carlos, apesar de ele já ter 64 anos de idade.
Mas a monarquia britânica vai, mesmo assim, modernizar-se um pouco: a regra do filho primogénito masculino vai dar lugar à regra do filho primogénito, em sentido restrito. O filho de William e Kate vai estar na linha direta de sucessão, independentemente do sexo.
O Rei de Espanha, Juan Carlos também não pretende abdicar, apesar da fragilidade da saúde. Submeteu-se a quatro operações cirúrgicas num ano e um espanhol em cada dois prefere que ele abdique.
No trono desde 1975, Juan Carlos de Bourbon tem 75 anos, o filho e herdeiro Filipe tem 45.
Em Espanha vigora a lei sálica em que as mulheres somente podem herdar o trono no caso de não haver herdeiros varões na linha principal (filhos) nem na linha lateral (irmãos e sobrinhos).
No Reino da Bélgica não há preconceitos em abdicar, mas será sempre uma decisão pessoal do soberano. Albert II, reina há 19 anos.
Neste país, 46% da população pensa que é altura do Rei ceder o trono por questões de saúde.
Até porque conta 78 anos e o filho, Filipe tem já 53 anos de idade.
Na Bélgica vigora a primogenitura absoluta, desde 1991.
Passa-se o mesmo em todas as monarquias do norte da Europa. Na Suécia foi estabelecida em 1980, e abdicar também não está fora de questão, mas não é para já.
Ao Rei Carl Gustaf, de 67 anos, vai suceder a filha Vitória, de 39 anos.
Em 1990, a Noruega também deu o passo em frente da primogenitura absoluta.
O soberano Harald V, de 76 anos de idade, reinara ate à morte. Só então o filho herdeiro de 39 anos, Haakon, acederá ao trono.
Primogenitura absoluta desde 2009 na Dinamarca, onde a Casa de Oldenbourg rreina desde 1448.
A rainha Margareth, de 73 anos, no trono desde 1972, não vai abdicar a favor do filho herdeiro, de 44 anos, Frederik. Ainda não cedeu ao princípio de que reinar é um dever para a vida.

Pesquisa aponta queda de confiança na monarquia espanhola

 

 

 
Infanta Cristina e o marido, Iñaki Urdangarin , são personagens em escândalo de corrupção que abala a confiança na família do rei Juan Carlos .
A mais recente pesquisa do Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) mostra que a confiança dos espanhóis na Coroa continua em queda livre. De acordo com 2.482 entrevistas realizadas em abril, no período em que a infanta Cristina foi indiciada em um caso de corrupção que envolve o marido dela, os espanhóis disseram que de 1 a 10, dão uma nota de apenas 3,68 para a confiança que têm na Monarquia. Isso coloca a Coroa abaixo da Guarda Civil, das forças armadas, a polícia e os meios de comunicação.
A Casa Real Espanhola só inspira mais confiança que os partidos políticos, o governo e os sindicatos. A monarquia é a que mais perde pontos. Em outubro de 2011, a nota atribuída foi de 4,89. Antes disso, era uma das instituições mais valorizadas pelos espanhóis.
— Somos muito conscientes da deterioração da imagem pública das instituições e da Coroa nos últimos anos — afirmou um porta-voz da Casa del Rey, citado pelo jornal El País.
Para tentar frear a queda de popularidade, o Palácio da Zarzuela tomou algumas medidas, como a decisão de adotar uma lei de transparência, na qual a Casa del Rey prestará contas pela primeira vez na história de todos os seus gastos, até mesmo dos banquetes.

Holandeses fazem festa para marcar coroação do novo rei

 

 

 


Desde a tarde dessa segunda-feira centenas de pessoas já se reuniam na praça Dam, ponto central das festividades, onde se situa o palácio real e a Nieuwe Kerk (Igreja Nova), e onde o futuro rei fará seu sermão após receber a coroa de sua mãe na manhã dessa terça-feira. Delegações do mundo inteiro estão em Amsterdã para a cerimônia de coroação de Willem-Alexander. O príncipe Charles da Inglaterra e sua mulher Camilla, o príncipe Philippe e a princesa Mathilde da Bélgica e os representantes das famílias reais da Espanha, Jordânia e Japão fazem parte dos convidados.
A assinatura do ato de abdicação da coroa está prevista para as 10h15 do horário local. A partir desse momento a rainha Beatrix passará a ser chamada de princesa e seu filho se tornará o novo rei do país. Ele será o primeiro holandês do sexo masculino a assumir o trono desde 1890.
Após a assinatura do documento o novo monarca fará uma aparição no balcão acompanhado de sua família, onde deve pronunciar um breve discurso. Cerca de 20 mil pessoas são esperadas no centro da cidade para assistir a cerimônia.
Vários eventos serão realizados durante a noite de terça-feira para marcar a coroação. Além dos shows e festas em discotecas, cerca de 50 artistas holandeses vão cantar a “Canção para o rei”, composta especialmente para a ocasião. A música, aliás, chegou a ser criticada por sua letra simplista e a mistura de ritmos populares e rap. Apesar das críticas, espera-se que 17 milhões de holandeses em todo o país entoem a canção.
A família real holandesa desfruta de uma alta taxa de popularidade. Mesmo assim, os poucos opositores à monarquia também devem estar presentes no evento vestindo roupas brancas em forma de protesto contra o sistema.
Mudanças políticas
Beatrix assumiu o trono em 1980 após a abdicação de sua mãe, a rainha Juliana, que reinou durante 31 anos. A coroação de Willem-Alexander é vista como uma nova fase na Holanda, que vem tentado separar cada vez mais a monarquia da vida política. Em 2012 a rainha não designou um mediador para participar da formação da coalizão do governo, um fato inédito. Agora, pela primeira vez na história do país, o novo rei não terá nenhum papel político oficial, mesmo se continuará recebendo o primeiro-ministro em consultas diárias. O novo soberano cultiva uma imagem informal e já disse que prefere não ser chamado de “vossa majestade”.
Willem-Alexander é casado com Maxima Zorrigueta, uma argentina filha de um ex-ministro da Agricultura, que atuou durante o regime militar do general Videla de 1976-1983. O passado do sogro quase impediu o casamento dos novos monarcas. O casal tem três filhos (Catharina-Amalia, Alexia e Ariane).

Máxima devolve o brilho à monarquia da Holanda

 

Com seu sorriso carismático, Máxima, de origem argentina, é um dos membros mais luminosos da Casa de Orange, mas precisou percorrer um árduo caminho até se tornar rainha consorte da Holanda.
Há onze anos, esta pequena e rica monarquia europeia a recebeu com preocupação devido ao passado de seu pai, Jorge Zorreguieta, funcionário de alto escalão da ditadura argentina (1976/1983).
O Parlamento holandês esteve a ponto de impedir seu casamento com Willem-Alexander, o novo rei da Holanda após a abdicação nesta terça-feira da rainha Beatrix. Finalmente se casaram em fevereiro de 2002, embora sem a presença dos pais da noiva, que também não compareceram à festa de entronização.
"Máxima tem um grande coração e uma grande capacidade para se conectar com as pessoas. Com essas qualidades será de grande apoio para Willem-Alexander, que junto a ela formará um bom casal para reinar", disse Beatrix em um discurso na segunda-feira, um dia antes de abdicar.
"Os holandeses não demoraram muito para se curvar aos seus encantos", disse
Fred de Graaf, presidente do Senado.
Máxima, que completa 42 anos no dia 17 de maio, se adaptou as suas obrigações reais em tempo recorde: aprendeu o holandês, a história e as leis do país, além de uma lista interminável de regras de protocolo e etiqueta.
Para satisfação dos holandeses e dos tabloides, em seus primeiros cinco anos de casamento teve três filhas, Amalia, Alexia e Ariana.
Aqueles que a conhecem desde sua infância contam que desde pequena foi "ambiciosa, segura de si mesma e vital".
"Quando era pequena, ela era divina e tinha uma simpatia que conquistava a todos. Com esta mesma simpatia conquistou os holandeses", conta  uma amiga de seus pais, que descreve Jorge Zorreguieta como um "dândi argentino com uma personalidade avassaladora herdada por Máxima".
A mudança de um apartamento do Barrio Norte portenho de 120 m2, onde viveu durante sua infância e adolescência, para um palácio de dimensões gigantescas em Haia parece não ter sido nada traumática.
Seus pais, da classe média alta, mas "não endinheirados", segundo a amiga da família, fizeram grandes esforços para enviá-la ao Colégio Northlands, um dos mais exclusivos de Buenos Aires, naquela época apenas para meninas das famílias mais tradicionais da Argentina.
"Era uma líder, sempre se destacava. Não era a melhor aluna, ou a mais bonita, ou a melhor em esportes. Ela se destacava por sua grande personalidade", disse   uma amiga do Colégio inglês.
Durante sua adolescência, enfrentou vários problemas com seu peso. "Engordava e emagrecia", conta a amiga de seus pais.
Mas chegar ao topo da aristocracia europeia não foi a única conquista de Máxima.
A argentina se formou economista na Universidade Católica Argentina (UCA) e em 1996 se mudou para Nova York, onde trabalhou no banco HSBC James Capel Inc., no Dresdner Kleinwort Benson e no Deutsche Bank.
E, graças ao seu seleto círculo de amigas do Colégio, conheceu em 1999 o príncipe Willem-Alexander, na Feira de Sevilha.
Mas não foi amor à primeira vista. "You are made of wood" (Você é feito de madeira), disse Máxima a ele ao vê-lo dançar e ele se apaixonou, conta o livro "Máxima, Uma História Real", de Gonzalo Álvarez Guerrero e Soledad Ferrari. Ela não demorou muito a corresponder aos sentimentos do príncipe.
A partir daquele momento teve início uma minuciosa preparação para se transformar na esposa do rei da Holanda e na mãe dos herdeiros da Casa de Orange.
Tudo sob a égide e com o aval de sua sogra. Desde o início, Máxima cativou a soberana. Parecia a candidata perfeita para se casar com seu primogênito, na época com fama de amante da cerveja e da vida noturna.
No entanto, o caminho não era isento de obstáculos. "Máxima tinha um problema e este problema era seu pai", disse De Graaf.
As autoridades holandesas ordenaram uma investigação ao especialista holandês em temas latino-americanos Michiel Baud, que concluiu que, embora Zorreguieta "não tenha estado envolvido pessoalmente na repressão", era quase impossível "que não estivesse ciente de nada".
O casal também precisou enfrentar críticas por seus milionários investimentos imobiliários em tempos de crise. Em 2009 compraram uma casa em Moçambique e a polêmica foi tão grande que decidiram vendê-la. Também compraram uma mansão na Grécia e uma propriedade na Patagônia argentina.
Willem-Alexander e Máxima enfrentam agora o desafio de demonstrar a importância da monarquia. E com sua personalidade avassaladora, a rainha consorte deverá ser cautelosa para não ofuscar seu marido, o primeiro de sua geração na Europa a se tornar monarca.
"Ela é a coisa mais positiva que aconteceu na monarquia da Holanda", considerou James Peñafiel, especialista espanhol em realeza.

Rainha Beatrix abdica e Willem-Alexander é o novo rei da Holanda


 



"Dou lugar a uma nova geração. Meu filho assume a responsabilidade desta função", disse Beatrix, de 75 anos, que voltou a ser princesa dos Países Baixos, em um breve discurso.

Visivelmente emocionada, Beatrix assinou a abdicação após 33 anos de reinado. Automaticamente, o príncipe Alexander passou a ser o rei da Holanda e sua mulher, Máxima, a rainha consorte. Eles são os primeiros herdeiros europeus que assumem o trono no século XXI.

"Willem-Alexander estará acima dos partidarismos e será sensível às necessidades atuais. Para isto precisa do apoio de seu povo", afirmou na segunda-feira (29) em um discurso Beatrix, que voltou a ser princesa da Holanda.

Willem-Alexander e Máxima estavam acompanhados de suas três filhas. A mais velha, Catalina-Amalia, de 9 anos, é agora princesa de Orange, herdeira do trono holandês.

Milhares de holandeses se aglomeram na praça em frente ao Palácio Real para se despedir da rainha Beatrix.

"Neste momento, a monarquia pode estimular o respeito à democracia e estimular a coesão eintegração social", destacou a agora princesa Beatrix.

"Na entronização, o rei jura a Constituição para proteger a liberdade. As leis democráticas são sancionadas pelo rei e ele estimula a sociedade e todos os seus grupos. O poder ou a ambição pessoal não podem dotar hoje de conteúdo a Monarquia, que só pode existir como serviço à comunidade", completou.

"Querida mãe. Hoje abdica após 33 anos no trono, aos quais te agradecemos por tudo que fez. Em nome da rainha, eu agradeço por todo o apoio prestado à coroa", disse o novo rei Willem-Alexander, de 46 anos, em tom solene, mas muito emocionado, ao saudar a multidão na varanda do Palácio.

Vestido de fraque e coberto com um manto real, o príncipe de 46 anos jurou “perante os povos do reino observar e respeitar sempre o Estatuto do Reino e a Constituição”.

A praça Dam recebeu 25.000 pessoas, vestidas de laranja, como corresponde à Casa de Orange, segundo a polícia.

A festa de despedida da rainha começou na noite de segunda-feira (29). Milhares de convidados, entre eles membros das casas reais europeias, compareceram no baile de gala no renovado Rijksmuseum.

Tingida de laranja, em referência à dinastia dos Orange, Amsterdã estava pronta para as celebrações. A cidade previa que mais de um milhão de pessoas – vigiadas por cerca de 10 mil policiais – participassem do evento, com um custo de 11 milhões de euros.

A cerimônia oficial de coroação de Willem-Alexander será na medieval Nieuwe Kerk (Igreja Nova), que foi coberta de flores coloridas.

Nessa mesma Igreja, o primogênito da rainha se casou com Máxima Zorreguieta, de origem argentina, há pouco mais de 11 anos.

O novo rei deve jurar ante os povos do Reino "observar e respeitar sempre o Estatuto do Reino e a Constituição".

Depois do juramento, será oficialmente investido Rei pelo país e os Estados caribenho de

Aruba, Curaçao e Sint Maarten, antigas colônias da Holanda.
Como explicou a Casa de Orange, na Holanda um “novo rei não é coroado, mas investido”.

Novo rei
Willem-Alexander se converte no primeiro rei da Holanda dos últimos 123 anos, formando o casal real mais jovem das monarquias ocidentais.

“Ele é um homem de uma nova geração completamente preparado para seu novo papel", disse Fred de Graaf, presidente do Senado da Holanda. “Tem uma grande experiência internacional”, acrescentou.

Segundo pesquisa da rede de televisão “Nos”, divulgada um dia antes da entronização, 69% dos holandeses acreditam que Willem-Alexander será um bom rei. Um ano atrás, a aprovação era de 59%.

O príncipe foi um dos primeiros a se casar por amor com uma jovem sem sangue azul, e que além disso não era holandesa, mas sul-americana.