terça-feira, 26 de abril de 2016

Movimento republicano quer referendo sobre monarquia quando Elizabeth morrer

 

 - O principal movimento republicano do Reino Unido já planeja uma ofensiva para quando a rainha Elizabeth II morrer: quer um referendo para definir se o Estado deve continuar sendo comandado pela monarquia, ou se faz a transição para uma república. Elizabeth acabou de completar 90 anos de idade, e está há mais de 63 anos no trono.
O chefe do movimento Republic, Graham Smith, disse em um comunicado felicitando a rainha que a eventual morte da monarca será um momento “de transição” no apoio público à monarquia — que chefia o Reino Unido, mas deixa todas o controle das questões políticas a cargo do Legislativo e do primeiro-ministro.
Nesta semana, ele abordou a questão num evento em Madri, com outros movimentos republicanos europeus.
— Quando Charles for declarado rei, não haverá planos de referendo. Será uma oportunidade para questionarmos, nos seis meses que precederão a coroação: “Esperem, este é o século XXI, devemos ter direito a voto sobre quem será o chefe de Estado. Uma eleição livre.
Smith já havia alertado que a campanha não será fácil. Ela precisará de campanhas populares que forcem o Parlamento a discutir, ele advertiu. Outros países podem ter o direito de decisão com mais facilidade.
— Se uma de nossas nações conseguir derrubar o sistema monárquico, haverá um efeito dominó. A Espanha é a mais próxima. Vá primeiro, e prometemos ir atrás — disse Jon H Leren, secretário internacional do movimento republicano norueguês.
Enquanto na Espanha há apoio popular estimado em 45% ao republicanismo, o Reino Unido tem apenas 20%. Mas Smith mantém esperanças de que o chefe de governo passe a ser alguém fora da monarquia, séculos depois. No novo comunicado, ele alega que “a indiferença à realeza só cresce”.
— Algumas pessoas pensam que temos o trabalho mais difícil, mas acho que mostramos que há motivo para otimismo — disse Smith.


 

Arábia Saudita aprova plano de reforma econômica

 


  A Arábia Saudita, que enfrenta a tendência de queda nos preços do petróleo, aprovou hoje um plano de longo prazo para transformar a economia do país e torná-la menos dependente da commodity.

O plano plurianual, batizado de "Visão Saudita 2030", recebeu o aval do gabinete, segundo o monarca saudita, o rei Salman. A implementação do plano ficará a cargo do conselho econômico do governo.

As fortes perdas que as cotações do petróleo vêm acumulando desde meados de 2014 ampliaram a urgência de a Arábia Saudita, maior exportador mundial da commodity, buscar novas fontes de receita.

O rei deu a seu filho de 30 anos, o príncipe Mohammed bin Salman, segundo na sucessão ao trono e chefe do conselho econômico, a incumbência de conduzir a estratégia.

"Até 2020, seremos capazes de viver sem petróleo", afirmou o príncipe à emissora de TV Al-Arabiya, em entrevista divulgada hoje.

De acordo com Bin Salman, os gastos do governo serão "mais reestruturados do que reduzidos" e mudanças nos generosos subsídios do governo não afetarão a porção 30% mais baixa da escada econômica saudita.

O príncipe afirmou também que a implementação total do plano exigirá algum tempo. "2015 foi o ano do rápido conserto, 2016 é o ano do rápido conserto mais organizado e 2017 será o ano em que a visão começará."

Bin Salman também sinalizou o desejo do reino de superar sua imagem ultraconservadora, ao anunciar que a Arábia Saudita "abrirá suas portas para o turismo de todas as nacionalidades em linha com sua tradição e valores". Atualmente, o país não emite vistos de turista, exceto para peregrinos religiosos.

Outros países do Oriente Médio, como Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait, apresentaram planos de reforma econômica similares no passado recente.

Na Arábia Saudita, que tem no petróleo 70% da origem de sua receita, a diversificação da economia poderá dar início a uma revisão fundamental do contrato social do reino. Há décadas, a monarquia saudita favorece a população com gastos generosos, sem pedir impostos em retorno.

As mudanças econômicas vêm num momento politicamente difícil para Riad. Os sauditas estão engajados numa custosa guerra com o vizinho Iêmen, onde o Irã estaria financiando e fornecendo armas a rebeldes houthis. Teerã nega a acusação.

O prolongado período de petróleo barato tem pressionado as finanças da Arábia Saudita, e Riad já tomou algumas medidas numa tentativa de solucionar o problema. Além de cortar gastos, os sauditas emitiram bônus domésticos e utilizaram parte de suas reservas internacionais, que encolheram cerca de US$ 116 bilhões, ou 16%, a US$ 616,4 bilhões, ao longo de 2015. Neste mês, a Arábia Saudita também recorreu a bancos internacionais pela primeira vez em 25 anos, ao captar um empréstimo de US$ 10 bilhões

LIÇÕES INGLESAS PARA EXPULGAR DEPUTADOS QUE NÃO NA LINHA

Oitocentos anos de prática com parlamentarismo levaram o sistema de governo na Inglaterra a aperfeiçoar mecanismos para expurgar políticos malfeitores. Se cometem crimes, acabam sob julgamento em tribunais comuns, porque parlamentar britânico hoje - inclusive o primeiro-ministro - não tem imunidade na Justiça, nem foro privilegiado para crimes comuns. São imunes apenas na liberdade de expressão pelo que digam no plenário, não pelo que façam de ilegal no lado de fora.
No Reino Unido, apesar dos 800 anos da história parlamentar, não há uma Constituição escrita. Em entrevista para o Sem Fronteiras, da GloboNews, Tony Travers, da London School of Economics, explica que o primeiro-ministro na Grã-Bretanha só continua no poder enquanto a maioria do seu próprio partido o enxergar como líder. “Não há detalhes sobre como o governo ou o Parlamento devem agir. Isso é decido ao longo do tempo e desenvolvido especificamente para este fim de uma maneira orgânica. Então, mesmo um membro da Câmara dos Comuns ou dos Lordes corre o risco de ser deposto. No caso do Reino Unido, se um primeiro-ministro fizesse algo de fato grave, ou considerada inaceitável, os próprios membros do Parlamento perderiam a confiança nele e o forçariam a sair”, diz Tony.
Quem sentiu isso na pele foi o ex-deputado e escritor de best-sellers Jeffrey Archer, que caiu na justiça comum várias vezes, por corrupção, sem proteção parlamentar. Acabou condenado, em 2001, e cumpriu na prisão metade de uma pena de quatro anos. 
O expurgo de deputados por irregularidades diversas começa dentro do Parlamento, com moções de censura por uma comissão de ética e suspensão de atividades pela liderança da casa. Podem ser suspensos por alguns dias, por falta de decoro, sem salário e sem direito de voto no plenário. Dependendo da gravidade da ofensa, o partido do político envolvido costuma exigir que ele ou ela renuncie. Mas não pode obrigá-los a deixar o posto. Mesmo o plenário como um todo não tem poder para expulsar da casa um deputado infrator, privilégio só concedido ao eleitorado, nas eleições seguintes. O partido dele, porém, pode retirar-lhe apoio, o que o torna ineficaz como parlamentar e assegura que não possa concorrer a novas eleições, pois não será selecionado pelo partido.
Tony diz que é muito difícil um político que passe por isso não renunciar. “Ele pode até continuar, mas o que vai acabar acontecendo é que haverá outra eleição em 5 anos.  Nenhum partido o apoiaria e ele perderia a próxima eleição. Há também a questão de que as pessoas fazem pressão. A imprensa britânica é muito agressiva nestes casos. Qualquer um que cometa um crime e resolva continuar no Parlamento, ainda mais na Câmara dos Comuns, terá a vida desgraçada pela imprensa. Quem vai querer viver isso?”, questiona Tony.

O partido é tão forte no sistema parlamentar, que serve para tirar do posto até o líder maior, primeiro-ministro e chefe de governo. E pode fazer isso até sem que ao menos o líder tenha cometido crime ou séria impropriedade. Pode ser afastado por motivo político.
Ocorreu assim com Margaret Thatcher em 1990. O Partido Conservador concluiu que a liderança dela, impopular na ocasião, iria levar a uma derrota nas eleições seguintes. Os caciques, então, simplesmente destituíram Thatcher do comando supremo do partido e do governo. Escolheram John Major para o posto. Assim, sem nunca ter perdido uma eleição popular, Thatcher foi tirada do caminho pelo partido, que nela perdeu confiança.
De longe, a Rainha Elizabeth II contempla reviravoltas parlamentares desse gênero. Ela é chefe de estado, um cargo cerimonial que não lhe dá poderes para interferir no Parlamento. O último que tentou isso, o Rei Charles I, foi decapitado em 1649 e gerou uma guerra civil.
A soberania é do Parlamento que, se assim o quiser, pode até tirar a rainha do poder, dissolver a monarquia e instituir uma república. Improvável, mas legalmente possível.

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Imprensa francesa se rende às excentricidades do Reino Unido

 Imprensa francesa se rende às excentricidades do Reino Unido, em uma semana em que os britânicos celebram a monarquia, ao mesmo tempo em que aprofundam a reflexão sobre a permanência ou não na União Europeia.

A edição da revista L’Obs é dedicada aos vizinhos british. A soberana Elizabeth II, que celebrou suas 90 primaveras nesta quinta-feira (21), ilustra a capa da publicação francesa, sob a manchete “Goodbye England?”. Nas 30 páginas de reportagens, a semanal discorre sobre “a história de uma ilha à parte” e mostra o quanto a trajetória do reino ao longo dos séculos explica a recusa dos britânicos em se curvar aos europeus. “Desde 1066, a Grã-Bretanha resistiu a todas as tentativas de invasão estrangeira”, relembra o texto.
Em exatos dois meses, em 23 de junho, o Reino Unido vai às urnas para votar no referendo que definirá se o país fica ou não na União Europeia. L’Obs mostra que a questão divide até os historiadores, que se reagrupam em torno de dois respeitados nomes, um a favor e o outro contrário à saída dos britânicos da UE, Andrew Roberts e Edward Madigan, respectivamente. Em um ponto, os dois historiadores concordam: ambos reconhecem que a votação instiga os britânicos a refletirem sobre a própria identidade e quem querem ser na Europa moderna.
Toda a polêmica, no entanto, não abala a serenidade da carismática rainha Elizabeth II. Mais uma vez, a monarca prefere o silêncio e se mantém alheia aos debates que agitam o país – e talvez resida nesta postura a chave de sua popularidade, observa a revista francesa. “Elizabeth não diz nada, até quando o seu reino se rasga sobre o ‘Brexit’. Um segredo da longevidade?”, questiona a reportagem, que ainda trata sobre a sucessão na prefeitura de Londres, a explosão de start-ups no país, as casas dos milionários londrinos e ainda traz um guia atualizado dos endereços mais em voga para visitar, comprar, comer e se divertir.
Moda britânica em alta
O Reino Unido também estampa a capa da revista Les Echos Week-End, a semanal do respeitado jornal econômico francês. O foco, porém, é o que vestem os homens britânicos. “God Save the Chic” é uma rara homenagem à moda dos eternos rivais dos franceses.
“Brexit ou não, nós adoramos a elegância inglesa”, derrete-se a revista, que afirma que a Grã-Bretanha é uma referência incontornável na moda – e brinca que, por isso, o país deve, sim, permanecer na União Europeia. São mais 30 páginas de matérias sobre o assunto, com direito a muitas fotos e, é claro, a história do famoso look chapéu, guarda-chuva e gravata-borboleta, o clichê mais mignon da moda masculina britânica. 

God save de queen: Isabel II celebra 90 anos

      
A rainha Isabel II celebra hoje 90 anos sem sinais de pretender de abdicar ou aposentar-se das funções, nas quais a larga maioria dos súbditos britânicos deseja que se mantenha o maior tempo possível.

Uma sondagem divulgada recentemente pela universidade King's College London indicava que 70% dos inquiridos são favoráveis a que a monarca nonagenária mantenha a coroa até conseguir, um número recorde desde 1981 e prova da popularidade de Isabel II.
Além de se ter tornado no ano passado a soberana com o reinado mais longo da história britânica, ultrapassando a bisavó, a rainha Vitória, que permaneceu no trono até à morte, em 1901, é também aquela que viveu mais tempo.
Todavia, este destino não estava traçado: quando nasceu a 21 de Abril de 1926, Elizabeth Alexandra Mary Windsor - "Lilibeth", como era chamada na infância -, não estava na linha directa de sucessão.
Foi só depois de o tio Eduardo VIII abdicar da coroa em 1936 para casar com Wallis Simpson, uma americana divorciada, que o pai se tornou rei Jorge VI, colocando no topo da linha de sucessores a primogénita, Isabel, então ainda uma criança.
A morte prematura do pai, aos 56 anos, fê-la ascender ao trono mais cedo do que esperava, em 1952, com apenas 26 anos, menos de metade da idade de Carlos, o príncipe herdeiro, que já conta 67 anos.
Mas a monarquia nem sempre foi popular como é agora e a estima que a rainha hoje merece aos britânicos foi reconquistada nos últimos anos graças à personalidade discreta, austera e de permanente serviço público.
O divórcio dos filhos Carlos e André e da princesa Ana no mesmo ano levando a monarca a apelidar 1992 de "annus horribilis", mas provavelmente o período mais difícil do reinado terá sido cinco anos mais tarde, em 1997, quando a princesa Diana morreu em circunstâncias trágicas num desastre de automóvel em Paris.
Aos escândalos familiares, às adversidades políticas e às mudanças históricas a que assistiu - conviveu com 12 primeiros-ministros britânicos e 11 presidentes dos EUA -, Isabel II respondeu sempre com sentido de Estado e de dever, razão pela qual merece respeito dos súbditos.
A neutralidade política é um valor que tem procurado preservar, sendo exemplo a firmeza com que o Palácio de Buckingham desmentiu recentemente a notícia de um tablóide de que Isabel II seria favorável à saída da União Europeia, a propósito do referendo de 23 de Junho.
Durante todos estes anos, fez sempre questão de participar em numerosas cerimónias oficiais, visitas de Estado, tomadas de posse, atribuições de condecorações, viagens pelo país, eventos de solidariedade ou audiências políticas.
Mesmo se nos últimos anos se tem feito representar cada vez mais em viagens ao estrangeiro ou noutros deveres por diferentes membros da família real, mantém-se activa: no ano passado ainda cumpriu 393 compromissos, incluindo visitas de Estado a Malta e à Alemanha.
À margem, mantém uma vida privada recatada, de proximidade com o marido, o príncipe consorte Filipe, com quem teve ao todo quatro filhos (Carlos, Ana, André e Eduardo) num casamento que já dura há 69 anos.
No início deste mês, o príncipe William, que representou a avó numa visita à Índia, saudou a rainha, que, mesmo aos 90 anos continua a ser "uma força condutora dedicada e admiravelmente energética para a família".
E acrescentou: "Ela pode ser a minha avó, mas ela ainda é a chefe"

TORCEDORES LIGAM FASE A DESCOBERTA DE REI -

  Tirar o esqueleto de um rei de um estacionamento e colocá-lo em uma catedral em Leicester deu sorte à equipe. A curiosa coincidência anima os torcedores na boa fase que parece nortear o caminho rumo ao título inédito.
A virada na história da monarquia inglesa - e na do Leicester - começou em setembro de 2012. Arqueólogos encontraram enterrado metros abaixo de um estacionamento um esqueleto. Durante os meses seguintes pesquisadores da Universidade de Leicester realizaram exames de DNA e estudos para comprovar a identidade do cadáver. E descobriram que se tratava de Ricardo III, o último rei inglês a morrer durante uma guerra.
Em 1485, o monarca foi assassinado durante a Batalha de Bosworth, disputa de dinastias considerada por historiadores um dos marcos do fim da Idade Média. O rei foi retratado em uma das obras do escritor inglês William Shakespeare como um tirano.
A personalidade controversa de Ricardo III não lhe impediu de ter a descoberta do esqueleto comemorada. A cidade se mobilizou para em março de 2015 organizar um funeral digno de rei. Os restos mortais desfilaram em carruagem, foram saudados nas ruas pelas pessoas e o caixão foi enterrado em uma catedral da Leicester.
Naquela época, o time estava em péssima fase. O último colocado da Premier League tinha perdido 18 dos 29 jogos. Após o funeral, porém, a história mudou de rumo. Nas nove rodadas restantes foram sete vitórias, um empate e apenas uma derrota. A equipe escapou do rebaixamento com folga.
Na temporada seguinte, a boa fase continuou. O Leicester é líder com sete pontos de folga e caminha para desfilar tão aclamado pela população da cidade como foi o caixão do rei. "Parece que há mesmo uma coincidência no caso. Nossa cidade tem um grande orgulho de ser a casa do rei", disse a diretora de marketing do Centro Turístico Rei Ricardo III, Emma Lay.
O local foi inaugurado pouco depois do esqueleto ter sido encontrado. Durante o processo de identificação, torcedores do Leicester e até os donos do clube fizeram doações para que os festejos para o funeral do rei fosse grandioso e compensasse o tempo de esquecimento.